quarta-feira, 30 de abril de 2008

Hoje....

Hoje, não sei o que sinto. Sinto-me tão cheia que estou quase vazia de mim. Sinto-me tão só que sufoco, tão perdida que me faltam caminhos para optar, e quase me decido instantaneamente!

Hoje, não consigo perceber se estou triste ou contente. Uma página se vira, uma etapa termina a par de mais algumas...mas estou absorta em memórias.

Os sorrisos do passado voltam, o meu mundo está repleto de pontos de interrogação e de respostas que não sei onde pertencem...a minha busca é, somente, a do fio que perdi à meada que é a minha vida.

Hoje, não tenho um peso de tristeza nem de desilusão que tive em tempos. Tenho apenas um turbilhão que não me ajuda a seguir em frente.

Mas hoje, tomei uma decisão: vou sentar-me num banco, sozinha, no escuro. Pegar na balança da minha vida e pesar bem tudo...as dúvidas e as respostas. Tenho a certeza de que vou encontrar qual pertence a qual e sorrir...sorrir muito!

Algo nasce de bom dentro de mim, à minha volta, em todo lado =)

E, sei, há alguém que nunca sai do meu lado!

A carta...


Meu amor,


Passou o tempo...passou tanto tempo...

Lutámos desenfreadamente para não deixar crescer algo que nem nós próprios soubemos definir e decidimos apelidar de "amor platónico".

Outras histórias se cruzaram - algumas, pensámos, recuperaram-se - para depois se perderem novamente e nos deixarem, mais uma vez, com a nossa...aquela, a única!

Já nada é como foi. Não sei se melhor ou pior. Às vezes, quando a distancia é maior, penso que nos perdemos. Depois lembro me de tudo o que me disseste, todo este tempo, e quando menos espero, estás aqui...e quando me olhas nos olhos, quando sussurras as saudades, quando sorris como esse soririso tão verdadeiro, quando passeamos sem parar o carro e tens a mão pousada na minha perna como se sem isso ficasses perdido e sem isso não pudesses proteger-me, quando me abraças a tentar a todo o custo recuperar o tempo perdido, o tempo de afastamento!


Ligo o rádio...no meio da interferência, consigo encontrar o som nítido...e a música que oiço leva me até ti, até nós.


"Juro não te vou deixar...", oiço algures perdida na música.

Toda ela te traz de volta em memórias e sorrisos abertos.


Sabes, amor, contigo sempre fui eu própria, fui verdadeiramente eu! E sei que tu também!


As promessas, faço-as de novo, sem receios, porque todas elas fazem o mesmo sentido que fizeram no momento em que, pela primeira vez, foram proferidas.


Fugi, sim...fugi tanto! Fugi com medo, fugi com o maior medo de todos: o de perder o que temos ainda, o que temos desde aquela altura em que a tua mão na minha perna era a protecção do meu ser e do teu também, com medo de perder a magia que sempre nos uniu!


"Vamos fugir os dois"...lembras te das vezes que dissemos isto? Diz-mo, mais uma vez...Foge comigo...Fecha os olhos, como fechaste da primeira vez que percebemos que o desejo estava no meio de nós. Abraça-me como me abraçaste nessa noite. Protege-me como protegeste, no momento em que pensaste que precisava da tua amizade e não do teu coração. Mesmo que não tenha sido isso que eu desejei.


A tua falta consome-me. E não é amor, daquele que estamos habituados a ver, a sentir, a ver nos filmes e a ouvir os amigos contar. É um amor difrente...


Na mesma música, essa que me lembra de ti, o cantor diz "Não sei se é banal mas juro não te vou deixar". O que temos não é banal. Mas platónico, como sempre o consideramos. Tivemos medo que, de se tornar real, se tornasse banal. Nunca será banal, o que temos e o que deixámos por ter.


"Uma parte minha é tua, e uma parte tua é minha". Dissemo-lo uma vez. Anos depois, tanto tempo...e continua a fazer o mesmo sentido.


Estás longe...tão longe...e, no entanto, olho a tua foto e sei que estás tão pertinho...


Então, diz-me, meu principe (como sempre gostaste que te chamasse), o que é que nos une? E o que é que nos separa?


Esta é uma carta...uma simples cartas, como já tantas foram escritas, dedicada a um amor platónico, àqueles que já o sentiram, àqueles que o sentem e, sobretudo, àqueles que não o podem viver....



