terça-feira, 8 de abril de 2008

Água dos céus...


Sinto o corpo pesado com o peso da alma.


A chuva cai e bate na janela cada vez com mais força. Já ouviram a canção que ela canta qd bate numa janela de um telhado?


Aos poucos deixa de ser algo suave para bater cada vez com mais força. Se fizer silêncio, se apagar a luz, o barulho dos pingos torna-se quase ensurdecedor.

Então é o que faço. Porque se me detiver no barulho da chuva, mais nada me pesa na alma e nada me pesa no corpo.


O "ping ping" a que estou habituada já não tem um ritmo definido, assim como não o tem o meu coração.


Debaixo do chuveiro tento lavar a alma. A água molha-me o cabelo, o corpo...mas não a alma. Tenho a alma impermeável? Não posso ter...


Tento a todo o custo contrariar os meus pensamentos...

O barulho da chuva é mais forte que o meu esforço e, quase sem dar por ela, vejo me a percorrer os cantos desta casa até sair e, finalmente, estou debaixo desta chuva, a lavar os medos, os receios, as insónias de vivências...a encharcar a alma...


A cobrir-me de chuva, a cobrir-me de água...da água dos céus.


1 comentário:

Filho disse...

Pois é,

Às vezes a chuva inspira-nos a escrever algo. E geralmente é sempre algo de mais soturno, mais melancólico...

Acho que a única vantagem dos dias com chuva é, para quem tem essa sorte, claro, poder estar em frente à lareira com a pessoa que amamos/gostamos, a curtir um chocolate quente e a ver um filme ou apenas e só a deixar-se embalar no som das gotas que caem e batem na janela...

O texto parece falar de alguém que não gosta de chuva, mas que nela procura uma espécie de refúgio para se lavar, purificar, acho eu. Foi a impressão com que fiquei...

Quem sabe se não funciona mesmo? ;)

Bj