quarta-feira, 23 de abril de 2008

Estás aqui!

Estás aqui!
Sinto-te...quase te vejo!
Estás, como sempre estivesses, como se nunca tivesses partido.

Sinto até o teu cheiro! Como é possível? O meu coração sabe como, mas não tenta sequer explicar-me. Sabe e pronto. Não é questionável.

Sinto os poros de todo o meu corpo receberem o arrepio que sempre senti na tua presença. Por isso sei, estás aqui.
Como sempre fizeste, acalmas o nervoso que trago dentro de mim.

As luzes ficam ténues na tua presença e os sons calam-se sem rispostarem, porque o teu silêncio é rei, aqui.

Nada mais importa. Estás aqui, como sempre quis.

Há conversas entre os olhares que não se vêem, porque, mesmo estando aqui, não estás como antes, não estás como anseio todos os dias. Estás "só" dentro de mim.

Mas o teu sorriso é bem nítido, como o brilho do teu olhar sempre foi, quando me puxavas para ti. E o perfume não mudou.
Hoje sou mais feliz, porque estás aqui. Não te chamei - pelo menos não de maneira difrente do que faço todos os dias - mas tu vieste. A tua sombra está reflectida na parede que me cerca e é ela que me dá a certeza que és tu. Nenhuma sombra é igual à tua.

Perfeição.

A tua sombra é, como tu sempre foste, perfeita. Não é mais escura nem mais clara nem mais marca nem mais ténue que as restantes. Mas é tua. Desenha-te na parede, o mais próximo que posso ter do teu abraço. Mas estás aqui.

Vieste e não foi preciso que chorasse sem pudor, que gritasse por ti, que enloquecesse momentaneamente para que viesses. Estás, vieste e ficaste.

Cravaste-te, mais fundo ainda, dentro de mim, do meu peito, do meu ser. É aqui que pertences, estás em casa, dentro do meu peito. Não te oiço (não como ouvi antes) e, no entanto, sei que o disseste, com toda a alma.

Antes, quando as palavras eram leves como nós, não sabia que ias deixar-me. Mas cá dentro, sempre tive medo quando te afastaste. Como quando nos afastamos de casa e nos despedimos de cada canto, de cada cheiro, de cada som, de cada cor, de cada parte das nossas memórias que fica trancada lá dentro. Era assim que tinha medo que me deixasses. E deixaste. Não tocas nos bibelôs em que me tranformei, nem nas cortinas que são os meus olhos, os da tua casa. Mas estás cá, hoje. Hoje vieste, voltaste a casa.

E eu estou em casa também. Estou, porque tu estás...estás aqui.

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