...e, claro, a ti...


"Vem cá, dá-me o teu mundo outra vez

Lembra te daquilo que eu te dou e tu não vês

Quando não estás

Quando não estás"

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Amo-te mamã

Ontem a minha mãe deu-me um presente. Para ser sincera, o melhor que já recebi até hoje...

E não era o meu aniversário, nem uma data especial. Mas mesmo assim, ela chegou a casa e estendeu-me...um livro.
Um livro pequenino, fininho e com uma frase por página. Uma apenas.

Só que, cada uma dessas frases fez, aos poucos, com que acabassem por brotar as lágrimas.
Não sei se algum dia nos abraçamos desta maneira, da maneira que nos abraçámos ontem.
Com ternura, com amor, com um sentimento maior que todos os outros, só nosso, meu e teu, mamã.

"Um dia...
Um dia, contei os teus dedinhos e beijei-os um por um.
Um dia, quando caíram os primeiros flocos de neve, peguei em ti, bem alto, e vi-os derreter na tua pele de bebé.
Um dia, atravessámos a rua e tu seguraste na minha mão com força.
Nessa altura eras o meu bebé, e agora és a minha menina.
Por vezes, enquanto dormes, fico a ver-te sonhar, e sonho tamém...
Sonho que um dia mergulharás na água fresca e límpida de um lago.
Um dia entrarás num bosque escuro.
Um dia, sentirás uma alegria tão profunda que os teus olhos brilharão.
Um dia, correrás tão depressa e para tão longe que sentirás o teu coração em fogo.
Um dia, receberás uma notícia tão triste que o teu coração se encherá de dor.
Um dia, cantarás ao vento, e o vento levará consigo a tua canção.
Um dia, hei-de ver-te da varanda a dizeres-me adeus, até te perder de vista.
Um dia, olharás para esta casa e perguntarás como algo tão grande pode ser tão pequeno.
Um dia, sentirás um peso leve sobre as tuas costas fortes.
Um dia, ver-te-ei escovar o cabelo da tua filha.
Um dia, daqui a muitos anos, também o teu cabeo brilhará ao sol como prata.
E, quando esse dia chegar, meu amor, hás-de lembrar-te de mim."

Este é o texto do pequeno livro que a minha mãe me ofereceu.
E...sabes, mãe, não consigo, de vez nenhuma que o leio (e foram, já, bastantes) evistar as lágrimas...porque nesse dia, emq ue lembrar-me-ei de ti...não te poderei abraçar...ao meu maior amor, de sempre e para sempre.

Porque não há amor como o nosso, como o teu...

"Não tem dedicatória, mas acho que as frases que aí estão escritas dizem tudo...". Foi isto que me disseste, ao entregar-me este texto. E, depois, pediste-me com o olhar brilhante, que "Um dia..." fosse eu a entregar este livro à minha filha.
E, aqui, fica a minha promessa, de que, um dia este livro será da minha filha, com o mesmo amor e a mesma cumplicidade que nós temos (espero, do fundo do coração).

Não tenho nem nunca terei como te agradecer por tudo o que fizeste e continuas a fazer por mim...és o meu maior amor!


Amo-te muito meu amor!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Estás aqui!

Estás aqui!
Sinto-te...quase te vejo!
Estás, como sempre estivesses, como se nunca tivesses partido.

Sinto até o teu cheiro! Como é possível? O meu coração sabe como, mas não tenta sequer explicar-me. Sabe e pronto. Não é questionável.

Sinto os poros de todo o meu corpo receberem o arrepio que sempre senti na tua presença. Por isso sei, estás aqui.
Como sempre fizeste, acalmas o nervoso que trago dentro de mim.

As luzes ficam ténues na tua presença e os sons calam-se sem rispostarem, porque o teu silêncio é rei, aqui.

Nada mais importa. Estás aqui, como sempre quis.

Há conversas entre os olhares que não se vêem, porque, mesmo estando aqui, não estás como antes, não estás como anseio todos os dias. Estás "só" dentro de mim.

Mas o teu sorriso é bem nítido, como o brilho do teu olhar sempre foi, quando me puxavas para ti. E o perfume não mudou.
Hoje sou mais feliz, porque estás aqui. Não te chamei - pelo menos não de maneira difrente do que faço todos os dias - mas tu vieste. A tua sombra está reflectida na parede que me cerca e é ela que me dá a certeza que és tu. Nenhuma sombra é igual à tua.

