sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

pensamentos de uma noite de Natal...



"Vejo sorrisos à minha volta...sorrisos apenas, como se nenhuma razão houvesse no mundo, para tristezas. Em cada um deles, tento ver o teu sorriso, mas não me é possivel. Não que não sejam bonitos, todos eles. Mas nenhum é o teu.

As horas e os dias passam a uma velocidade bem diferente desde que não estás...

É meia noite.

A histeria da distribuição dos embrulhos começou. Em cada presente que pego, penso naqueles que trocámos. E arreopendo-me dos que não chegámos a trocar. Dos que pensei dar-te e não dei; dos que me quiseste dar e não recebi. Agora, tudo e diferente.

Os "obrigados" e os beijinhos correspondentes lembram-me apenas daquele último beijo que trocámos e que tentei não lembrar, depois.

Podia ser um dia feliz, este. Mas já não é... Já não é senão uma lembrança dura que tenho que carregar dentro do peito, ano após ano e que tento esquecer o mais possível. (Não a ti, isso nunca...apenas à dor que o dia me traz).

Sentada no sofá, frente a frente com o lume alto da lareira e coberta com uma manta quente, tentando tornar os papeis de embrulho numa pequena bola que esmago com força,perco me em lembranças de alturas diferentes da minha vida, em que estavas sempre presente.

De quando me tiravas o medo, de quando me davas força para continuar, de quando me fazias chorar (também houv desses momentos) e quando me abraçavas, de quando me beijavas, noutros tempos da nossa existência, de quando me davas a mão em jeito de coragem, de quando me dizias que tinhas orgulho em mim e de quando me dizias que a nossa amizade nunca querias perder. De quando me pegavas ao colo ou corrias comigo as cavalitas. De quando caminhávamos, tão simplesmente, lado a lado.
De quando nos cruzámos, na minha primeira queima e dançamos abraçados, só porque nos fazíamos sorrir um ao outro.

De quando eras meu...de quando era tua.

E de quando não o fomos, também.

Toda a gente sorri e, incrivelmente, não conseguindo encontrar o teu sorriso, uma lágrima cai.

As imagens que agora me assolam a memória são mais duras, mais frias e mais crueis.

Mas, até mesmo estas, acabam por se esgotar. Deixaram de se somar...
Como se a minha vida tivesse terminado há exactamente três anos.

E terminou, pelo menos uma parte dela.
Conheci o que é a dor, aquela dor verdadeira que nunca mais nos deixa, por muito que, por vezes, pareça acalmar. A dor de perder alguém, para sempre.

A minha vida não se foi com a tua (às vezes preferia assim), mas uma parte de mim deixou de viver nessa noite.

Na noite de Natal. Parece-me completamente impossível que haja alguém tão poderoso e tão bom, segundo me foi dado a conhecer, que seja capaz de tal crueldade.

Muitos me julgarão, com certeza, por proferir tal julgamento mas a verdade é que muito de mim mudou nessa noite. E se uma parte do meu coração foi contigo, uma parte das minhas crenças também foi.

Não me interpretem mal: acredito na existência desse ser...só não lhe conseguirei ser tão devota como fui, até me seres tirado...

Como posso agradecer-Lhe todos os dias, quando entro na Sua casa, de quando em vez, para ver brilhar os olhos dos que mais quero, tal é a saudade e a dor, num dia que todos dizem que é feliz?

Pede or mim, se estiver errada, já que és agora o meu anjo...
Mas entretanto e sem sequer pedir perdão, acredito apenas que estás comigo. Apenas não da forma que queria.

Não, não é egoísmo. Pois como pode ser egoísmo, se no fim do teu nome pronunciado, estamos todos os que partilham destas memórias que me assolam o peito e a memória, de cabeça perdida e coração dilacerado com a falta que fazes?

Três anos...três anos é muito tempo...mas é tão pouco quando penso naqueles que ainda vou ter que enfrentar...no número de vezes que vou passar por esta noite e vou ver sorrisos sem ver o teu, vou sentir abraços sem sentir o teu, vou ficar sentada à lareira a recordar...e a história vai terminar sempre no mesmo momento, pois não estiveste para construir mais....

É noite de natal...faz três anos que partiste!

As perguntas nunca vão deixar de aparecer...

Tenho saudades...para sempre!"


Para o Luis, meu eterno arco-íris, meu principe...
Uma rosa vermelha, um beijo, uma lágrima, uma festa no cabelo... :'(


(música: Shania Twain - You're still the one...porque sempre foi a nossa música, porque me iluminou em tantos momentos o caminho, porque nos levou um ao outro outras mais...e será sempre a banda sonora das minhas memórias...)

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