segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Fumos e Fraquezas
Tudo se funde: cheiros, cores, sabores.
Não tento sequer diferenciar o que me rodeia, porque a névoa é maior que a minha vontade.
Queimo os lábios porque me esqueci de soprar esse líquido "cor de burro quando foge" (seja lá o que isso for) de sabor a maçã e canela. (o único que me faz lembrar de bons momentos).
O cigarro já não sabe a nada, mas não o apago. Como se fosse uma pastilha sem sabor que continuo a mascar sem parar, com esperança, com certeza, de que ela volte a ter doce para me satisfazer, como se eu fosse uma criança.
Solto as memórias, deixo-as fugir. De qualquer modo, sei que elas voltam, sem que sequer as chame!
Não há nada que mais que console que o quente nas mãos. Faço de conta que assim também aqueço o coração!
Se há momentos em que nos sentimos "super-humanos", este não é um deles, para mim.
Juntamente com o fumo que sai da chávena e o fumo do cigarro, sinto também, em forma de névoa cinzenta, as minhas fraquezas e cobardias. Aquelas que não vejo, no dia a dia e que, espero silenciosamente, os outros também não vêem.
Aos poucos, vejo-as tomar forma e, então, fecho os olhos. Não quero encará-las mais uma vez.
Levo o cigarro à boca e puxo o fumo, como se tivesse esperança que, assim, puxasse também as fraquezas para dentro de mim, de novo.
Mas elas teimam em ficar. E vão ficar até que lide com elas...
Mas não será hoje. Hoje estou cansada, exausta...
Apago o cigarro. Acabo de beber o chá. Levanto-me rapidamente e fecho a porta atrás de mim.
As fraquezas que lá fiquem dentro ou que me acompanhem (já que o mais certo é que consigam passar pelo buraco da fechadura). Mas não vou lidar com elas hoje.
Que ideia a minha: beber chá e fumar um cigarro...toda a gente sabe que o fumo puxa as memórias e que estas puxam as fraquezas...e eu não tenho tempo para isso!
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
pensamentos de uma noite de Natal...
"Vejo sorrisos à minha volta...sorrisos apenas, como se nenhuma razão houvesse no mundo, para tristezas. Em cada um deles, tento ver o teu sorriso, mas não me é possivel. Não que não sejam bonitos, todos eles. Mas nenhum é o teu.
As horas e os dias passam a uma velocidade bem diferente desde que não estás...
É meia noite.
A histeria da distribuição dos embrulhos começou. Em cada presente que pego, penso naqueles que trocámos. E arreopendo-me dos que não chegámos a trocar. Dos que pensei dar-te e não dei; dos que me quiseste dar e não recebi. Agora, tudo e diferente.
Os "obrigados" e os beijinhos correspondentes lembram-me apenas daquele último beijo que trocámos e que tentei não lembrar, depois.
Podia ser um dia feliz, este. Mas já não é... Já não é senão uma lembrança dura que tenho que carregar dentro do peito, ano após ano e que tento esquecer o mais possível. (Não a ti, isso nunca...apenas à dor que o dia me traz).
Sentada no sofá, frente a frente com o lume alto da lareira e coberta com uma manta quente, tentando tornar os papeis de embrulho numa pequena bola que esmago com força,perco me em lembranças de alturas diferentes da minha vida, em que estavas sempre presente.
De quando me tiravas o medo, de quando me davas força para continuar, de quando me fazias chorar (também houv desses momentos) e quando me abraçavas, de quando me beijavas, noutros tempos da nossa existência, de quando me davas a mão em jeito de coragem, de quando me dizias que tinhas orgulho em mim e de quando me dizias que a nossa amizade nunca querias perder. De quando me pegavas ao colo ou corrias comigo as cavalitas. De quando caminhávamos, tão simplesmente, lado a lado.
De quando nos cruzámos, na minha primeira queima e dançamos abraçados, só porque nos fazíamos sorrir um ao outro.
De quando eras meu...de quando era tua.
E de quando não o fomos, também.
Toda a gente sorri e, incrivelmente, não conseguindo encontrar o teu sorriso, uma lágrima cai.
As imagens que agora me assolam a memória são mais duras, mais frias e mais crueis.
Mas, até mesmo estas, acabam por se esgotar. Deixaram de se somar...
Como se a minha vida tivesse terminado há exactamente três anos.
E terminou, pelo menos uma parte dela.
Conheci o que é a dor, aquela dor verdadeira que nunca mais nos deixa, por muito que, por vezes, pareça acalmar. A dor de perder alguém, para sempre.
A minha vida não se foi com a tua (às vezes preferia assim), mas uma parte de mim deixou de viver nessa noite.
Na noite de Natal. Parece-me completamente impossível que haja alguém tão poderoso e tão bom, segundo me foi dado a conhecer, que seja capaz de tal crueldade.
Muitos me julgarão, com certeza, por proferir tal julgamento mas a verdade é que muito de mim mudou nessa noite. E se uma parte do meu coração foi contigo, uma parte das minhas crenças também foi.
Não me interpretem mal: acredito na existência desse ser...só não lhe conseguirei ser tão devota como fui, até me seres tirado...
Como posso agradecer-Lhe todos os dias, quando entro na Sua casa, de quando em vez, para ver brilhar os olhos dos que mais quero, tal é a saudade e a dor, num dia que todos dizem que é feliz?
Pede or mim, se estiver errada, já que és agora o meu anjo...
Mas entretanto e sem sequer pedir perdão, acredito apenas que estás comigo. Apenas não da forma que queria.
Não, não é egoísmo. Pois como pode ser egoísmo, se no fim do teu nome pronunciado, estamos todos os que partilham destas memórias que me assolam o peito e a memória, de cabeça perdida e coração dilacerado com a falta que fazes?
Três anos...três anos é muito tempo...mas é tão pouco quando penso naqueles que ainda vou ter que enfrentar...no número de vezes que vou passar por esta noite e vou ver sorrisos sem ver o teu, vou sentir abraços sem sentir o teu, vou ficar sentada à lareira a recordar...e a história vai terminar sempre no mesmo momento, pois não estiveste para construir mais....
É noite de natal...faz três anos que partiste!
As perguntas nunca vão deixar de aparecer...
Tenho saudades...para sempre!"
Para o Luis, meu eterno arco-íris, meu principe...
Uma rosa vermelha, um beijo, uma lágrima, uma festa no cabelo... :'(
(música: Shania Twain - You're still the one...porque sempre foi a nossa música, porque me iluminou em tantos momentos o caminho, porque nos levou um ao outro outras mais...e será sempre a banda sonora das minhas memórias...)
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
saudades...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Hoje não sei...
Sei que me fazes rir, sei que me fazes chorar. Acordas tudo o que é genuíno em mim, mas hoje, não sei se te quero.
Hoje, não sei se te amo.
Sei que fazes borbulhar tudo dentro de mim, sei que me acendes e me apagas como se eu não fosse mais que um isqueiro com que acendes os cigarros que te acompanham bem mais do que eu.
Pensei que sim, que sabia. Pensei que não tinha dúvidas. Mas tenho.
Telvez não tenha dúvidas do que sinto por ti, mas tenho dúvidas do que sinto perante esse sentimento.
Hoje não sei se te quero amar.
Sei exactamente o que sinto quando me tocas nos lábios, ao de leve, com a boca entreaberta e a respiração ofegante, sei o que sinto quando me prendes nos teus braços, como se só assim tivesses a certeza de que ali estou.
Mas, não me perguntes porquê, hoje não sei se te quero, nem se te amo nem sequer se te quero amar.
Soube-o, durante tanto tempo, que hoje tenho medo que o que sinto, o que se passa dentro do meu coração, não seja mais que essa imposição que o meu coração fez há minha vida, ha tanto tempo atrás, de te amar, contra tudo e todos. Hoje não sei se não será, também, contra mim.
Hoje não sei se fico.
Não sei se quero ficar, não sei sequer se quero estar perto.
O meu coração está "semi-acordado".
E hoje, não sei se quero acordá-lo ou adormecê-lo.
Apetece-me deixá-lo assim. Tal e qual como está. Apetece-me nem sequer pensar nele, ou seja, nem sequer pensar em ti.
Hoje não sei se quero, só isso.
Não sei se amanhã vou querer e, para ser sincera, já~ontem não sei se queria.
Hoje não sei se te quero, não sei se te amo, nem sei se te quero amar.
Se calhar é uma boa altura para pensarmos ambos porque será que não sei se quero!
Mas também...não sei se quero
sábado, 13 de dezembro de 2008
Só hoje...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
O coração, acelerado, diz-me que era preciso descansar, para que o tempo voasse. Mas o sono não vem, mesmo assim.
Às voltas e voltas, os lençóis que estiveram esticados, estão agora presos em mim. Quase sufoco, com esta agitação.
Quando finalmente a noite passou, quando finalmente o cansaço vençeu, o despertador tocou, e o meu dia começou.
Mas a agitação não acalmou, o coração não abrandou e o nó na barriga parece querer aumentar à medida que o tempo (não) passa.
Onde estarás? Olho para o céu, à espera de ver um qualquer avião que, com esperanças desmedidas, me convença de que estás a caminho. Mas se há dias em que o céu me parece uma auto-estrada, hoje não é um desses dias.