Perfeição.

A tua sombra é, como tu sempre foste, perfeita. Não é mais escura nem mais clara nem mais marca nem mais ténue que as restantes. Mas é tua. Desenha-te na parede, o mais próximo que posso ter do teu abraço. Mas estás aqui.

Vieste e não foi preciso que chorasse sem pudor, que gritasse por ti, que enloquecesse momentaneamente para que viesses. Estás, vieste e ficaste.

Cravaste-te, mais fundo ainda, dentro de mim, do meu peito, do meu ser. É aqui que pertences, estás em casa, dentro do meu peito. Não te oiço (não como ouvi antes) e, no entanto, sei que o disseste, com toda a alma.

Antes, quando as palavras eram leves como nós, não sabia que ias deixar-me. Mas cá dentro, sempre tive medo quando te afastaste. Como quando nos afastamos de casa e nos despedimos de cada canto, de cada cheiro, de cada som, de cada cor, de cada parte das nossas memórias que fica trancada lá dentro. Era assim que tinha medo que me deixasses. E deixaste. Não tocas nos bibelôs em que me tranformei, nem nas cortinas que são os meus olhos, os da tua casa. Mas estás cá, hoje. Hoje vieste, voltaste a casa.

E eu estou em casa também. Estou, porque tu estás...estás aqui.

domingo, 20 de abril de 2008

Só...

Por mais que o tempo passe e eu me convença, ou assim o tente, de que tudo melhora, de que o sol nasce, de que a primavera volta...está a frente dos meus olhos: estou só!

Estou só e não deixo de o estar, por mais que o mundo me rodeie e até me procure...porque nem sei se estou comigo!

Sinto-me como se estivesse perdida no meio de um temporal e nem a chuva me molhasse; no meio de uma floresta e as folhas não me tocassem, ainda que ao de leve...
O ar evita-me! E eu procuro-o...

Sinto-me só, sinto-me fria...sinto-me vazia!

E os dias passam, as horas correm, os momentos atravessam-se-me em qualquer esquina de qualquer rua...e eu aqui...só!

Já não sinto o arrepiar que se sente quando o sol bate mais forte, mais dentro de nós...estou dormente no coração, porque não estás...e não estou...estou só!

Saudades...


E, no fim de mais um dia...chego a casa...


O tempo correu e não tive tempo, sequer, para ter tempo de pensar.

Agora, esquecida em cima da minha cama, cabeça na almofada e olhar perdido em memórias, o tempo de pensar chegou sem que eu quisesse.


Mais uma vez, tive que enfrentar a dura realidade da minha conclusão, que de nova não tem nada: tenho saudades!


Sorrio, sem que esteja feliz, ante a lembrança do teu cheiro e do teu toque. Para ser sincera, a lembrança do teu toque tem um efeito bem mais estonteante que qualquer outra.

Esta é a verdade, fazes-me falta.


Antes, quando eras bem mais que uma memória (que de vez em quando parece ser um pouco mais. Mas apenas de vez em quando), eu sorria, abertamente e sem culpas, ao pensar no teu toque.

Tenho saudades de rir contigo, de rir de ti, de rires de mim. Saudades de ficarmos a olhar um para o outro antes de cairmos nos braços um do outro, como se não houvesse um amanhã para perder mais tempo.

Tenho saudades de sentir borboletas na barriga ao olhares-me nos olhos. Saudades de estares perto, mesmo quando longe...sim, porque agora estás longe...mesmo quando estás perto.


Não há ninguém como tu.


Não é possível que haja.


Não há ninguém que possa fazer-me sentir algo sequer semelhante ao que sentia contigo, nada será comparável.


Nunca fui o teu mundo. Não, não fui. E não quis ser. Quis apenas fazer parte dele.

E talvez nunca tenha feito, não de tal forma que me sentisse preenchida, amada a todo o instante.


Mas quando me olhavas, quando me tocavas...como eu tenho saudades...

Porque aí, tudo o resto fazia sentido...eu fazia sentido.


Seria capaz de imaginar qualquer coisa...mas nunca o temor das saudades serem definitivas foi algo passível de ser imaginádo. Não por mim... Não por ti...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Mais uma vez...


Mais uma vez, mente...



Mente se não me queres!

Não é dificil viver com isso, para quem viveu sem ti!

