terça-feira, 1 de abril de 2008

Aqui...

Aqui, já nada é igual.
Já nada tem a mesma côr, já nada tem o mesmo som...porque já nada tem o mesmo valor.

Antes, antes do tempo chuvoso que chegou, todos os dias tinham uma côr diferente. Mas agora não. Nem por isso habita o cinzento, aqui. Há outras cores, outras histórias, mas nada é como antes.

Gastaram-se as imagens, de tanto as olhar, dentro do meu ser. Gastaram-se os dias, gastaram-se as horas, gastou-se o silêncio e, no entanto, as palavras estão perdidas...

Aqui, já nada é igual.

Aqui, onde jazem medos e memórias, já nada move os demais. Já nada ME move...
Mas é aqui que me perco. É aqui que me encontro, presa a tudo o que já não volta.

O caminho é escuro; não é como dantes. Porque antes era tudo claro e os sons abundavam. Mas agora, aqui, só ficou um resto de mim.

Eu não estou, nem estão os meus sonhos, nem está a minha verdade. Porque a minha verdade já não vive aqui...

...e aqui é o meu coração. Aqui. E aqui, já nada é igual!

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