Não tenho como saber de ti, não tenho como perguntar por ti. Só posso esperar que me dês um sinal, que me procures.
Estás a chegar, que eu sei. Alias, a esta hora, tens que estar, já, em terras lusitanas. Mas tenho que continuar a esperar...
Acho que tenho o coração na boca, prestes a sair disparado.
Vem depressa...tenho saudades...
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Mas nestes momentos, a que me refiro, questionamos o que vemos, o que ouvimos e até mesmo o que sentimos.
Parvoíce?? Não, nada disso.
Questionamos porque nos pareceu tão óbvio durante tanto tempo e, agora, de um momento para o outro, o que está ali, bem à nossa frente, parece tão estranho, tão ilógico, tão irracional...
É nestes momentos que me perco em raciocínios abstractos e me pergunto, vezes sem conta, onde será que perdi o fio à meada nestes caminhos? Já não sei distinguir o que é normal do que não é, porque parece que tudo à minha volta está de pernas para o ar!
Não sei se a minha vida está a andar no sentido oposto ou se simplesmente estou confusa.
Como se as luzes da uma rua estivesses ligadas em pleno dia e desligadas pela noite dentro. Repito: tudo ao contrário!
"um dia não são dias"...esperemos!
domingo, 30 de novembro de 2008
Fotografia
Então, apercebo-me, não é uma fotografia que tenho na mão, é toda uma caixa de memórias que já não me assolam os pensamentos com a mesma frequência do que terão feito, com certeza anteriormente mas que, asseguro a mim mesma, ainda consigo encontrar com alguma facilidade sempre que tento fazê-lo, de resto.
Há brilhos que se perdem...mas há olhares que ficam, como aqueles que fazia, em pequena, a espera que o flash da máquina fotográfica captasse os meus pensamentos e os meus sonhos.
Só era impossível esperar que olhasse mais tarde para este pedaço de papel e invejasse o olhar maroto e brilhante que sabia oferecer sem esforço, nessa altura...
Onde será que se perdeu, aquele sorriso pequenino que hoje não sei, nem a esforço, fazer da mesma forma?
Era mais fácil se conseguisse ficar presa naquele momento, que agora tenho na mão e que temo em pousar, não vá aquele sorriso perder-se de novo, aquela espontaneidade inocente que trazia segura e como um dado adquirido!
Por breves instantes, revivo tudo o que não volta atrás. Mas, por outro lado, não teria o mesmo som, nem sequer a mesma côr repetir infinitamente os mesmos momentos...
Sou diferente e posso até ter perdido esse sorriso e esse olhar. Mas terei, com certeza, ganho outros...e saberei viver com eles...
sábado, 29 de novembro de 2008
Enquanto durmo

sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Buracos e pedras soltas...
Perco-me em memórias que um dia trouxe mais longe mas que voltam, sem permissão e remexem todos os cantos do meu ser. Tropeço nas pedras que se prendem nos sapatos altos que me ritmam o andar.
Oiço a tua voz, longe, como se ecoasse eternamente na minha mente. Já não sei sequer, à força de tanto repetir as tuas palavras, o que dizes.
Não chove, mas sinto a cara inundada com um sabor salgado que me recuso a aceitar que sejam lágrimas. É que prometi a mim mesma que não voltaria a chorar. Inacreditável a poucafiabilidade que têm, hoje em dia e passado tanto tempo, as minhas promessas. São tão frágeis que raramente eu própria acredito nelas!
Procuro uma seta que me indique que caminho é este que estou a tomar. Algum sinal que me permita ver,c om mais nitidez, a direcção a seguir...mas em vão. Não há nada, a não ser o próprio caminho, com que me identifique.
Noutros tempos, encontrava o meu caminho, se assim se pode chamar, em cada canto teu. Na tua pele, sabia identificar cada cheiro, cada marca, cada recanto. Nos teus olhos, sabia ver, mais que o meu reflexo, o meu destino. No teu sorriso, ouvia os sons que me mantinham acordada noites a fio, a decorar os pormenores da nossa existência.
No teu toque...no teu toque encontrava, pura e simplesmente, a minha razão de viver.
E agora, não tenho a tua pele, não tenho o teu olhar, não tenho o teu sorriso e não tenho o teu toque. Agora, tenho uma rua que antes foi calcetada e que hoje não me oferece mais que alguns buracos e pedras soltas, bem ao jeito do meu ser.
Alguém está a chamar-me, mas por mais que queria não consigo virar-me nem sequer parar de andar.
Os passos sucedem-se como se fossem mecânicos e as mãos, dentro dos bolsos, já nem as sinto o duficiente para fazer força contra essa mecânica que se instalou em mim.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Neve no meu coração
Mas como é possível que seja aí que neve caia se é aqui, tão longe, que sinto o meu coração gelar?
Se a neve cai tão longe e aqui é apenas o vento que me acompanha as passadas na rua sozinha, porque será que sinto este gelo cá dentro?
Os vidros que me cercam estão secos. As pessoas passam na rua, e parece-me a mim, que estou gelada, que o frio é bem menor para elas. Não é mera tristeza, isto que sinto.
Alguns diriam que é uma tal de mania da persiguição, ou de que sou vítima. Outros explicariam, com os braços a gesticular e toda uma certeza que eu não tenho, que isto é melancolia...
Mas é muito mais que isso...
Camam-lhe...saudade!
Estranhamente, só o pronunciar da própria palavra me causa um arrepio na espinha e traz a tua imagem para perto de mim. Mais perto do que ela já está, constantemente.
Os teus olhos sabia ler os meus. Mas agora, por muito que oiças as palavras que deixo escapar em alto tom, por mais que leia o que te atreves a escrever...não podes olhar nos meus olhos, não podes sentir o que deixo que apenas tu possas ver.
E a neve que aí cai e aqui não vejo, sinto na pele e na alma, ao mesmo tempo que deixo que o rosto frio se inunde.
Sim, é saudade.
E contra a saudade, segundo sei (e como gostaria de saber mais) nada posso fazer, pelo menos enquanto a neve cair e tu estiveres bem mais perto dela que de mim...
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Não basta ignorar que lá estão, que lá estiveram outrora...
Como fazemos para ver para alem das sombras que se entrepuseram bem à frente do nosso olhar?
Não basta, com certeza, ignorá-las, pois o caminho não fica mais nítido.
Porque as coisas não deixam de estar presentes só porque tentamos fingir que assim é...
Sobretudo, como fazemos para fingir que não dói, que somos de ferro, que tudo passa em menos de nada??
Serão demasiadas perguntas? Dentro de mim, são apenas uma fracção...
Serão perguntas retóricas?
São apenas um pouco de mim...que não consigo descortinar!
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
minha estrela
Sem medo, mas sem falsas confianças exageradas.
Entrei, olhei em volta e sorri.
Já me tinha esquecido do cheiro do teu pescoço, do brilho do teu olhar.
Durante algum tempo tudo foi névoa...mas agora está de novo tão nítido que é impossível não reparar!
Podia reconhecer-te em qualquer parte, a qualquer momento.
Estás cravado em mim. Em todo o ser que nunca tocaste, sequer.
Senti-te, mesmo longe, com mais intensidade do que poderia imaginar em dias em que te tive perto, algures perdidos no tempo...
És-me...sou-te...minha estrela
sábado, 20 de setembro de 2008
Pedaços de papel...
Quanto mais o tempo passou, mais achei que um dia o seria.
E o tempo passou e passou...e hoje acho que, nalgum momento, perdido na tua vida agitada e cheia de preenchimentos, eu fui o principal da tua mente e do teu peito.
Talvez eu seja demasiado exigente, ou talvez tenha dado mais do que tenhas percebido...e não tenha tido nunca o direito de te pedir o mesmo.
Talvez tenhas sofrido tanto quanto eu, ou talvez não, ou talvez mais. Mas nunca terá sido porque quis que o sofrimento coubesse entre nós.
Acho que houve alguma coisa, muito forte ou muito fraca, mas o suficiente para nos manter longe, que superou esse amor que quis tanto que me tivesses.
Agora, que tudo o que tenho é um coração dilacerado, quero apenas que sintas, tanto quanto eu sinto, que esteja eu onde estiver, sob qualquer forma possível, pensarei em ti, amar-te-ei com todas as minhas forças (mesmo quando elas me faltarem) e sofrerei por não termos sido felizes. mesmo que não me possas ver.
Farei questão de não sair do teu peito, mesmo quando só puderes ver o meu sorriso em pedaços de papel que foram nossos, há muito, muito tempo.
Escrevi este texto, há algum tempo, e nã sei porquê, senti-o como se o tivesse escrito agora mesmo...
Mas, como alguém me disse, nada dura para sempre. E descobri, com o tempo, que é uma das verdades mais certas que posso ter.
Há que saber viver com isso...e um dia, saberei!!
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Um dia...
Um dia, todos os meus sonhos vão ser reais, por muito que tenham que ser ajustados a mudanças.
Um dia, todas as vitórias serão minhas, porque as sonhei, porque as conquistei.
Um dia, todas as tristezas deixarão de fazer parte do meu dia-a-dia.
Um dia, todas as memórias vão deixar de pesar no peito.
Um dia, vou saber sorrir, ao levantar-me e manter esse sorriso ao deitar-me.