Inventei um "tu" que, de tanto esforço meu, ainda consigo ver em ti. E tu, dizes que existe! Dizes que não mentes! Mas eu sei que não é verdade...e mesmo assim, quase acredito.



Acho sempre que os olhares não mentem e que os abraços também não. Será que mentem??



Se não mentirem, estás mesmo comigo, mesmo quando estás longe! Mas eu sei que não é assim!



Então, mente! Mais uma vez... Para ti, não será dificil...já o fizeste antes! Ai, tanto que o fizeste! E para mim, torna-se, assim, possível descansar.

Porque quando, à noite, me deito sobre o teu peito, e passas as mãos no meu cabelo, acredito no amor que finges...



Será que finges, então??

Se fingires, por favor, não dês o tal passo em falso...finge sempre! Finge assim; finge verdadeiramente!



E se me queres, vou acreditando...se não me queres, já disse: mente!!



Os beijos mentem, o corpo mente...só não mente o coração. O meu, pelo menos, não sabe fingir! O teu sabe? O teu finge? Não, não deve fingir!!



Mas se não me queres, ensina-o...ensina-o a fingir...e mente! Só mais esta vez!

Se mentires agora, o teu coração vai fazer como o meu: vai saber acreditar nessa mentira de amor!



Tu mentes porque me amas?? Ou mentes para me amar..?



Não sei...

Mas sei, sim, o que sinto quando me amas (a fingir). Sinto-te ali, tenho a certeza!!! Sinto-te sentir, sinto-te olhar nos meus olhos, tão fundo como não se consegue olhar...vês-me a alma! Ah, se vês! Afinal, isso é fingir?



Não...isso não é fingir...isso é amar, realmente!



E, no entanto, já não sei o que é verdadeiro e o que é fingimento...

Por isso, eu te peço...



Se me queres, ama-me...



Se não me queres, mais uma vez...mente!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Chama acesa...

Pego numa caixa de bombons e detenho-me (mais tempo do que na realidade me pareceu) a tentar escolher o que mais me apraz...ultimamente, o sabor das coisas já não é igual...

Pego num e desembrulho-o...não, ainda não é aquele o "meu bombom"...
Então volto a fechar a caixa, sem ter sequer provado um. Não é um bombom que vai tirar-me esta ansiedade, este nó na barriga.

Concerto pela milésima vez as almofadas que estão largadas no sofá. Nada me parece estar no sitio certo, nada me parece bem...

Fico parada, perdida num cadeirão de baloiço, com o olhar preso na chama de uma vela que substitui a luz que não há. Deve ter havido uma falha qualquer, mas não faz mal. Seja como for, não tinha paciência para ver televisão...

Estranho, não sinto corrente de ar e no entanto tenho a sensação que a chama da vela se vai apagar a qualquer momento...e sinto um frio na espinha...

Mas sejamos positivos...a chama NÃO apagou...nem com o frio...
Sempre há algo que a mantém acesa, à minha chama, que me aquece o coração!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Será

Deixo-vos a letra de uma musica que adoro, cuja letra me faz viajar por entre memórias que nunca gostaria de perder.
Porque há pessoas que nunca esquecerei e que trarei sempre junto ao peito.
Espero que nela possam encontrar o refúgio que encontrei muitas vezes...

"Mais um dia em que o tempo não passou
Cada dia estou mais longe do céu
Só queria emendar o que falhou
Por magia voltar a tu e eu

Pois tu és a minha vida, o ar que eu respiro
Só tu és meu santuário, meu abrigo

Se eu acreditar que não te perdi,
Se eu imaginar, que ainda estás aqui
E seu eu desejar, como quem ama faz
Será que o tempo volta para trás

Mais um dia sem a luz do teu olhar
Cada dia tou mais longe de ti
Só queria o teu corpo abraçar
Por magia abrir os olhos e ter-te aqui

Se eu acreditar que não te perdi,
Se eu imaginar, que ainda estás aqui
E seu eu desejar, como quem ama faz
Será que o tempo volta para trás

Vou imaginando onde tu estarás
Vou pedindo ao tempo para voltar para trás
Mas não sou capaz...

Se eu acreditar que não te perdi,
Se eu imaginar, que ainda estás aqui
E seu eu desejar, como quem ama faz
Será que o tempo volta para trás"

(SERÁ - RITA GUERRA)

meu duendezinho...

