
Meu amor,
Passou o tempo...passou tanto tempo...
Lutámos desenfreadamente para não deixar crescer algo que nem nós próprios soubemos definir e decidimos apelidar de "amor platónico".
Outras histórias se cruzaram - algumas, pensámos, recuperaram-se - para depois se perderem novamente e nos deixarem, mais uma vez, com a nossa...aquela, a única!
Já nada é como foi. Não sei se melhor ou pior. Às vezes, quando a distancia é maior, penso que nos perdemos. Depois lembro me de tudo o que me disseste, todo este tempo, e quando menos espero, estás aqui...e quando me olhas nos olhos, quando sussurras as saudades, quando sorris como esse soririso tão verdadeiro, quando passeamos sem parar o carro e tens a mão pousada na minha perna como se sem isso ficasses perdido e sem isso não pudesses proteger-me, quando me abraças a tentar a todo o custo recuperar o tempo perdido, o tempo de afastamento!
Ligo o rádio...no meio da interferência, consigo encontrar o som nítido...e a música que oiço leva me até ti, até nós.
"Juro não te vou deixar...", oiço algures perdida na música.
Toda ela te traz de volta em memórias e sorrisos abertos.
Sabes, amor, contigo sempre fui eu própria, fui verdadeiramente eu! E sei que tu também!
As promessas, faço-as de novo, sem receios, porque todas elas fazem o mesmo sentido que fizeram no momento em que, pela primeira vez, foram proferidas.
Fugi, sim...fugi tanto! Fugi com medo, fugi com o maior medo de todos: o de perder o que temos ainda, o que temos desde aquela altura em que a tua mão na minha perna era a protecção do meu ser e do teu também, com medo de perder a magia que sempre nos uniu!
"Vamos fugir os dois"...lembras te das vezes que dissemos isto? Diz-mo, mais uma vez...Foge comigo...Fecha os olhos, como fechaste da primeira vez que percebemos que o desejo estava no meio de nós. Abraça-me como me abraçaste nessa noite. Protege-me como protegeste, no momento em que pensaste que precisava da tua amizade e não do teu coração. Mesmo que não tenha sido isso que eu desejei.
A tua falta consome-me. E não é amor, daquele que estamos habituados a ver, a sentir, a ver nos filmes e a ouvir os amigos contar. É um amor difrente...
Na mesma música, essa que me lembra de ti, o cantor diz "Não sei se é banal mas juro não te vou deixar". O que temos não é banal. Mas platónico, como sempre o consideramos. Tivemos medo que, de se tornar real, se tornasse banal. Nunca será banal, o que temos e o que deixámos por ter.
"Uma parte minha é tua, e uma parte tua é minha". Dissemo-lo uma vez. Anos depois, tanto tempo...e continua a fazer o mesmo sentido.
Estás longe...tão longe...e, no entanto, olho a tua foto e sei que estás tão pertinho...
Então, diz-me, meu principe (como sempre gostaste que te chamasse), o que é que nos une? E o que é que nos separa?
Esta é uma carta...uma simples cartas, como já tantas foram escritas, dedicada a um amor platónico, àqueles que já o sentiram, àqueles que o sentem e, sobretudo, àqueles que não o podem viver....
...e, claro, a ti...
"Vem cá, dá-me o teu mundo outra vez
Lembra te daquilo que eu te dou e tu não vês
Quando não estás
Quando não estás"
2 comentários:
Recentemente aprendi uma frase que cada vez que a digo, parece fazer mais e mais sentido...
"Só aquilo que não nos pertence, nos completa"...
Um amor platónico é bom. É bom sabermos que somos amados de uma forma tão única e sublime que nada nem ninguém alguma dia poderá entender, alcançar, ou mesmo apagar...
Sê feliz com esse amor platónico. A felicidade, é o melhor que podemos tirar de um amor... principalmente neste caso, em que ele nunca nos tráz desilusões!
Adoro-te*
Por momentos ainda me pus a pensar para ver se não teria sido eu a escrever estas linhas =)
É, Dona Inês, amor platónico...um estirpe de amor muito complicada, muito complexa e muito rara na medida em que o que é platónico, para o ser, tem que ser reconhecido por ambos os "agentes" desse mesmo amor...
Mas mesmo assim, e porque é um tipo de amor, é bom na mesma. Melhor amar platonicamente do que nunca amar. Ao menos neste amor podemos delirar à vontade, sonhar e imaginar tudo o que realmente sentimos, mas que tão poucas vezes ousamos dizer ou declarar abertamente a quem amamos. Seja por medo próprio, seja por medo de afastar, ainda mais, quem amamos...
Anyway, enjoy this love of yours. Specially because it's unique and it is one of the most amazing things life has ;)
Bj
Enviar um comentário