Um dia, o sol vai entrar-me pela janela e eu vou cumprimentá-lo com a melhor definição de alegria que possa existir.
Um dia, vou voltar a ter a força suficiente para enfrentar o que me atormenta.
Um dia, a chuva não me vai molhar, simplesmente. Vai lavar-me a alma e fazer-me sentir viva.
Um dia, as nuvens vão sair da frente da luz.Um dia, todas as palavras vão soltar-se e deixar de pertencer ao tempo para me pertencer a mim...
...Um dia...VOU SER FELIZ!! =)
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Everytime
Embora, cada vez que oiça esta música sinta que não são precisas mais palavras, a verdade é que não posso deixar de escrevê-las, às que aparecem de rompante na minha mente e no meu coração.
Porque há pouquíssimo tempo (pequeno demais para que me possa habituar), tudo era diferente, tudo era tão mais bonito, tudo era tão mais fácil de encarar.
Porque por muito que tantos me digam, com alguma razão, por certo, que "é melhor assim", não posso crer que seja melhor quando me magoa tanto...
Porque cada dia que amanhece é mais difícil que o anterior, porque o tempo não passa, porque só consigo sorrir quando aquele alguém me dá um sinal de que nada foi em vão, de que dói tanto naquele coração como dói no meu, porque quando nos olhamos ainda tenho que conter a lágrima que vejo querer surgir naqueles olhos...
Porque, porque, porque...
Tantos porquês e ainda não consigo encontrar a razão para tudo ter ficado preso assim, por fios de côco e fios de algodão...
Cada vez que fecho os olhos consigo ler, nos lábios que amei com os meus, as palavras que doeram e as palavras que ficaram...
Cada vez que adormeço, fito a última imagem que aparece na minha memória, o beijo que trocámos, o beijo que me faz falta todos os dias...o abraço que me acalmou em noites turbulentas, o amor que me alimentou a cada momento da vida que agora sinto parada...
Porque sinto a falta deste amor...
sábado, 30 de agosto de 2008
Voltar atrás
Hoje não acordei com um sorriso nos lábios, com aquele impulso de correr para ti.
Não vi no dia a clareza que via, não senti senão um peso imenso que me impediu de querer sair da cama.
Os olhos não tardaram a inundar-se, tornando tudo à minha frente numa névoa...
Hoje, olhei-me ao espelho e vi que não consigo gostar do que vejo. Nada tem o mesmo sentido, nada tem o mesmo valor.
Queria perceber. Mas talvez não haja nada para perceber.
Não quero dormir, porque sei que os sonhos voltam, tão reais, para me arrancar o descanso. Já não tenho vontade de pensar no futuro porque não lhe encontro caminho.
Qualquer razão que tenha havido para que tudo se perdesse, eu não conheço. Não sei lutar sobre o vazio, porque não tenho armas para o que desconheço.
E ninguém sabe, ninguém pode saber, o quanto sinto pequeno o meu coração, o quão apertado sinto o peito...
Não consigo escrever com o coração, como me disseram, não consigo escrever nem pensar com nitidez...
Falta-me algo dentro de mim e queria saber, de uma vez por todas, saber lidar com isso, seguir em frente. Mas algo me prende...
Falta-me a coragem para continuar a acreditar com a mesma força, ou para deixar de acreditar de uma vez por todas.
Estou presa aqui, em mim, sem saber quem sou, sem saber reagir.
Quero gritar, mas estou demasiado cansada para isso.
Quero fugir, mas as pernas não me deixam.
O meu coração, de tão pequeno, ainda não perdeu a habilidade (como a detesto) de controlar todo o meu ser.
Se me deixar ficar, vou definhar. Já o sinto.
Mas não sei se quero partir...
Queria, realmente, entender...ou simplesmente, voltar atrás...
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Ainda...
sábado, 23 de agosto de 2008
Quando a chuva passar
Partilhando o que não é suposto...já escrevi e apaguei os paragrafos que me foram saindo por mais que uma vez. Parece-me que as palavras que escrevo não acompanham a força que esta música tem.
Podia explicar o porquê da minha escolha mas, perdoem-me, não vou fazê-lo. Vou guardar todas as razões pra mim.
Pesa-me contá-las, tal como me pesa (por vezes) lembrá-las. E nem sequer me parece relevante.
Para falar a verdade...parece-me muito pouco provável que alguém consiga ouvir esta música sem sentir um friozinho no estômago, sem se lembrar de algo ou de alguém, sem se perder em momentos. Estou errada? Perdoem-me se estiver e perdoem-me também a pretenção de achar que não...
As vezes que ouvi esta música, todas elas me fizeram voltar atrás num tempo que nem sempre me parece correctamente ordenado.
Não considero, tão pouco que seja absolutamente necessário dicertar muito sobre ela. Tenho a certeza que em cada mente e em cada coração se (re)constrói toda uma história e falar sobre a minha só poderia ser egoísmo.
Então, vou saber lembrar-me de quem me fez viver toda uma vida nos poucos minutos que Ivete canta "quando a chuva passar"...
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Segredos
Chega-te a mim, bem pertinho...
Deixa-me encostar ao teu ouvido os meus lábios, de tal forma que sintas um arrepio levezinho em todo o corpo com o meu sussurrar, com o sopro das minhas palavras a percorrerem-te...
Encosta o teu pescoço ao meu...
Quero dizer-te um segredo!
Podia gritá-lo, ouvi-lo-ias à mesma, mas quero que seja só nosso: teu e meu...
Chega-te, devagarinho, para ninguém notar...
Quero murmurar palavras que não se percam pelo caminho, que saiam de mim directamente para ti...
Podia dizer-te o que quero dizer de qualquer outra forma...com a imensidão de hipóteses que existem...mas não seria a mesma coisa.
Para além do medo de que alguma palavra, alguma entuação própria do que te quero dizer se perca no caminho, não poderia ter o mesmo efeito. Que seria da intimidade de um segredo só nosso??
Vem deitar-te juntinho a mim, chega a tua cara à minha, aproxima-te com jeitinho da minha boca, para que possas sentir o movimento dos meus lábios roçarem a tua orelha...
Talvez já saibas mesmo o que te quero dizer! Não faço questão de que seja uma notícia, uma novidade. Pode perfeitamente ser uma "novidade velha"...só faço questão de que seja nossa, todinha e unicamente nossa.
Será como selar um pacto, um acordo, uma união que nada quebra. É o nosso segredo...
Gosto de segredar coisas bonitas e ver a luz dançar nos teus olhos. Sabes bem o efeito que isso tem em mim. Sabes sorrir da maneira correcta no momento exacto. Sabes quando penetrar em mim com essa expressão de quem sente o que digo da forma mais única que se possa imaginar.
Gosto que todos os teus pelos se levantem ao som dos meus sopros, ao ritmo do arrepio que percorre o teu e o meu corpo.
Basta um segredo...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Como vai você?
Há musicas que, pelo menos para mim (e peço desculpa pela ousadia da generalização), permanecem...
"Como vai você...?"
Todas as perguntas, todas as palavras, todos os segundos...é fácil pensar em alguém quando se ouve uma música assim...ou não será?
Fico pousada em momentos de nostalgia e consigo sentir até os cheiros daqueles momentos que me passam agora pelos cantos da memória.
Que fácil se torna lembrar as lágrimas da saudade que brotaram tanta vez dos meus olhos, as lágrimas de mágoas mal curadas, as lágrimas de desejos, as lágrimas de amor, as lágrimas de angústia, de solidão, de dúvida...
Às vezes ainda aparecem, para me recordar das noites em claro, da companhia de fotografias que desejei tanta vez que ganhassem vida...para me recordar daqueles que nunca esqueço...
Vem...
Quis, tanta vez, poder implorar que viesse, a razão das minhas lágrimas, consolar todas as minhas mágoas...
Hoje, continuo a sentir cada nota desta melodia, cada arrepio na espinha, continuo a ficar presa em nós no estômago e em tremores de queixo, de quem adivinha que o sal está prestes a rebentar...
Hoje, ao lembrar aqueles momentos, ao lembrar aquele sofrer miudinho de amores que nascem, como se de uma criança eu me tratasse, é bem verdade que queria apenas saber "como vai você"...
É impressionante, com o passar dos anos, a forma como se manteve sempre esta luzinha dentro do meu coração. É saudade, com certeza. É saudade de quem me soube acarinhar e magoar em momentos tão distintos e tão próximos, ainda assim...
Como estará o coração de quem me amou, de quem me soube despertar quando a apatia me roubava os dias?
Como será possível que o tempo nos tenha realmente afastado?
Como é que as memórias se tornaram nisso apenas? Memórias...
Que é dos sorrisos inocentes e das gargalhadas que me faziam ficar com nervoso miudinho, quando olhava naqueles olhos?
Era tudo bem mais simples...mas, de resto, achamos sempre que os tempos que passaram são mais fáceis que os que agora nos detêm...
Agora, com os sentimentos mudados, com os pensamentos limados e com corpo e mente bem mais crescidos, sinto falta do carinho que era só mesmo carinho, do desejo que os beijos matavam mas não apagavam e voltava sempre, segundos depois...
Agora, que o vento que me bate na cara já só revolta esta saudade, este "bichinho" que é a nostalgia, queria ficar sentada na areia e ver as ondas levarem todos os porquês que o tempo não soube acompanhar...