Tenho uma voz a segredar-me ao ouvido. Reconheço-a, mas não a identifico.
É fininha como se de um ser minusculo se tratasse. Faz-me lembrar a voz de alguém que acabou de inspirar hélio de um balão cor-de-rosa-choque.

Sem querer começo a rir. Gargalhadas quase absurdas!! É uma voz engraçada, mas nem sequer percebo o que ela diz.
Por momentos pensei que fosse imaginação minha, mas não é! Ai, não é!

Aquela voz está mesmo ali. É bem real, até...

Fez-me lembrar uma pequena duente de uma história que a minha mãe me contava em pequenina, para comer. A Mafalda! Sim, Mafalda...
Lembro-me de todos os pormenores da história. Mas isso, são outras praias...

E a voz continua, a trautear pequenas frases, bastante bem articuladas. Mas estou tão embrenhada nas minhas recordações que não presto a menor atenção ao que o meu "duendezinho" me diz... decidi chamar-lhe assim!

A Mafalda, da minha infância, estava sempre na chaminé da cozinha...mas eu nem sequer estou na cozinha! Aliás, percorri a casa a rir, e o meu duendezinho continua ali comigo!!!

Gostava de me habituar a este sonzinho engraçado perto do meu ouvido...mas sei que em breve ele vai embora.
Não sei como sei...mas é uma certeza mais que absoluta...

Não consigo parar de sorrir, embora as gargalhadas já tenham acalmado! E aos poucos também a voz se desvanece.
Mas foi um momento inesqucível: tenho a voz do "meu duendezinho" dentro de mim...e percebi que a "minha Mafalda" também nunca vai deixar de fazer parte de mim!!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Não tinha percebido


Não tinha percebido que as lágrimas te corriam...

Não tinha percebido que o teu coração doia, apertado...


E ao perceber, fiquei com o peito dorído como se tivesse sido pontapeada, com um nó na garganta como se de um osso entalado se tratasse...tudo, porque não tinha percebido!


Cerquei-me do que a mim magoou e esqueci-me que de tanta dureza, de tanta frieza, também tu estavas a sofrer. Esqueci-me que eras tu quem mais queria fazer feliz, esqueci-me que os dias passam mas as mágoas nem sempre passam com eles!


Tudo, porque não percebi!


Pedir perdão não basta, por mais que a mim me tenha bastado tantas vezes, antes. E eu esqueci-me. Porque não tinha percebido que durante este tempo sofrias e não tinha percebido que os danos causados não saõ passíveis de reparação. Pelo menos não de uma reparação que eu própria te possa conceder!


Foste a minha mágoa, a minha felicidade, a minha maior ilusão e a minha maior desilusão, em tantos momentos distantes e contraditórios que marcaram a nossa história que de longa se tornou curta!


Não fui culpada de tudo, mas não tinha percebido que a tua mágoa assim me tem: como ré, como culpada.


Então não posso mais fazer que pedir-te perdão, pois se as palavras não chegam as atitudes estão me vedadas pela porta da tua dor.


E peço-o, mais uma vez, pelo sofrimento que já não posso evitar, pela tristeza que originei.


Mas peço perdão sobretudo por ter esquecido, por não ter percebido.

Caminhando pela vida

Pela noite dentro esgota-se-me a vontade de fechar os olhos e dormir. Os olhos deixaram de pesar. Parece, pelo contrário, que toda a força que quisesse usar não seria suficiente para os manter fechados. Habituada ao escuro do quarto, já me é fácil distinguir as formas da cadeira e da cómoda que estão prostradas na minha direcção.

Não sinto tristeza...nem sinto alegria. Estou demasiado absorta nos meus pensamentos, para sentir. O que, de todo, não é mau.

Em jeito de metáforas, vou imaginando a minha vida. Encontro caminhos que parecem batidos apenas por rebanhos de ovelhas que por ali passam para chegar ao verdejante pasto. E atravesso-os. Surge um sorriso no exacto momento em que o percorro: afinal, não tenho medo de arriscar. E há pedras! E estou descalça! E não há muita luz...mas aventuro-me!
Para ser sincera, pensei que faltasse a coragem. mas ela estava lá quando precisei dela!

Menos mal...

E, quando dou por ela...estou no meio de uma rua calcetada, com sapatos de cetim, bem ao jeito dos meus preferidos. A luz voltou a abundar, como o sol do meio dia no pico do verão. Não, na primavera, quando o calor não é demais mas nos é possível andar de blusas frescas sem o mínimo arrepio!

