
Estou sozinha, no meu quarto. Sozinha... Nem um único som, nem um único movimento à minha volta. Imóvel.
Todo o dia foi agitado, alegre, cheio de sorrisos. E, no entanto, os mais próximos de mim perceberam que não estava bem nem sequer estava aqui. Muito embora o tentasse disfarçar com gargalhadas até!
As horas passaram e houve momentos leves, sim, é verdade. Não posso deixar de agradecer a quem, como sempre, esteve comigo. Mas, ao fim do dia, o meu coração pára. Retém-se, no meu quarto, no meu refúgio, só comigo e só para mim.
Falo com ele a toda a hora, na esperança de que se sinta menos sozinho. Não sei se resulta...não custa tentar! (para ser sincera, não tenho feito outra coisa senão tentar!)
Será que ele me ouve?
Estou envolta nos meus pensamentos, que raramente diferem, de dia para dia...
Não há diferença mas, mesmo assim, não deixo de ficar imersa neles! É mais uma noite vazia, uma noite escura para o meu ser...
Tudo à minha volta é nevoeiro, nada pode ser comparavel à imensa nitidez do que tenho dentro da minha mente.
É claro, o que penso...ou, melhor será dizê-lo, é claro em quem penso. Penso em ti, derradeiro ardor da minha memória fogaz. Penso em ti, que me ouvias, que escutavas até o meu silêncio, penso em ti que vias tudo o que eu queria que visses, mesmo quando não estava presente a minha visão. Penso em ti, que me davas tudo o que precisava, penso em ti, que eras a minha versão de masculino, a minha versão de amor, o completar de todo um círculo que prefaz a minha vida.
Penso, inevitávelmente em ti. Eras tu quem me fazia adormecer, à noite, em noites como esta, pois me descansavas no teu peito, e me acalmavas o espírito que, em noites como esta, ficava inquieto.
Eras tu quem, em dias calmos ou em noites escuras me fazia sorrir e me embalava os sonhos. Eras tu quem, sem qualquer sombra de dúvida, me fazia acreditar em mim...
...então, não é possível outra coisa senão pensar em ti.
Tu, que eras a minha nuvem clara, entre as escuras, o meu sonho entre os pesadelos, o meu sol entre as gotas de chuva, o meu ribeiro entre as florestas...
É em ti que penso, quando fico sozinha, no meu abrigo, no meu refúgio que é o meu quarto.
Este quarto também já foi o nosso quarto...estiveste aqui comigo...em dias mais fáceis que estes, menos angustiantes.
Por isso, estou sozinha, agora que não estás...pudessem estar presentes multidões, e continuaria sozinha...
Os pensamentos levam o tempo e dou por mim, ainda imóvel, perdida, jogada na minha cama...é hora de tentar esquecer, de tentar dormir, de tentar esperar sem dramas o próximo momento como este que, com certeza, chegara de novo...amanhã, talvez...
1 comentário:
Há noites assim, escrevi eu uma vez. Noites em que a máscara que carregamos ao longo do dia, seja por que motivo for, cai e faz-nos ver o real reflexo de nós mesmos, ou seja, a nossa alma. Noites em que o quarto poderia ser uma pequenina caixa de fósforos, e mesmo assim seria demasiado grande para quem sofre pela ausência de quem se ama...
Acredito que não seja fácil sentir isso. A meu modo, e numa escala diferente (nem pior, nem melhor, apenas diferente), também tenho passado por isso nos últimos meses...
As horas tornam-se eternas à noite e a mente não pára de processar imagens, conversas, gestos, beijos, olhares e toda uma infinidade de coisas que nos remetem sempre para quem amamos. É bom sentir, mas custa sentir...
A sorte é que enquanto houver vida, deverá haver sempre esperança: seja no que for, no que foi, no que nunca foi e podia ter sido, no que será sem nunca ter sido, sei lá, há que haver esperança...
Como diria uma música que muito me apraz, "há-de haver onde começar"...
E quem disse que esse começo não são exactamente estas noites que tanto custam a passar?
Nunca se sabe...mas um dia saber-se-á...
Se sentes, luta, não interessa qual o resultado final. Só poderá ganhar aquele que lutou. Quem desiste está sempre condenado à derrota...
Por isso te digo: De pé! Eis a única forma de se cair, a bem, nestas questões do amor...Sempre de pé...mesmo que o corpo se queira arrastar...
Força ;)
Bj
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