Agora, que a paz me falta e a distância me perturba, "eu só preciso saber, como vai você?"
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Medo
Tenho medo que o tempo corra sem que eu o consiga agarrar ou, pelo menos, acompanhar...
Tenho medo que a vida passe por mim e eu não saiba sorrir-lhe no timing perfeito...
Tenho medo de não ter a coragem de bater à porta fechada, só para não incomodar...
Tenho medo que o lume se apague por eu me deixar vencer pela apatia, em frente a ele...
Tenho medo de não saltar, só para não partir a corda que tenho debaixo dos pés...
Tenho, sobretudo, medo de perder a grande força a que me agarro quando as nuvens são cinentas e a luz não é suficiente para que eu siga o meu caminho.
Mas, entretanto, vou tendo medo "aos bocadinhos", porque estás comigo, porque me fazes sorrir e achar, realmente, que vai ficar tudo bem!
E sabes que mais?? Vai mesmo, pelo menos, enquanto estiveres por perto...
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Entra!
Entra!
Não batas à porta! Isso dá-te um ar tão formal, tão discreto e, sobretudo, tão pouco íntimo que mal te reconheço!
Não faças cerimónias! Nunca fomos disso, pelo menos um com o outro!
Entra!
Os passos não custam! Entra e acende as luzes por todo o lado onde passares. Hei-de estar nalgum lado, não ficas sozinho!!
Entra!
Faz um café, descalça-te...põe-te à-vontade! É assim que nós somos, ou não é?
Entra!
Esquece-te de ficar meias horas a gastar o tempo e a cultivar memórias enquanto esfregas as solas nos tapetes! Esquece-te de que existem campaínhas! Esquece-te das maneiras e dos requintes!
Entra!
Fica sentado no sofá ou no chão, se te apetecer, não fiques em pé!
Entra!
O tempo urge, e as esperas são inúteis!
Entra!
Procura o teu canto, deixa as tuas coisas e, se quiseres, muda-te de maas e bagagens!
Entra!
O meu chão está limpo de preconceitos, de vazios e de espaços em branco!
Entra!
Este tecto também é teu, e se chover, vai proteger-te!
Entra!
Não me chames, não vale a pena...seja a que horas for, estou à tua espera, vou saber sentir-te chegar...
Entra!
Faz o que quiseres, pensa o que te aprouver, mas entra...
E já agora...fica!
Porque esta não é uma casa...é o meu coração
páginas...
O tempo passa e destrói tudo o que é material, mas essa página, por mais que ardam lumes revoltos, por mais que caiam chuvas tempestuosas, não se deixa abalar. Está intacta, como se estivesse guardada, desde sempre, num cofre que ninguém poderia saber abrir, que nada consegue destruir, que nada consegue apagar.
Está intacta e nova, como se a tivesse acabado de escrever, ainda agora.
E ainda que não te possa chegar, que não te possa tocar, posso abraçar essa folha, posso beijá-la e manchá-la com o sal das minhas lágrimas. Não é questionável: é imortal.
Não lhe conheço o cheiro, como conheço o teu; nem lhe traço as vontades. Mas refugio-me nela quando te quero perto.
Nem sequer sei de que material é feita, nem de que tinta foram escritas aquelas palavras mas sei que é dedicada a ti. E era a ti que eu queria, acima de tudo, ter perto de mim.
Queria-te a ti, bem mais que àquela página. Mas não és tão indestrutível.
És mais irreverente e nem sempre sei lidar com esse “ir e vir” que te consome.
Estás dentro de mim, porque faço questão de deixar um pedaço teu em tudo o que me rodeia, como se fossem gotas de um perfume raro.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Gosto dele =)
A luz é ténue, mas conheço estes degraus como se a minha vida fosse feita de subi-los e desce-los. Sem esforço.
Dentro da barriga, tenho milhões de borboletas, batendo as asas insistentemente e a uma velocidade inconctrolável que me faz cócegas. Dentro do peito, o meu coração está equiparado a um tambor que rufa a um volume tal, que acho mesmo que qualquer pessoa pode ouvi-lo, sem sequer encostar o ouvido ao meu peito.
E, apesar de, lá fora, as temperaturas serem, apenas, amenas, não contenho o calor que me faz suar com o nervosismo.
Não é a primeira vez que vou ter com ele. Aliás, não poderia, por mais que quisesse, saber, a numeração desta vez. Já foram tantas!...mas que importa? É assim de cada vez...
Dentro do meu pensamento, estão descritas imensas sensações. O sorriso, os olhos verdes, a pele macia, onde gosto de descansar...
Gosto de ouvir o som do coração dele, a diferentes ritmos, quando enconto a cabeça no seu peito.
Gosto de me perder nas gargalhadas dele, quando brinca com o meu cabelo.
Gosto de contar os passos dele, ao meu lado.
Gosto de vê-lo dormir, como se só descansasse por estar ao meu lado.
Gosto de dançar ao ritmo que as mãos dele impõem, pousadas na minha cintura.
Gosto quando ele me diz que "estás cheia de mimo".
Gosto de estar cheia de mimo, e de, entre críticas leves e "resmunguices" disfarçadas, ele me vai mimando...
Ponho o carro a trabalhar. O cheirinho dele ainda lá está, cravado nos bancos, no ar...não quero que saia.
Conto os segundos, os metros e sorrio, ao esperar que ele saia para a rua, ao meu encontro.
É assim que gosto dele, que gosto de nós.
E é por isso que preciso de controlar o sorriso que me invade ao descer as escadas, se não quiser denunciar, até às pedras do chão, a influência que o amor dele tem em mim!!
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
nós
Sempre existi com a certeza de que estavas por perto. E, quando assim era, não fazia mal a confusão, não havia medo.
Segui mil caminhos em silência, guiada pelo teu sorriso.
Esqueci e lembrei mil proezas nossas, em sonhos.
Mas sabia que, acontecesse o que acontecesse, tu estavas lá. Sem margem de erro,
Como fica alguém que não teme nada, que tem uma certeza que vinga acima da sua própria existência quando essa certeza se torna na sua maior dúvida? Perdida?? Então, perdida estarei!
Eras a minha calma, a única pessoa que sabia conhecer o meu coração, mesmo nos momentos em que impus, a todas as minhas forças, que o camuflassem.
Eras o único que lidava comigo sem pressas, sem cansaço, sem armas. O único que segurava na minha mão e penetrava nos meus sentidos, despido de manhas e orgulhos, só à procura de um sorriso.
Eras a minha fuga, sem que eu própria tivesse a mais pequena consciência disso.
Mas ninguém pode exigir ao tempo que volte para trás.
Sabias ver em mim o que mais ninguém via; sabias descobrir o que mais ninguém procurava e, sobretudo, tiveste, como mais ninguém, a capacidade de me fazer sentir amada.
Nunca poderei esquecer os momentos em que o fizeste, tão bem.
Há coisas que só podemos compreender com o tempo e até com a idade. E não as soube compeender...
Acho que, para ser sincera, tinha medo de perceber que era amor...apesar de teres estado sempre para me dar segurança.
Fizeste-me acreditar, com o passar dos anos, que seria sempre assim. Mas não foi. Nem eu devia ter acreditado, como acreditei, que um amor assim, o primeiro amor, poderia ter força para superar até o tempo.
Só que, quando finalmente chegou o momento do teu coração seguir outro caminho, o meu coração acordou...e agora, não há certeza, nem segurança, nem...amor.
Disseste-me, diversas vezes, que para dizer o que eu significava para ti, "só se o coração falasse". Não imaginas o quanto eu gostava que o meu coração falasse. E não imaginas, também, o quanto precisava de conseguir ouvir o teu.
Onde, em que momento da nossa história perdeu tudo o sentido para ti?
O tudo que eu fui, é o nada que me sinto e isso doi cá dentro.
Tanto que prometemos um ao outro...
Queria, só por um momento, voltar a ver o mesmo olhar em ti, o mesmo sorriso, de sentir o mesmo abraço que só tu me davas.
Queria-te de novo, a dar-me o colo que me fazia, sinceramente, acreditar em nós.
Um nós que, agora, me parece que nunca existiu...
quinta-feira, 24 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
The reason...my reason =)
There's many things I wish I didn't do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know
I found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
AND THE REASON IS YOU
I'm sorry that I hurt you
It's something I must live with every day
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
and be the one who catches all you tears
That's why I need you to hear
I found a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over ney
AND THE REASON IS YOU (4x)
I'm not a perfect person
I never meant to do those things to you
And so I haver to say before I go
That I just want you to know
I found a reason for me
To cahnge who I used to be
A reason to start over new
AND THE REASON IS YOU
I found a reason to show
A side of me you didn't know
A reason for al that I do
AND THE REASON IS YOU....
Foste a minha razão como eu fui a tua...para tanto mais do que pensámos...hoje apercebo-me do sentido que faz esta música que sempre me fez chorar ao lembrar-te...fazes sentido...comigo.
terça-feira, 15 de julho de 2008
Pensamentos
Lá, o sol é rei: reflecte-se nos nosos olhos e brilha através deles.
Houve um tempo em que não sabíamos senão as palavras. Hoje é a elas que não conhecemos!
