Neva aí, onde estás, meu amor?
Mas como é possível que seja aí que neve caia se é aqui, tão longe, que sinto o meu coração gelar?
Se a neve cai tão longe e aqui é apenas o vento que me acompanha as passadas na rua sozinha, porque será que sinto este gelo cá dentro?
Os vidros que me cercam estão secos. As pessoas passam na rua, e parece-me a mim, que estou gelada, que o frio é bem menor para elas. Não é mera tristeza, isto que sinto.
Alguns diriam que é uma tal de mania da persiguição, ou de que sou vítima. Outros explicariam, com os braços a gesticular e toda uma certeza que eu não tenho, que isto é melancolia...
Mas é muito mais que isso...
Camam-lhe...saudade!
Estranhamente, só o pronunciar da própria palavra me causa um arrepio na espinha e traz a tua imagem para perto de mim. Mais perto do que ela já está, constantemente.
Os teus olhos sabia ler os meus. Mas agora, por muito que oiças as palavras que deixo escapar em alto tom, por mais que leia o que te atreves a escrever...não podes olhar nos meus olhos, não podes sentir o que deixo que apenas tu possas ver.
E a neve que aí cai e aqui não vejo, sinto na pele e na alma, ao mesmo tempo que deixo que o rosto frio se inunde.
Sim, é saudade.
E contra a saudade, segundo sei (e como gostaria de saber mais) nada posso fazer, pelo menos enquanto a neve cair e tu estiveres bem mais perto dela que de mim...
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