sexta-feira, 4 de abril de 2008

Quatro anos passados...

É verdade...passaram quatro anos. E, sem nunca ter esperado, estes quatro anos têm um peso de séculos que terei de carregar para toda a vida: o peso da saudade.

Tenho cheiros, cores, sons e imagens cravadas no peito.

Olho o meu traje como a um tesouro e apercebo-me de que nunca poderei sentir tanto orgulho de algo.

O sal das lagrimas não tem, sequer, tempo de secar...não param de correr...

E, sem querer, percebo que sinto um arrependimento enorme, por tudo o que ficou por viver: apaixonei-me por Coimbra mais tarde do que gostaria.

Nada será igual...nunca mais.

Ensinaram-me, pessoas muito especiais, a amar Coimbra muito mais do que se ama a outra coisa qualquer.

E, apesar de não ter tido padrinhos como gostaria, que me acompanhassem, percebo agora que tenho, sim, bem mais que dois padrinhos. Tenho pessoas lindíssimas, que me foram apadrinhando ao longo do tempo, ao estarem do meu lado, ensinando-me coisas tão importantes, que nunca esquecerei, ao viverem tanta coisa comigo, ao fazerem parte de tantos momentos importantes.

Tentei ser a madrinha que não tive e, hoje, orgulho me dos meus afilhados porque cada um deles, à sua maneira, me dá muitos motivos para isso.

Passam imagens pela minha memória, e consigo viver tudo de novo.


E, ouvindo a "minha" (desculpem-me a presunção) Balada da Saudade, relembro a primeira vez que a ouvi. Debaixo de um imenso arrepio, vi lágrimas em todos os rostos de capa traçada. Não entendi, mas senti, sem saber.
Hoje, eu sou um desses rostos. E nunca vou saber explicar o que senti quando, na minha última latada, me vi sem possibilidades de trajar. Um pedaço de mim não esteve ali.

Não posso deixar de agradecer aos que me ajudaram a viver Coimbra e comigo se despedem (ou de mim se despedem). Sentirei, todos os dias, a vossa falta.

Obrigada pelos valores que me transmitiram e os sentimentos que me mostraram.

Sou uma pessoa melhor por ter passado por aí, pela cidade que trarei, para sempre no coração.

Hoje sei-o: só quem vive Coimbra conhece a sua verdadeira lição. Está quase na hora de partir e esta é a contagem decrescente que mais doi, mais fere, dentro do peito.

Muitos dirão: "estás a um passo de Coimbra, voltarás sempre que quiseres". Voltarei, sim...Mas visitar Coimbra e viver Coimbra são coisas tão difrentes que não conseguiria explicar.

Então, "desculpem as lágrimas, pois é a emoção, já é a saudade, já é a saudade no meu coração..."

As pedras que pisei têm o meu rasto e um pedaço de mim por lá ficou.
Há sorrisos espalhados por Coimbra, mesmo quando não se ouve senão o silêncio (coisa rara).

Não tenho forças para expôr o que sinto. De certa forma, perdida, logo agora que me tinha encontrado. A palavra "adeus" é dificil de pronunciar cá dentro do peito.

É claro: "Cidade contigo meu amor ficou"...

Um grande obrigada a todos os que de alguma forma me fizeram sentir Coimbra de uma forma tão linda...tenho a certeza que sabem quem são! :)

2 comentários:

Joaninha disse...

Sinto que devo ser presunçosa o suficiente para saber que esse obrigada também é para mim...

O meu coração já chora ao ler as tuas palavras, ao sentir o que tu sentes. Neste momento é como se conseguisse ouvir a "Balada da Saudade" dentro de mim e relembrasse tantos e tantos momentos passados nesta Coimbra...

E aproveitando o que disseste, acredita que também não é a mesma coisa viver em Coimbra e viver Coimbra...

Está a acabar, é verdade. Como 4 anos passaram tão depressa! Ainda tenho em mim a imagem, aquela descrição que fizeste de mim a entrar um dia numa aula de NTI do 1º ano...

E como guardo essa, vou guardar tantas outras para sempre no meu coração.

Que Coimbra nos tenha trazido muito mais do que bons momentos e boas memórias... que Coimbra nos mostre que como ela sempre assim permanecerá, também a nossa amizade existirá eternamente.

E que ainda mais e melhores momentos nos estejam reservados...

Para essa bela cidade que permanecerá sempre nos nossos corações, sai um éferreá...!

Filho disse...

Ainda bem que Coimbra existe,não é?

Por mais que se explique, por mais que se fale e que se exemplifique, só quem passa por Coimbra sabe o que é Coimbra. E se estivermos a falar da ESEC, ui ui, então nem se fala...

Mas há uma coisa em que tenho que te corrigir, e peço desculpa por isso: Nunca é tarde de mais para se gostar de Coimbra!

Principalmente se estudares na ESEC. Porque, e parafraseando algo que vem no Código da Praxe da ESEC e também utilizando a tua referência à Balada de todos os "esequianos" (Balada da Saudade), quem tem uma Balada como a nossa sabe tudo o que há para saber de Coimbra. E só nós, "esequianos" é que podemos gostar de Coimbra da forma como descreveste...

Porque a Balada da Saudade é, em Coimbra, a única canção que não se canta com a voz...mas sim com o coração...

Obrigado por este texto. Bj.