Quando nos encontramos, há algo que inexplicavelmente nos faz viajar no tempo, regressar a tu e eu. Mas não da maneira que eu, secretamente, gostava. Nem sempre regressamos a quem fomos.
Sempre achei que eramos um do outro, que o teu coração seria, como sempre disseste, meu. Que era a mim que pertencias, não importa o que fosse acontecendo enquanto não nos reencontrassemos.
Achei que saberias sempre que era o teu olhar que nos unia, que eram os momentos de romantismo levado ao extremo que me faziam não te largar nunca, de vez, pelo menos.
E que, no fundo e no fim, estaríamos sempre certos de que tínhamos o mais imortante: eramos o amor da vida um do outro.
Fui burra, achei demais. Pensei demais. Esperei demais. Esqueci demais.
O tempo passou e nunca me dei conta de que esse lugar, só nosso, onde estamos sempre que nos juntamos, foi ficando cada vez mais longe, mais difícil de chegar e, sobretudo, muito mais pequenino do que fora, outrora.
O que será que me fez "deixar-te partir", deixar tudo o que sempre me deste passar-me ao lado, como se de indiferença se tratasse...?
Achei, realmente, que nunca te perderia, como tu não me perderias a mim...Achei que sabias disso.
Mais uma vez, deixei que o meu achar fosse a minha realidade e esqueci-me que poderia não ser a tua.
Deixei-me embrulhar em pensamentos idiotas de que se fosse sempre como tinha sido, quando nos conhecemos, se mantesse a "postura" e a rigidez, estarias sempre pronto a lutar, a dar mais, mais e mais...onde estava com a cabeça?
Hoje, leio as palavras que me escreveste, escuto as palavras que disseste, recordo os beijos que me deste, lembro-me de ti, como eras, como queria que continuasses a ser! Mesmo que tanta vez tenha desejado que mudasses.
Não aceito perder-te. Ao teu coração.
Durante todo o tempo que passou, fui aprendendo a achar que era tudo uma questão de tempo entre nós. Antes, terias sido a tu a achar tudo isto, que acho agora, que me acorda a meio da noite...e que se alimenta dos momentos que continuamos a manter, a recordar e,l sobretudo, dos momentos que vamos acrescentando ao livro das nossas memórias.
Hoje, sinto que não faz sentido aumentá-lo, porque sinto que haverá um dia em que será inevitável terminá-lo, fechá-lo....algo que nunca sequer ponderei.
Todos acreditam em nós. Às vezes, quase acho que tu também acreditas. Pois eu não sei.
Mudei tanto e tu mudaste ainda mais. Aproximei-me e, no entanto, tu afastaste-te. Procuras-me por momentos, quando me procuravas por eternidades; vês-me partir com segurança, quando choravas a cada passo meu. Não te conheço e, no entanto, quando estamos juntos, no nosso lugar, só nosso, reconheço-te ao pormenor.
Estás distante e tão perto, estás seguro dentro de mim sem sequer entrares no meu ser; estás tão ciente de n´so como absorto de mim...
Onde estás? Preciso de ti!
Hoje
Hoje não vou deixar que o sol se ponha sem ver nos teus olhos o seu brilho.
Hoje não vou pegar na tua mão e guardá-la dentro da minha. Vou olhar-te nos olhos e lembrar-te do que nos une.
Hoje vou beijar-te os olhos verdes e roçar no teu o meu nariz; encostar a minha testa à tua e trocar palavras em silêncio, que só nós saberemos ouvir.
Hoje, não é um data especial, mas é mais um dia a comemorar...estamos juntos.
Hoje, o teu sorriso vai ser o meu.
Hoje, vamos passear de mão dada, sem pensar em mais nada; vamos olhar-nos em segredo e amar cada pedaço de nós.
Hoje, quando me disseres que me amas, vou abraçar-te bem forte contra o peito, para que saibas que é lá que te trago.
Hoje, sem demoras nem desculpas, vou sair de casa directamente para junto de ti. Vou esperar-te o tempo que for preciso, só para te poder sorrir...
Porque hoje acordei com um sorriso nos lábios. Soube-me feliz porque estás comigo. Estarás sempre...e hoje seremos um só
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Limpei-as, mas voltaram a cair, era inútil...
Estava frio e no entanto não tremeste, nem por um momento. Estavas apático e, no entanto, eu sabia da tua revolta. Peguei te na mão, passei os dedos nos teu braço e pousei-a, finalmente, na tua perna...não te moveste, nem por um segundo. Pelo menos, não para mim. Não queria sair de junto de ti, mas há momentos que são feitos para estarmos com determinadas pessoas...eu não era parte delas.
Incrivelmente, por momentos, quase me convenci de que era...talvez porque, nesses momentos, eu desejei sê-lo.
Ver-te ali, longe do meu alcance, mas debaixo do meu olhar, a sofrer, fez-me chorar também.
Foste tanto para mim, durante tanto tempo...fui tanto mais para ti, ainda...e, no entanto, hoje não consegui chegar a ti! Não te soube falar, não te soube chegar, não te soube consolar...
Quis que chorasses no meu ombro, mas alguma barreira que nunca existira antes não deixou.
O tempo passou e já levou tanto do que foi...mas, nestas alturas, somos nós dois de novo...és tu comigo, sou eu contigo...sempre! Como se o tempo não tivesse passado. Ou melhor, como se o tempo tivesse passado mas estivessemos estado sempre juntos...e não sei porque assim é...
"Estais ambos insensivelmente, irremediavelmente, fatalmente caminhando um para o outro"...
Num livro famoso, está esta frase, sobre dois amantes... A mim, disseram-ma sobre nós...
E tu, dizes, sem hesitar, que vamos casar. Vamos? Eu gosto quando dizes que sim, gosto de acreditar e de sorrir quando o dizes!
E "sempre, pra sempre, vou gostar de ti"
domingo, 6 de julho de 2008
Noite em mim...
É de noite e não há estrelas.
Está escura e sóbria, esta noite. Quase assustadora.
Mas já devia ter nascido o dia, pelas minhas contas! Ou não?
Está de noite há tanto tempo!
Não tenho sono. O peso da angústia levou-o.
Acho que a noite - uma noite escura e longa como esta, pelo menos - está a trazer-me pensamentos difíceis e muito pouco desejáveis. Mas não tenho como controlar a sua chegada!
Quero encontrar uma luz que me guie minimamente, mas não estou a conseguir. E à medida que vou procurando e falhando nesta busca, vou perdendo a força e a vontade.
Agora, vou só sentar-me no escuro desta noite e esperar que amanheça.
Olho para nada; oiço coisa nenhuma. O tempo não passa.
Talvez seja eu que esteja presa no tempo. Mas não estou, não posso estar. Porque sinto que, enquanto estou presa neste brio, nesta noite negra, muita luz está espalhada por aí. Muita vida acontece. Mas não aqui, não para mim. E, para ser sincera, por momentos quase prefiroque assim seja! Se me lembrar das minhas últimas memórias, sim...sem dúvida, prefiro que a noite me envolva, sem mais nada, e fique assim, enquanto a vida me passa ao lado.
Mas...
Afinal parece que o tempo não parou de todo. Os primeiros raios de sol estão aí.
Acho que não tenho o poder de decidir o que quero da vida.
Estou aqui.
Quieta...à espera que novos acontecimentos me façam mover...se não tiver outra escolha, de resto...
Fotografia
Vi o teu olhar, o teu sorriso inconfundível, reconheci-te...e no entanto não estavas lá. Não te pude tocar, não te pude chegar perto, mas estavas mesmo ali, e prendeste-me o olhar e soltaste-me as lágrimas.
Não esperava, mas vi-te! Estavas perto... e tão longe!
Mas não eras tu!
O coração quase me parou, sabes?
Estanquei, imóvel e apática, a fixar-te...a desejar, secretamente, que me levasses, que pudesse ir para junto de ti.
Estavas perto, tão perto...mas não foi a ti que vi...
Revi o momento da despedida, naquele mesmo local, com uma vivacidade, com uma nitidez que eu própria não sabia existir nas minhas capacidades. Lembrei-me da frieza que não estava presente ali, agora.
Estavas tão lindo, hoje...
Acabei por reparar que me olharam, naquela apatia demorada que se me estampou no rosto, com lágrimas iguais às minhas...porque te viram, sim...mas principalmente porque me viram hipnotisada p'la tua "presença" surpreendente, pelo menos desta forma.
"Queres ir ao pé dele?"
- Não...hoje não. Quero ir embora, quero sair daqui...
De quaquer modo, é a tua última morada, sei que estarás lá, com o mesmo sorriso e o mesmo olhar à minha espera, ainda que não sejas tu.
Porque hoje vi-te...e não eras tu.
Quando vim embora, sem sequer olhar para trás, ficas-te lá, no mesmo sítio.
Em cima da lápide fria e cinzenta, cravada de flores que não a tornam menos sóbria, está estampada a tua fotografia, num momento em que estavas, como sempre estiveste, perto de mim.
Então foi isso!! Hoje vi-te....mas não te vi. Não a ti...mas à tua fotografia...
segunda-feira, 30 de junho de 2008
You raise me up
When troubles come and my heart burdened be;
Then, I am still and wait here in the silence,
Until you come and sit awhile with me.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.
