A minha primeira mensagem não pode, de forma nenhuma, deixar escapar o agradecimento às pessoas que me incentivaram a, mesmo sem querer, criar este blog...são pessoas fantásticas! (Um obrigada mt especial à Joana, por me ter devolvido a vontade de escrever).
Mas não posso, de forma nenhuma iniciar este ciclo sem o marcar com uma dedicatória à minha inspiração de sempre, o meu anjo da guarda. Luís, la longe (e cá pertinho), onde estás...um muito obrigada!
"Perdi o tempo nas tuas mãos…detiveste o meu ser dentro da tua palma suada à força de me apertares contra os teus dedos, à força de me afogares em pensamentos de nós…
Agora, procuro a tua mão, mas não para me devolveres o tempo que deixei contigo. Procuro-a para me apertar mais uma vez, mas contra o teu corpo, contra um coração que batia ao ritmo da minha respiração, procuro a cor do teu sangue em mim, mas não encontro… Corro numa estrada que não tem fim e já não oiço senão o ruído das minhas memórias. Quero chegar a ti e o caminho torna-se árduo. Lutaria sempre? Sim, se previsse nesse caminho regado de pedregulhos que me flagelam os pés, um rumo para nós…mas não passam de pedras que me impedem de te tocar, ainda que ao de leve, na pele molhada de tom moreno.
Os olhos que te viam estão cerrados, para não perderem a imagem que neles se reflectia, a tua imagem! E ela não se desvanece e, então, crédula que assim será sempre, não os abro. Não abro, para olhar mais ninguém, para continuar perdida nos teus cabelos, longos, escorregadios, onde o cheiro ao teu perfume inunda o meu nariz, para me perder nos nossos sonhos de meninos…
Dou alguns passos e o peso da tua falta impede-me de respirar. Tento, todos os dias, perceber até que ponto não serei eu que quero deixar de respirar, por alguns momentos, para viajar até aos jardins onde te perdeste e onde te encontras comigo, sempre comigo, em silêncio, nos meus sonhos e onde me deixas sem fôlego ao acordar, de manhã…
O céu está mais pesado.
Está escuro, mais perto e mais longe.
As nuvens cochicham entre si, escondendo o que os meus olhos procuram. Pouso o pensamento num raio que as rompe. Acho que é um sinal teu. Acho, apenas…sem qualquer certeza. Mas num ou noutro momento, eu sei, sinto e vejo que és tu, que me devolves um pouco das cores da minha, da tua, da nossa vida que se privou de nós. O arco-íris vai longe, quase desvanecido, quase nu de tanta transparência. Foste tu que vieste. Eu sei que sim…
Mas agora, sem tempo para despedidas, como já o fizeste antes, vais partir, sem aviso de chegada.
Não há ar. Começo a sufocar e, ainda assim, entra esse tal oxigénio nas minhas narinas percorrendo o seu caminho que me faz continuar existindo.
Mas ar? Aquele que nos faz sentir vivos? Esse, levaste-o contigo. E não volta, pois não?
És anjo. És, eu sei-o. Para sempre, como tantos dizem. Mas dizem sem saber, e eu, só eu, o digo porque sei. Porque mo dizes todas as noites, quando durmo, em segredo. Dizes, sim…de que outra forma eu poderia dormir? Cerrar os olhos, e dormir, sonhar e voltar a acordar…
Por vezes, fazes até milagres: deixas-me acordar, um dia por outro, sem o peso que me assombra desde que me fechaste a porta da alegria…isso é de anjo, não é?
Oiço, vezes sem conta, o teu nome, e sou egoísta. Sou e serei sempre, porque dizem-no de alma lavada. E a mim, ninguém me deixou de alma lavada. Só me deixaram o vazio da tua falta. Aquele que de tão vazio preenche todos os cantos das minhas entranhas.
Não estou insana. Estou, sim, loucamente sã. E preferia estar demente! Porque a demência me acalmaria o espírito. Mas esse milagre, não me concedeste tu. Preferes manter-me ciente de todos os segundos que te roubaram de mim.
Se fechar os olhos com força e me esquecer do mundo, ainda sinto a tua pele fria, nos meus lábios salgados das lágrimas, como se estivesse presa no fundo do mar, de água gélida como os meus pensamentos…
Príncipe da luz, que te tiraram de dentro de mim e me querem convencer de que nunca entraste…mostra-lhes que estão errados, todos. Até a essa força que foi mais dura que o meu amor e me venceu, ganhando-te. Mostra, que tudo o que eu sei, tu sabes, tudo o eu sinto, tu vês com a lucidez da presença que passou a ser constante e tão omnipotente como a Dele…Mostra que tudo o que és e fazes para mim está guardado num sítio tão puro de mim que nem eu consigo desvendar com a mesma clareza que gostaria! Mostra, que tudo o que eu sou está dentro de ti, tudo o que eu abraço, abraço por ti…e tudo o que vejo, vejo na esperança de estares…e não estás…nunca estás…por isso mostra-mo também a mim, porque tenho o flagelo da tua ausência cravado no peito…
Como é que eu amo, agora, meu anjo, se o meu amor foi contigo, dentro do teu peito e eu nem soube?
Como é que eu sinto, se fiquei dormente?
Como é que eu vou fingir eternamente…se tu não estás?"
***
2 comentários:
Bem, antes de mais, sê bem-vinda à blogosfera ;)
Dp...que texto...sim sra, está aqui uma dissertação interessante. Mt inspirada mm...
Espero que assim continues, em relação aos textos, claro. Em relação ao que descreves e sentes (e que deixas transparecer neste texto), apenas posso desejar que tudo melhore e que tudo possa vir a correr bem...
Qqr coisa,já sabes: se for para ter conversas de jeito...procura outra pessoa para falar,pq cmg não costuma dar p isso, vá-se lá saber pq, hehe =P
Bj
Parabéns minha linda, por um passo que acredito ser de gigante na tua vida.
Escrever é um dom que apenas algumas pessoas têm e eu acredito que, sem dúvida nenhuma, ele já nasceu contigo!
Obrigada por nos mostrares outra forma de te conhecer ainda mais (se é que isso é possível =)
Quanto ao texto em si... já tinha comentado. Há pessoas que permanecerão eternamente connosco, onde quer que estejam, não é?
Um grande beijinho*
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