De repente, é de manhã...sem me aperceber, adormeci e, nos meus sonhos, percorri um pouco da minha vida. O bom e o mau.

O melhor de tudo? a manhã provou-o: o sol nasce sempre de novo! =)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Água dos céus...


Sinto o corpo pesado com o peso da alma.


A chuva cai e bate na janela cada vez com mais força. Já ouviram a canção que ela canta qd bate numa janela de um telhado?


Aos poucos deixa de ser algo suave para bater cada vez com mais força. Se fizer silêncio, se apagar a luz, o barulho dos pingos torna-se quase ensurdecedor.

Então é o que faço. Porque se me detiver no barulho da chuva, mais nada me pesa na alma e nada me pesa no corpo.


O "ping ping" a que estou habituada já não tem um ritmo definido, assim como não o tem o meu coração.


Debaixo do chuveiro tento lavar a alma. A água molha-me o cabelo, o corpo...mas não a alma. Tenho a alma impermeável? Não posso ter...


Tento a todo o custo contrariar os meus pensamentos...

O barulho da chuva é mais forte que o meu esforço e, quase sem dar por ela, vejo me a percorrer os cantos desta casa até sair e, finalmente, estou debaixo desta chuva, a lavar os medos, os receios, as insónias de vivências...a encharcar a alma...


A cobrir-me de chuva, a cobrir-me de água...da água dos céus.


segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pacto de amor




Façamos um pacto. Não precisa de ser de sangue, saliva ou suor, embora todos estes fizessem sentido entre nós.

Façamos um pacto em silêncio, só através do olhar. Não seria a primeira vez e, entre nós, mais facilmente não são entendidas as palavras. O silêncio é, muitas vezes, o nosso maior aliado, já que nos revemos no olhar um do outro!

Façamos um pacto vitorioso, sem margens de erro.

Um pacto entre mais que dois amantes, mais que dois aliados.Um pacto que te traga comigo mesmo quando estás longe; mesmo quando não estás.

Não é um pacto de fidelidade, porque a fidelidade não é um pacto, é um princípio; nem um pacto de felicidade porque a felicidade é uma consequência das atitudes e dos sentimentos (e de tantas outras coisas impossíveis de descrever)...

Façamos então um pacto que nos una. Um pacto de coração, que nos deixe um com um outro. Que me leve no vento para te segredar a falta que me fazes; que me traga notícias tuas cavalgando em segredo a distância que nos separa; que me leve a descansar no tue peito quando o dia termina em dor, pela tua ausência.

Este é o pacto que quero fazer contigo. Um pacto em silêncio, um pacto de coração que te traga para junto de mim, quando não estás...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Quatro anos passados...

É verdade...passaram quatro anos. E, sem nunca ter esperado, estes quatro anos têm um peso de séculos que terei de carregar para toda a vida: o peso da saudade.

Tenho cheiros, cores, sons e imagens cravadas no peito.

Olho o meu traje como a um tesouro e apercebo-me de que nunca poderei sentir tanto orgulho de algo.

O sal das lagrimas não tem, sequer, tempo de secar...não param de correr...

E, sem querer, percebo que sinto um arrependimento enorme, por tudo o que ficou por viver: apaixonei-me por Coimbra mais tarde do que gostaria.

Nada será igual...nunca mais.

Ensinaram-me, pessoas muito especiais, a amar Coimbra muito mais do que se ama a outra coisa qualquer.

E, apesar de não ter tido padrinhos como gostaria, que me acompanhassem, percebo agora que tenho, sim, bem mais que dois padrinhos. Tenho pessoas lindíssimas, que me foram apadrinhando ao longo do tempo, ao estarem do meu lado, ensinando-me coisas tão importantes, que nunca esquecerei, ao viverem tanta coisa comigo, ao fazerem parte de tantos momentos importantes.

Tentei ser a madrinha que não tive e, hoje, orgulho me dos meus afilhados porque cada um deles, à sua maneira, me dá muitos motivos para isso.

Passam imagens pela minha memória, e consigo viver tudo de novo.


E, ouvindo a "minha" (desculpem-me a presunção) Balada da Saudade, relembro a primeira vez que a ouvi. Debaixo de um imenso arrepio, vi lágrimas em todos os rostos de capa traçada. Não entendi, mas senti, sem saber.
Hoje, eu sou um desses rostos. E nunca vou saber explicar o que senti quando, na minha última latada, me vi sem possibilidades de trajar. Um pedaço de mim não esteve ali.

