Há uma página que dedico a ti.
O tempo passa e destrói tudo o que é material, mas essa página, por mais que ardam lumes revoltos, por mais que caiam chuvas tempestuosas, não se deixa abalar. Está intacta, como se estivesse guardada, desde sempre, num cofre que ninguém poderia saber abrir, que nada consegue destruir, que nada consegue apagar.
Está intacta e nova, como se a tivesse acabado de escrever, ainda agora.
E ainda que não te possa chegar, que não te possa tocar, posso abraçar essa folha, posso beijá-la e manchá-la com o sal das minhas lágrimas. Não é questionável: é imortal.
Não lhe conheço o cheiro, como conheço o teu; nem lhe traço as vontades. Mas refugio-me nela quando te quero perto.
Nem sequer sei de que material é feita, nem de que tinta foram escritas aquelas palavras mas sei que é dedicada a ti. E era a ti que eu queria, acima de tudo, ter perto de mim.
Queria-te a ti, bem mais que àquela página. Mas não és tão indestrutível.
És mais irreverente e nem sempre sei lidar com esse “ir e vir” que te consome.
Estás dentro de mim, porque faço questão de deixar um pedaço teu em tudo o que me rodeia, como se fossem gotas de um perfume raro.
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