domingo, 6 de julho de 2008

Fotografia

Hoje vi-te, mas não eras tu.

Vi o teu olhar, o teu sorriso inconfundível, reconheci-te...e no entanto não estavas lá. Não te pude tocar, não te pude chegar perto, mas estavas mesmo ali, e prendeste-me o olhar e soltaste-me as lágrimas.

Não esperava, mas vi-te! Estavas perto... e tão longe!
Mas não eras tu!

O coração quase me parou, sabes?

Estanquei, imóvel e apática, a fixar-te...a desejar, secretamente, que me levasses, que pudesse ir para junto de ti.
Estavas perto, tão perto...mas não foi a ti que vi...

Revi o momento da despedida, naquele mesmo local, com uma vivacidade, com uma nitidez que eu própria não sabia existir nas minhas capacidades. Lembrei-me da frieza que não estava presente ali, agora.

Estavas tão lindo, hoje...
Acabei por reparar que me olharam, naquela apatia demorada que se me estampou no rosto, com lágrimas iguais às minhas...porque te viram, sim...mas principalmente porque me viram hipnotisada p'la tua "presença" surpreendente, pelo menos desta forma.

"Queres ir ao pé dele?"

- Não...hoje não. Quero ir embora, quero sair daqui...

De quaquer modo, é a tua última morada, sei que estarás lá, com o mesmo sorriso e o mesmo olhar à minha espera, ainda que não sejas tu.

Porque hoje vi-te...e não eras tu.

Quando vim embora, sem sequer olhar para trás, ficas-te lá, no mesmo sítio.
Em cima da lápide fria e cinzenta, cravada de flores que não a tornam menos sóbria, está estampada a tua fotografia, num momento em que estavas, como sempre estiveste, perto de mim.

Então foi isso!! Hoje vi-te....mas não te vi. Não a ti...mas à tua fotografia...

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