Não posso deixar de agradecer aos que me ajudaram a viver Coimbra e comigo se despedem (ou de mim se despedem). Sentirei, todos os dias, a vossa falta.

Obrigada pelos valores que me transmitiram e os sentimentos que me mostraram.

Sou uma pessoa melhor por ter passado por aí, pela cidade que trarei, para sempre no coração.

Hoje sei-o: só quem vive Coimbra conhece a sua verdadeira lição. Está quase na hora de partir e esta é a contagem decrescente que mais doi, mais fere, dentro do peito.

Muitos dirão: "estás a um passo de Coimbra, voltarás sempre que quiseres". Voltarei, sim...Mas visitar Coimbra e viver Coimbra são coisas tão difrentes que não conseguiria explicar.

Então, "desculpem as lágrimas, pois é a emoção, já é a saudade, já é a saudade no meu coração..."

As pedras que pisei têm o meu rasto e um pedaço de mim por lá ficou.
Há sorrisos espalhados por Coimbra, mesmo quando não se ouve senão o silêncio (coisa rara).

Não tenho forças para expôr o que sinto. De certa forma, perdida, logo agora que me tinha encontrado. A palavra "adeus" é dificil de pronunciar cá dentro do peito.

É claro: "Cidade contigo meu amor ficou"...

Um grande obrigada a todos os que de alguma forma me fizeram sentir Coimbra de uma forma tão linda...tenho a certeza que sabem quem são! :)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Cumplicidade

Estou quieta...imóvel...
O silêncio só é quebrado pelo som da tua respiração ritmada, constante, segura, doce...

Os passos, lá fora, já não se ouvem, as gargalhadas calam-se aos poucos. Só estamos nós. Estou a afogar-me no teu olhar...

Estamos sós dentro destas quatro paredes e, no entanto, sinto-me tão cheia de vida, tão cheia de ti...

Conheço-te como é impossível conhecer outro alguém. Conheço-te poro por poro, milímetro a milímetro, pormenor a pormenor. E tu conheces-me...
Percorres-me com a ponta dos dedos, quase sem me tocar, como quem toca algo perfeito que eu não sou. Percorres-me com o olhar, preenches-me com beijos que reconheço e prevejo.

Estamos juntos. Com a testa encostada à minha é assim que te sinto: como parte de mim.

Pertence-te o meu ser. Corpo, mente e coração, não necessariamente por esta ordem, se é que ela existe.

Procuro-te mesmo quando sei exactamente onde estás. Mesmo quando estás à minha frente, colado a mim...mesmo quando estás dentro de mim. Procuro-te guiada pelo receio de perder um gesto, um segundo, um olhar. E tu estás logo ali. Como quem sabe, quem sente que te procuro e quer evitar essa busca, quer evitar qualquer cansaço, quer evitar qualquer dor.


Posso dormir ao teu lado como não posso dormir em mais local nenhum, fazendo do teu peito a minha cabeceira, do teu tronco parte do meu, das tuas pernas o meu descanço.
Quando acordar, sei exactamente como te tocar, sei exactamente como te sentir, sei exactamente como te falar, porque és parte de mim.

Não existem almas gémeas. Não és a minha alma gémea. És, sim, a minha razão, a minha única e grande razão. És, sim, a metade que não perdi porque foi sempre minha e que, junto de mim, forma um único ser. As almas gémeas não formam um só...formam duas "peças" iguais. E nós não somos iguais, somos um só.

Nada encaixa com a mesma perfeição.

Estas deitado ao meu lado e o mundo desapareceu para lá das paredes que nos cercam.
Não disse uma única palavra.
Mas tu sorriste, porque compreendes tudo aquilo que no silêncio eu calei. Cumplicidade...muita cumplicidade...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Para duas pessoas especiais...


Hoje, as linhas correm em dois sentidos, em duas direcções, para dois corações.

Correm com vagar, no entanto.


Escrevo para ti, amiga, que de tão longe que estás não posso abraçar-te. Não hoje, pelo menos, e hoje era o dia em que mais me importava abraçar-te.

É o TEU dia.