There is no life - no life without its hunger;
Each restless heart beats so imperfectly;
But when you come and I am filled with wonder,
Sometimes, I think I glimpse eternity.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.
You raise me up, so I can stand on mountains;
You raise me up, to walk on stormy seas;
I am strong, when I am on your shoulders;
You raise me up... To more than I can be.
You raise me up... To more than I can be.
Acho, muito sinceramente, que esta era a melhor homenagem que te podia fazer, hoje, dia do teu 24º aniversário. Porque esta é a letra perfeita para retratar aquela que era e que será sempre a nossa amizade...a mais pura!
Podia dizer milhões de coisas...as palavras não mudam nem transmitem, com a nitidez que gostaria, pelo menso, o que sinto hoje, por não te poder abraçar e dizer que te adoro, que és a minha grande força, como foste sempre e que revivo vezes sem conta todos os momentos que vivemos juntos (inclusivé o momento final, que nunca deixará de me assaltar a meio da noite), na esperança de te trazer mais perto do que, na realidade, posso...
O teu sorriso, não o posso trazer de volta. Mas, se a tua família, os que te viram nascer têm a força para te lembrar com um sorriso (mais do que eu própria), então, hoje, eu também saberei fazê-lo, por muito que, cá dentro, tenha o coração dilacerado com a falta que me fazes a cada momento que passa.
Queria dizer-te imensas coisas, mostrar-te o quão importante és para mim...mesmo sabendo que, aí do alto, tu sabes de tudo o que sinto.
Sempre viste em mim mais do que eu própria, acreditaste mais do que eu própria e sorriste sempre, sempre...mesmo quando os momentos magoavam. Mostraste-me sempre o melhor caminho, com palavras si9mples e doces, tal como tu próprio o eras.
Queria, apenas por um momento, sentir de novo a tua face, sentir o vento bater-te nos cabelos longos. Queria estar junto a ti, pertinho como sempre estivemos. Queria abraçar-te!
E não posso. Não consigo, por mais que me esforce. Tento e não consigo...
Queria poder sentir o toque da ponta dos teus dedos no meu cabelo e ouvir-te dizer, como fizeste sempre, que está tudo bem. Mesmo sabendo que não está e não estará mais, porque não estás comigo. Queria agarrar o passado e poder mantê-lo junto ao peito...
Sinto que te arrancaram de mim, que te roubaram da minha vida, tal como senti no dia em que te beijei a testa (como fazias senpre comigo) e te toquei o rosto frio.
Mas hoje, no dia do teu aniversário, eu vou saber deixar cair as lágrimas, sim, mas vou lembrar o teu sorriso e a tua alegria que tanta falta me faz...
Hoje, vou dar-te os parabéns em silêncio e beijar-te nos sonhos, como fazia quando estavas presente...
Vou deixar-me levar pelo som da tua voz e estar lá, em mais uma homenagem, esperando que me oiças e me vejas, me protejas e me ames como sempre...
Masi uma vez, é em ti que confio para que as forças não me faltem...
"You raise me up"...ontem, hoje e sempre...
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Querer...
Tenho tudo e não tenho nada.
Estou feliz e, ainda, miserável...É detestável pensar assim, quase como se tivesse pena de mim, mas não tenho.
Cada gota de chuva me quima a pele; cada raio de sol esfria a minha alma; cada noite me fere a vista...
Desde que te tenho é assim...e sempre que te perco é pior! Bem pior, por sinal.
Sei que sentes cada palavra que não digo e sofremos juntos torna a dor tão mais suportável que, perto de ti, quase me esqueço!
Apetece-me passear na praia e proibir as ondas de apagar as nossas pegadas...quase como se achasse que isso nos manterá juntos para sempre! Como se isso fosse possível!
Utopias, é o que é...
Habituei-me a ler no teu sorriso as palavras que não dizes! E não têm menos valor, posso assegurar-te. São doces, são ternas...e são só nossas!
Tenho vontade de me rir só de me lembrar das parvoíces, das brincadeiras que são tuas e minhas e não deixam de o ser!
Quero de volta os minutos que passamos juntos, assim que saio de perto do teu ombro.
Quero o sabor do teu beijo, que me roubas entre conversas e provocações...
Quero o cheiro do teu pescoço que trago junto ao queixo quando me abraças...
Quero a voz das palavras que me dizes com um sorriso, enquando me proteges do mundo lá fora.
Tenho medo do teu medo e pavor do teu pavor...e quero te!
Porque tu és o meu querer e queres me com a mesma força...
Porto de Abrigo...
Custa-me respirar!
Porque será que fui atirada para dentro de uma redoma, como se não tivesse um sistema imunitário que me permitisse vaguear ou simplesmente respirar??
Porque será que se meteu na cabeça desta gente que me rodeia que é aqui que pertenço??
Não estou - ainda - a sufocar. E até sei porquê! Porque duas ou três pessoas, as que realmente importam (felizmente), apesar de não todas as que importam (infelizmente) se dedicaram inteiramente a fazer pequenos buracos neste "tecto" que me cobre e me faz suar...do calor e do esforço...
Portanto estou metida numa estufa, como se fosse frágil o suficiente para me quebrar, caso contrário...
E, no entanto, quando te vejo e te oiço, é como se, de um só gesto, tirasses plásticos e tudo o mais que me cincunda e me desses de novo o ar puro de que preciso para viver!
segunda-feira, 16 de junho de 2008
É impossível ouvir-te mas, mesmo assim, eu oiço.
Não sei o que me dizes, não sei e não interessa. Reconheceria a tua voz em qualquer lugar, em qualquer momento.
Em cada canto desta cidade há uma recordação tua. Posso rever cada momento, cada palavra, cada sorriso. Sei que estás, ou melhor, estamos, um pouco de nós, preso e espalhado pelas pedras do chão que pisámos, a pairar no ar que nos abraçou, a descansar nos bancos que sentámos...
O teu sorriso, ainda o vejo, o teu cheiro ainda o sinto, como se estivesses, ainda, aqui, bem junto de mim. Quem me dera que assim fosse! Mas não estás...
Ontem à noite quis dormir, mas o sono não veio...teria vindo, com certeza, se estivesses...mas não estavas e o sono não veio.
Fiquei quieta, sem ouvir um único som, a lembrar-me de ti. Dos teus olhos, do teu sorriso, do teu cabelo, das tuas mãos, do teu cheiro, do teu som, do teu jeitinho de ser...de ti, simlpesmente.
As saudades não foram embora, e o sono não veio. Eis a minha noite, quando não estás.
Sinto falta do teu abraço. É impossível não sentir. Quando me abraçavas, sentia-me como se nada no mundo inteiro fosse tão poderoso...como se estivesse protegida de todos os males. Não sei se estava...que importa? Era assim que me sentia!
Ainda estás presente em mim, todos os dias. Não sei se algum dia deixei que assim não fosse...não sei se algum dia vou querer que assim não seja!
Pergunto-me vezes sem conta (e não consigo ter resposta...)... será que te lembras assim de mim, como me lembro de ti?
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Memórias...
As pessoas são as mesmas e não as reconheço, também. Não tinha porque as reconhecer, mas faz-me pensar o quanto posso ter andando distraída todo este tempo.
Os sítios vão-se modificando, aos poucos, como eu também, mas por breves instantes, sinto-me como se não tivesse acompanhado essas transformações.
Já na minha infância as ruas eram as mesmas que percorria e consigo lembrar-me de como mudei enquanto pessoa ao longo dos tempos, consigo lembrar-me dos difrentes sentimentos que me foram acompanhando...mas não consigo deixar de me sentir, hoje, uma estranha, perdida em ruas que não conheço.
Como pode isto ser?
Como posso ter tido os olhos fechados aos pormenores que me rodeiam? Terei, com certeza, tido a atenção centrada em outros dados que me enchem a mente e o coração de memórias a que, penso, sou capaz de recorrer, ainda! - será?!
Paro em frente ao jardim que foi tanta vez o meu abrigo e reparo, pela primeira vez - se a memória não trai - no quanto é bonito, e no quanto me parece diferente em tantas alturas que lá passei.
Engraçado, quase consigo rever todos os momentos em sépia, demosntrando o quanto são "velhos", por mais que não tenham acontecido há mais que alguns meses...e apercebo-me: é grande o poder dos sentimentos que rebobina a mente e mistura cronologias consoante a importância dos momentos.
Quero sentir de novo a chuva a esorrer-me a pele, tal e qual como no dia em que senti o abraço de alguém especial que não esqueço.
Quero sentir a brisa que senti quando lhe chamei "pitxukinha" pela primeira vez, a quem sempre esteve comigo, mesmo nos momentos em que mais ninguém esteve.
Quero voltar a sentir o calor do pico do verão enquanto vi o fogo de artíficio com ele pela primeira vez e cruzámos o olhar.
Quero correr com a "minha Pió", dos meus três anos.
Quero sentir o coração bater mais rápido e dizer que "sim, aceito" repetidamente, até me faltar o ar.
Quero...
Quero o passado repetido constantemente a cada novo dia que passa, para poder ter perto tudo o que me fugiu e abraçar tudo o que escapou.
Quero recuperar o tempo que agora se chama "memórias" mas não posso...
Talvez seja isso mesmo que me faz vincar cada pormenor, hoje...tenho medo de querer e não conseguir mais lembrar-me...
