Uma chavena de chá. O fumo do cigarro que aperto entre os dedos. O olhar vazio.
Tudo se funde: cheiros, cores, sabores.
Não tento sequer diferenciar o que me rodeia, porque a névoa é maior que a minha vontade.
Queimo os lábios porque me esqueci de soprar esse líquido "cor de burro quando foge" (seja lá o que isso for) de sabor a maçã e canela. (o único que me faz lembrar de bons momentos).
O cigarro já não sabe a nada, mas não o apago. Como se fosse uma pastilha sem sabor que continuo a mascar sem parar, com esperança, com certeza, de que ela volte a ter doce para me satisfazer, como se eu fosse uma criança.
Solto as memórias, deixo-as fugir. De qualquer modo, sei que elas voltam, sem que sequer as chame!
Não há nada que mais que console que o quente nas mãos. Faço de conta que assim também aqueço o coração!
Se há momentos em que nos sentimos "super-humanos", este não é um deles, para mim.
Juntamente com o fumo que sai da chávena e o fumo do cigarro, sinto também, em forma de névoa cinzenta, as minhas fraquezas e cobardias. Aquelas que não vejo, no dia a dia e que, espero silenciosamente, os outros também não vêem.
Aos poucos, vejo-as tomar forma e, então, fecho os olhos. Não quero encará-las mais uma vez.
Levo o cigarro à boca e puxo o fumo, como se tivesse esperança que, assim, puxasse também as fraquezas para dentro de mim, de novo.
Mas elas teimam em ficar. E vão ficar até que lide com elas...
Mas não será hoje. Hoje estou cansada, exausta...
Apago o cigarro. Acabo de beber o chá. Levanto-me rapidamente e fecho a porta atrás de mim.
As fraquezas que lá fiquem dentro ou que me acompanhem (já que o mais certo é que consigam passar pelo buraco da fechadura). Mas não vou lidar com elas hoje.
Que ideia a minha: beber chá e fumar um cigarro...toda a gente sabe que o fumo puxa as memórias e que estas puxam as fraquezas...e eu não tenho tempo para isso!
1 comentário:
Fuma lá essa merda... :PPPP
Sabes, falta-te é fumar cigarros em passas partilhadas em noites agitadas onde os risos e as gargalhadas se acompanham de todos os movimentos que os nossos corpos fazem quando dançam sem parar...
E os copos que bebemos, e as parvoíces que dizemos...
Que saudades meu anjo, dos bons momentos, de ti.
Deixa o cigarro, sorri. Sê feliz!
Adoro-te :)
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