Em qualquer sítio, a qualquer altura, em qualquer momento, numa qualquer multidão, perco me em silêncios, revejo-me neste chão.
Desesperadamente, caminho, corro, mas não encontro o ar que preciso para não sufocar...
Como podes saber o cheiro de uma rosa que apareça na televisão? Como podes determinar o fim de algo que não tenha começado? Como podes cantar uma música que nunca tenhas ouvido? Como podes rejeitar o que não conheces?
Não sabes responder-me, não sabes explicar-me e, achas tu, não precisas. Porque, como se diz, quando não se tem a resposta na ponta (nem debaixo) da língua, "as coisas são mesmo assim".
Não, não são. São, se as fizeres assim, porque, caso contrário, cada cheiro, cada som, cada visão é, sem tirar nem pôr, uma surpresa que só podes conseguir se tentares.
Tive sonhos que não cabiam no coração. Hoje posso trazê-los, aos que me restam, fechados numa mão.
Tive ilusões que preenchiam o meu caminho. Hoje posso escrevê-los, aos que me restam, numa folha de pergaminho.
Tive medos que não passavam de intenções. Hoje não podia carregá-los, aos que chegaram, nem com dois corações.
As palavras podem, se quiseres, ser infinitas. Basta dizê-las, basta escrevê-las...basta, até, pensá-las. Mas uma vez ditas, escritas, pensadas...não há volta. Tal como a seta que lances. E lanças, tanta vez, essas setas que nem sempre acertam, mas que quase sempre ferem.
E, no dia mais comum, em que seguirei o meu caminho, ficarão marcadas as acções que tomaste e não as que, agora, gostarias de ter tomado.
Não posso mudar o passado mas posso escrever o futuro. Até tu sabes que é mais sábio o que se cala por não saber do que o que fala sem saber o que diz. E até tu sabes que ver a vida através de um vidro não é vivê-la...por muito que preferisses que fosse esse o meu papel.
Sem erros, soubeste chegar-me ao coração das formas mais doces e mais cruéis, como se tivesses feito, horas a fio, cálculos em papeis.
É quase como dizer "dói tanto e sabe tão bem...", porque és um doce quase malicioso.
Lembra-te, ao invés de me travares cada passo, que aqui ou do outro lado do mundo, no meio do tudo ou cheia de nada, o sol nasce, brilha e põe-se todos os dias. Contigo ou sem ti. Sempre e nunca.
O teu olhar dá-me respostas de perguntas que nunca fiz e, se me apetece abraçar-te, nem sequer quero tocar-te.
Estás em mim...dispo-me de ti...
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