.....
Desesperadamente, caminho, corro, mas não encontro o ar que preciso para não sufocar...
Como podes saber o cheiro de uma rosa que apareça na televisão? Como podes determinar o fim de algo que não tenha começado? Como podes cantar uma música que nunca tenhas ouvido? Como podes rejeitar o que não conheces?
Não sabes responder-me, não sabes explicar-me e, achas tu, não precisas. Porque, como se diz, quando não se tem a resposta na ponta (nem debaixo) da língua, "as coisas são mesmo assim".
Não, não são. São, se as fizeres assim, porque, caso contrário, cada cheiro, cada som, cada visão é, sem tirar nem pôr, uma surpresa que só podes conseguir se tentares.
Tive sonhos que não cabiam no coração. Hoje posso trazê-los, aos que me restam, fechados numa mão.
Tive ilusões que preenchiam o meu caminho. Hoje posso escrevê-los, aos que me restam, numa folha de pergaminho.
Tive medos que não passavam de intenções. Hoje não podia carregá-los, aos que chegaram, nem com dois corações.
As palavras podem, se quiseres, ser infinitas. Basta dizê-las, basta escrevê-las...basta, até, pensá-las. Mas uma vez ditas, escritas, pensadas...não há volta. Tal como a seta que lances. E lanças, tanta vez, essas setas que nem sempre acertam, mas que quase sempre ferem.
E, no dia mais comum, em que seguirei o meu caminho, ficarão marcadas as acções que tomaste e não as que, agora, gostarias de ter tomado.
Não posso mudar o passado mas posso escrever o futuro. Até tu sabes que é mais sábio o que se cala por não saber do que o que fala sem saber o que diz. E até tu sabes que ver a vida através de um vidro não é vivê-la...por muito que preferisses que fosse esse o meu papel.
Sem erros, soubeste chegar-me ao coração das formas mais doces e mais cruéis, como se tivesses feito, horas a fio, cálculos em papeis.
É quase como dizer "dói tanto e sabe tão bem...", porque és um doce quase malicioso.
Lembra-te, ao invés de me travares cada passo, que aqui ou do outro lado do mundo, no meio do tudo ou cheia de nada, o sol nasce, brilha e põe-se todos os dias. Contigo ou sem ti. Sempre e nunca.
O teu olhar dá-me respostas de perguntas que nunca fiz e, se me apetece abraçar-te, nem sequer quero tocar-te.
Estás em mim...dispo-me de ti...
"os cinco"...nós...
Espreito e estamos la todos! Os sorrisos e os olhares descontraídos não deixariam transpôr, a quem quer que fosse, aquilo que o tempo traria.
Quando o sol nascia, nascia o sorriso e as gargalhadas também não tardavam, porque estavamos juntos, todos nós. E sentiamos que não precisavamos de mais nada! Só úns dos outros. Protegiamo-nos, com meio metro de tamanho e um coração enorme, que mal nos cabia no peito.
As brincadeiras eram as mesmas, todos os dias e não nos cansávamos, porque eram uma infinidade delas, todos os dias. De princesas a dragões, de feiticeiros a mutantes, de cantoras a jogadores de futebol, de familias inteiras a crianças perdidas, de sonhos a fantasias...conseguiamos tranformar o mundo imaginário das brincadeiras em pura realidade, em que o tempo durava o que queríamos e o dia só se punha quando estavamos cansados ou quando a imaginação trazia à tona uma nova história.
Entre nós, o difícil era parar.
Os nossos "X-man", que revejo em filmes, agora, tinham magia em cada palavra, porque éramos nós, seríamos sempre nós e estariamos sempre juntos. Era tudo perfeito, até as pequenas zangas que não duravam mais de meia hora, mesmo quando jurávamos (quase nunca) que seriam eternas.
O cheiro doce dos olhares cúmplices, com o passar do tempo, não mudou. A distância nunca foi imensa, apesar de ser maior que a desejada, nesses tempos, e mesmo assim, quando nos juntávamos, o tempo dissolvia-se em promessas de mudar tudo isso.
Cinco...
Sempre fomos "os cinco" e mesmo quando os grupos se misturaram, se separaram, se trocaram, fomos sempre nós cinco, "os cinco" e achámos que ia ser assim para a eternidade.
Nós, as princesas, sempre protegidas, sempre trazidas com todos os cuidados, debaixo do ombro, eles, os duques, os fortes, os companheiros, os protectores, como nunca terei outros...
Nunca disse, nunca foi preciso...mas garanto que gritei, muitas vezes, dentro do peito, o quanto esses tempos, essas brincadeiras, essas memórias e essas vidas, que ainda viviamos, eram o meu pilar.
Quando o tempo passa, nem sempre é possível voltar atrás, nem sempre é possível remediar, porque o tempo não pára e não espera e, sobretudo, porque o tempo mostra, muitas vezes (vezes demais) o verdadeiro significado das palavras "tarde demais".
Nunca soubemos o verdadeiro sentido delas, porque estávamos juntos. E quando estávamos juntos, tudo era possível.
Quando fomos crescendo, os sentimentos misturaram-se...como teria que acontecer, provavelmente, porque era isso que a idade nos exigia, sem querer. As brincadeiras deixaram de ser reais e o real, às vezes, não parecia ser mais que uma brincadeira. Mas nunca, nunca deixámos que o que nos unia se desvanecesse.
Nunca antes tinha compreendido o porquê de se mostrar, todos os dias, o amor que une tempos, distâncias, memórias...o nosso amor, d' "os cinco".
Não quis nunca dizer adeus, nenhum de nós quis e, a verdade, é que já não tivemos tempo de dizer adeus àquele que soube sempre manter-nos juntos, manter-nos vivos, aquele que era o mais sábio e o mais inocente, o mais esperto e o mais brincalhão, o mais ponderado e o mais louco, o melhor amigo que todos nós podíamos e devíamos ter, para sempre...
Olho pelo buraco da fechadura e estás lá...olho e vejo-te...
Hoje, nós os quatro somos, juntos, um castelo de areia que a água insiste em derrubar, a quem faltam os pilares...a quem falta, literalmente, o quinto elemento.
Com o peso da falta que fazes, com o medo de que seja sempre assim, tento buscar a força de nós quatro, para tentar derrubar a porta que não se abre, a porta da fechadura por onde espreito.
E, então, de repente e como uma pontada no peito, percebo: o buraco da fechadura não é mais que a minha mente, o recreio...são só memórias!
P.S.: Este texto é dedicado aos cinco...e para todos nós, uma marca da saudade que ficou...
Tânia, Ricardo, Bruno (mano)...vocês três manterão sempre, comigo, um pouco d'os cinco vivos...Luís, estás em todos e em cada um de nós...serás sempre o nosso "Wolverine", o irmão que nos falta e o anjo que "ganhámos"...
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Espera...

Vou esperar que a porta se abra e rebente as trancas que a seguram;
Vou esperar que o vento sopre com mais força e me leve os medos;
Vou esperar que os porquês se desvaneçam no sal das lágrimas que vou deixar cair;
Vou esperar que o sorriso nasça, por entre feridas saradas à força.
Não vou mover-me para não ter que sentir o peso das pernas cansadas e do olhar perturbado.
Não vou, porque não quero, não consigo, não posso.
Mas posso esperar e eis o que farei: vou sentar-me no parapeito da janela, encostar os cabelos ao vidro que me separa do sol quente lá de fora. Vou ficar acordada toda a noite, vou despir-me de lamúrias e esperar...só esperar!
Vou esperar sem pressas e sem impaciências.
Vou, acima de tudo, esperar, porque sei que vens.
E quando vieres, o vidro quebra, e estou lá fora; a porta abre-se, com certeza, porque o teu coração é mais forte que as trancas que me impõem; e as lágrimas já terão caído, quando vieres.
E sei que vens! Vens llimpar-me os olhos com beijos de mel e caiar as minhas paredes de sonhos coloridos. Vens libertar-me das prisões que criei em mim, dos medos que se acumulam e das frustrações que não vieram porque nem sequer tentei.
Vens...sabes porquê? Porque vais levar-me contigo! Vamos fugir, juntos, para a terra do nunca...vamos fugir para o outro lado do mundo, para outro mundo, se preciso.
- Vens? Vamos fugir?
- Sim, vou...vamos fugir! ...então espera-me, porque eu vou...
E eu sentei-me, no parapeito da janela, hoje...e esperei! E tu vieste...
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Amor...
Conheço-te o sorriso como se de sorrisos a nossa vida se tratasse. Mas não é bem assim.
Porém, desta vez, esquecemos que a realidade é dura e embrenhámo-nos em sonhos e utopias. O amor não é, não pode ser uma utopia...mas às vezes, se for tratado assim, é mais fácil, menos doloroso...e igualmente delicioso!
Sorriste e eu sorri também. É tão bom quando sorrimos os dois! O mundo fica melhor...
Como crianças, passámos do sorriso à gargalhada, como amantes trocámos olhares que só nós descodificamos, como cumplices trocámos frases e piadas que só nós conseguimos formular e descodificar.
Estás cravado em mim. Como uma tatuagem, como um ferro aquecido e encostado à pele. Estás, para não mais sair! E quando sorriste, foi bom pensar que assim é.
