sexta-feira, 13 de junho de 2008

Memórias...

A vaguear pelas ruas que não reconheço, de repente, reparo em coisas que nunca pareço ter visto, embora toda a minha vida tenham estado aqui.
As pessoas são as mesmas e não as reconheço, também. Não tinha porque as reconhecer, mas faz-me pensar o quanto posso ter andando distraída todo este tempo.

Os sítios vão-se modificando, aos poucos, como eu também, mas por breves instantes, sinto-me como se não tivesse acompanhado essas transformações.

Já na minha infância as ruas eram as mesmas que percorria e consigo lembrar-me de como mudei enquanto pessoa ao longo dos tempos, consigo lembrar-me dos difrentes sentimentos que me foram acompanhando...mas não consigo deixar de me sentir, hoje, uma estranha, perdida em ruas que não conheço.

Como pode isto ser?

Como posso ter tido os olhos fechados aos pormenores que me rodeiam? Terei, com certeza, tido a atenção centrada em outros dados que me enchem a mente e o coração de memórias a que, penso, sou capaz de recorrer, ainda! - será?!

Paro em frente ao jardim que foi tanta vez o meu abrigo e reparo, pela primeira vez - se a memória não trai - no quanto é bonito, e no quanto me parece diferente em tantas alturas que lá passei.
Engraçado, quase consigo rever todos os momentos em sépia, demosntrando o quanto são "velhos", por mais que não tenham acontecido há mais que alguns meses...e apercebo-me: é grande o poder dos sentimentos que rebobina a mente e mistura cronologias consoante a importância dos momentos.

Quero sentir de novo a chuva a esorrer-me a pele, tal e qual como no dia em que senti o abraço de alguém especial que não esqueço.
Quero sentir a brisa que senti quando lhe chamei "pitxukinha" pela primeira vez, a quem sempre esteve comigo, mesmo nos momentos em que mais ninguém esteve.
Quero voltar a sentir o calor do pico do verão enquanto vi o fogo de artíficio com ele pela primeira vez e cruzámos o olhar.
Quero correr com a "minha Pió", dos meus três anos.
Quero sentir o coração bater mais rápido e dizer que "sim, aceito" repetidamente, até me faltar o ar.
Quero...

Quero o passado repetido constantemente a cada novo dia que passa, para poder ter perto tudo o que me fugiu e abraçar tudo o que escapou.
Quero recuperar o tempo que agora se chama "memórias" mas não posso...

Talvez seja isso mesmo que me faz vincar cada pormenor, hoje...tenho medo de querer e não conseguir mais lembrar-me...

1 comentário:

Filho disse...

Quem escreve assim, com esse sentimento em relação ao que viu e viveu, não tem que temer: tu podes, queres e vais lembrar-te sempre de tudo...

E isso não será por teres tudo armazenado no cérebro, mas sim porque, a meu ver, tudo isso está marcado e gravado onde mais importa - no teu coração...

;)

Bj