Noutros tempos, pudemos passar muito do nosso tempo juntas, nunca contestando a possibilidade de termos que nos separar mas, ainda assim, não pensando, tão pouco, nela. Estavas comigo, em todos os momentos e eu estive contigo, no momento da despedida. Nada será igual!


Mas, mesmo a tua despedida foi fraca e não derrubou o sentimento mais importante que tenho na vida: a amizade, verdadeira e pura!

Hoje é o teu dia e, tenho a certeza, muitos te verão um sorriso nos lábios, entre abraços e felicitações, entre frases alegres e presentes, entre um cigarro e o outro. Mas não deixo de ter a mesma certeza, o teu coração está, em (muito grande) parte aqui. Entre três vidas que te amam: entre mim, entre a Marta, entre o kiko (que de tão pequenino tomou conta dos nossos olhos).


Muitos parabéns meu anjo...





E escrevo, com toda a esperança de que a tua força não vai falhar agora. Para ti, loirinha, que és "aquela amiga".

Escrevo-te, com pesar, por te saber tão só e tão cheia de desânimo.


Longos são, sempre, os dias mais duros que vamos vivendo. E as horas que queríamos prolongar até ao infinito, se possível, desvanecem em menos de nada e voltam a deixar-nos sós.


Somos regados de incompreensões ridículas e exigem-nos explicações levadas ao mais ínfimo pormenor sem quererem saber, tão pouco, como nos sentimos. Só querem saber os porquês!!!


Mas sabes, meu anjo, houve momentos em que eu própria cedi, ou quis ceder a todas as pressões. Só que houve uma força maior (que a minha, pelo menos) que me fez não só aguentar como ser mais forte que todas as contrariedades e, ainda, mostrar um sorriso quando os tempos são mais difíceis. Foste tu, sempre tu. Foste a minha própria força, o meu alento e o meu grnade pilar sobre tudo e todas as nuvens que me asosmbravam os dias.


És exemplo de força, de ânimo, de sensatez e loucura equilibradas, de amor.



És o MEU exemplo.


E as coisas vão ficar cada vez mais simples, e eu estarei sempre contigo...



Para as minhas duas meninas, um muito obrigada por tudo, tenho o coração pesado por não estar junto de cada uma de voces...sou uma pessoa melhor por vos ter na minha vida...


Muita força às duas!


Amo-vos AMIGAS!!!


terça-feira, 1 de abril de 2008

Porque enquanto há vida...

Chego a casa de noite, já.
Fito o espelho, sem sequer acender a luz, e vejo a sombra do que sou. Vejo uma forma, mas não vejo uma expressão. O mesmo será dizer: não sou eu, sou uma representação de mim...

Mas de repente, parece-me que as estrelas se uniram, que a lua ficou mais cheia, mais brilhante...a luz entra pela janela e vejo-me de súbito. Cada traço, cada côr, cada pormenor. Sorrio sem querer e guardo essa imagem.
Houve dias em que sorri assim, sem querer, sem esforçar...dias longínquos, da minha memória. Mas houve-os, disso tenho a certeza!

Já antes me perdi em sorrisos e em gargalhadas...

E, de repente, com a luz da lua a bater-me na cara, a reflectir-me no espelho, eu sei, eu sinto...dias melhores virão.

Nasce uma esperança. Porque como os mais sábios dizem desde sempre... "Enquanto há vida, há esperança"

***

Aqui...

Aqui, já nada é igual.
Já nada tem a mesma côr, já nada tem o mesmo som...porque já nada tem o mesmo valor.

Antes, antes do tempo chuvoso que chegou, todos os dias tinham uma côr diferente. Mas agora não. Nem por isso habita o cinzento, aqui. Há outras cores, outras histórias, mas nada é como antes.

Gastaram-se as imagens, de tanto as olhar, dentro do meu ser. Gastaram-se os dias, gastaram-se as horas, gastou-se o silêncio e, no entanto, as palavras estão perdidas...

Aqui, já nada é igual.

Aqui, onde jazem medos e memórias, já nada move os demais. Já nada ME move...
Mas é aqui que me perco. É aqui que me encontro, presa a tudo o que já não volta.

O caminho é escuro; não é como dantes. Porque antes era tudo claro e os sons abundavam. Mas agora, aqui, só ficou um resto de mim.

Eu não estou, nem estão os meus sonhos, nem está a minha verdade. Porque a minha verdade já não vive aqui...

...e aqui é o meu coração. Aqui. E aqui, já nada é igual!