Li, nalgum, sítio, que o amor será sempre amor, por mais que assuma diferentes formas. Descansei ao lembrar-me disso. Quando sorriste, o teu amor não foi maior nem menor do que quando me olhaste, com ternura, dentro da alma. Mas estava estampado em todo o teu ser que esse amor não morre, por muito que possamos fugir ou nos queiram afastar dele.
Se olharmos para uma flor, acabada de plantar, ela está lá...pequenina, frágil, quebradiça, até...Cresce, fica mais forte, mais viva, mais imponente. E, quando o seu fim, um dia, estiver perto, ela está mais murcha, sem cor...mas será sempre uma flor, "a" flor...a nossa flor.
E tu, serás sempre "o" amor...o meu amor!
Por entre sois e luas, é como se cada sorriso estivesse escrito e traçado, como se, de tão espontâneo que parece, fosse algo inevitável e impossivel de fugir...
Não sei definir amor...perdoem-me os mais sábios, mas não sei...sei senti-lo, mas não explicá-lo...
Por o amor em papel não é tarefa fácil, mas por meio de analogias e de sentimentos, se conseguem proezas (nem sempre...).
Não sei, também, controlá-lo e não quero.
Porque sorriste!
E eu sorri contigo...
Porque quando sorrimos os dois, sabemos ser um só! Mesmo sem nos tocarmos.
E quando pronuncias o meu nome, quando sorris, tenho a certeza que tudo estremece dentro do meu coração!
domingo, 1 de junho de 2008
Quero escrever e não é fácil fazer sentido. Aliás, não é fácil respirar.
Sinto-me sinceramente a sufocar! Este espaço não me chega, esta gente não me chega e sobra-me, ao mesmo tempo...
Como se faz para sair do nosso próprio aconchego, quando as vozes que antes nos acalmavam, agora nos põem, literalmente, e como se costuma dizer, "os nervos em franja"...?
Como se faz quando onde antes estava o porto de abrigo, agora está o centro da tempestade?
Como se faz para optar entre "toda a vida e segurança" e "a loucura e o coração"?
Eu não sei.
Ter respostas para os outros? Uui, respostas para os outros sobram-me nas ideias...os porquês ficam fáceis, as ajudas não findam...para mim...fico sem saber sequer para onde apontar os "porquês", quanto mais responder-lhes!
"Dias melhores virão!", todos dizem! Quero acreditar...mas a verdade é que já não acredito. Não neste caso, não nesta vida. Está traçado...
Porquê?? Tanta gente faz esta pergunta...tantos motivos para isso...mas este porquê doi-me a mim perguntar, masi do que qualquer outro. Doi-me na alma...doi me no sangue!
terça-feira, 27 de maio de 2008
Àquela amiga...a ti, Joana...
O tempo passa e parece que foi ontem que sorrimos uma para a outra.
E, quando mais nada faz sentido, é a ti que recordo. És tu que continuas a proteger-me, a estar perto de mim quando todos os demais estão longe.
Para falar verdade, és o meu porto seguro.
E, quando olho para trás, vendo tudo o que vivemos em conjunto, torna-se muito dofícil imaginar que isso mude.
Poderia transformar em retratos emoldurados, com toda a nitidez, todas as imagens que trago dentro de mim.
O teu sorriso e o teu olhar presos em mim, em momentos de ternura, as lágrimas que silenciamos nos momentos de despedida, o respeito em momentos em que quisemos calar as palavras, as razões, os porquês.
Perdoámos sem ouvir sequer as razões. Ficámos juntas e não deixámos de nos agarrar a isso quando o temporal fazia fraquejar.
Sei que facilmente me encontras quando à minha volta tudo é escuro.
Conheces os meus sentidos.
Tudo o que fiz foi com a convicção de que seria o mais correcto. Mesmo que me tenha arrependido por tanta vez. E, quando isso aconteceu, foste o meu amparo, onde me escondi do mundo.
Por muito que tenhamos pontos de vista ou feitios diferentes, podia passar, sem qualquer esforço, eternidades do teu lado. O teu sorriso e o teu abraço valem tudo...e os momentos - que não são assim tão constantes - de mimo, de carinho e do que chamas de lamechice surgem, sem aviso e, por isso mesmo, por serem pouco abundantes, têm um brilho que só nós sabemos reconhecer, manter e recordar...
Meu anjo da guarda...
Sempre foi inimaginável viver sem a presença de ti. Mas acabou por acontecer. Fazes-me falta. Não custa admitir. Custa, sim, saber lidar com isso. Ensinas-me?!
Pensei que saberia aceitar ou perdoar a tua ausência, à medida que o tempo passasse. Mas o tempo passa, a tentar, ainda por cima, levar com ele as memórias que construíste comigo.
Tento dormir mas, de cada vez que fecho os olhos, lá estás tu. A olhar-me e a tentar perdoar-te por teres partido, por me teres deixado em ti. Também eu tento perdoar-te. A ti ou a quem quer que seja essa força que me venceu.
Pensei que o tempo era meu amigo. Não foi.
Tu, que sabes, provavelmente, o porquê de tudo, porque não me podes explicar? Não podia perder-te. Não a ti, que foste sempre a minha resposta nas horas mais cruciais da minha existência; não a ti que eras mais do que aquele grande amor, mais do que aquele grande amigo; tu que eras mais do que as palavras podiam explicar.
Abria-te o meu coração era a chave. Passámos por tanto... E ainda preciso de ti, agora que não estás... Preciso de ti, hoje, como precisei todo este tempo e como vou precisar daqui em diante.
As pessoas não percebem. Dizem que o tempo cura tudo, que acalma a dor. É mentira.
Lembras-te de como fazíamos dos momentos durarem uma vida?
Lembro-me, eu, de como, acima de tudo, me protegias. A tua "canita", a tua menina, contra tudo e todos.
Queria tanto que estivesses aqui...preciso tanto do teu abraço...
Se não tenho como chegar a ti, como me vou aguentar o resto da minha vida?
Eternamente é muito tempo. E é o quanto me parece que teri de viver sem ti!
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Recordação...

Quando olhei para ti e senti, pela tua respiração, que o cansaço tinha vencido, fiquei muito quieta, só a ver-te dormir...
E sorri...lembrei-me de um dia, já distante em que me disseste a sorrir, também: "adorei quando me disseste que gostas de me ver dormir". É verdade...muito poucos momentos são tão doces para mim. A dormir, perdes as defesas, a máscara, ficas vulnerável, doce, meigo, como uma criança, desprotegido...
Às vezes acho mesmo que foi no momento em que, pela primeira vez te vi dormir, no meu peito, que tive a certeza de que nunca será possível deixar de te amar...talvez...
Ver-te ali, prostrado, adormecido, quieto fez-me imaginar toda uma vida ao teu lado...
Num momento, puxaste-me, em sono profundo, para juntinho de ti e assim ficaste...enrolado em mim e nos cobertores, como se fiesse parte de ti. E faço!
Fiquei com medo de me mexer, de te acordar, com medo de te tirar desse momento só nosso, desse soninho, desse descanço.
Fiquei quieta, com o olhar perdido em ti, nos teus cabelos, nos teus lábios que, não muitos atrás estavam presos em mim, quando a tua respiração se confundia com a minha, testa com testa...
Ninguém é tão perfeito assim...não é possível que seja. Tudo em ti me faz querer -te mais. E tu estás em mim...em cada canto meu, em cada poro...
Não sinto o sono chegar...quero decorar-te! Quero que o teu cheiro não saia de mim, tenho medo do dia que vem...quero ficar assim para sempre!
Acordas e sorris...sabes que fiquei a olhar-te todo este tempo...Não precisas abrir os olhos para o saber...e sei que te sentes amado...é tudo o que sei!
Abraças-me e beijas-me com carinho, muito ao de leve, quase ainda a dormir.
Que posso pedir mais? Estou protegida, tenho-te ao meu lado, sei que nada nem ninguém me podem magoar, porque estás comigo...
Estou feliz, posso dormir..........
Não há preguiça, não há medo, não há mágoa...ficou tudo na noite!
E quando olhas para mim, quando me preenches o olhar com esse sorriso doce e maroto, tudo fica fácil. Fácil de encarar, fácil de lutar, fácil de viver.
Mesmo que, às vezes, ao sair dessa porta para fora, tudo volte ao antes, tudo fique igual, à minha volta. Cá dentro, já mudou, não há volta possível: estou mais cheia de força, mais cheia de ti e, portanto, mais cheia de mim.
Lembro-me de outros tempos em que me sentia assim, escrevia assim...quando não tinha experimentado, ainda, a dor da perda.
Era o tempo em que o meu melhor amigo de sempre, o meu primeiro amor, o meu (agora) anjo da guarda estava presente. E me fazia olhar para as estrelas e sorrir, porque esteve perto. Era o tempo em que sonhava...
E hoje, acordei com essa mesma "alegria"...um pouco adaptada à falta constante que trago em mim.
Quando olhas para mim, quando olhas mesmo e me vês, quando quase sinto o teu olhar entrar no meu, não há mais nada. Só nós!
E hoje, sou uma pessoa mais forte, por ter sido fraca.
A chuva cai, forte, inconstante na minha janela. E sorrio...porque estás aqui dentro, no meu coração, de onde nunca saiste!
sábado, 17 de maio de 2008
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