quarta-feira, 9 de abril de 2008

Não tinha percebido


Não tinha percebido que as lágrimas te corriam...

Não tinha percebido que o teu coração doia, apertado...


E ao perceber, fiquei com o peito dorído como se tivesse sido pontapeada, com um nó na garganta como se de um osso entalado se tratasse...tudo, porque não tinha percebido!


Cerquei-me do que a mim magoou e esqueci-me que de tanta dureza, de tanta frieza, também tu estavas a sofrer. Esqueci-me que eras tu quem mais queria fazer feliz, esqueci-me que os dias passam mas as mágoas nem sempre passam com eles!


Tudo, porque não percebi!


Pedir perdão não basta, por mais que a mim me tenha bastado tantas vezes, antes. E eu esqueci-me. Porque não tinha percebido que durante este tempo sofrias e não tinha percebido que os danos causados não saõ passíveis de reparação. Pelo menos não de uma reparação que eu própria te possa conceder!


Foste a minha mágoa, a minha felicidade, a minha maior ilusão e a minha maior desilusão, em tantos momentos distantes e contraditórios que marcaram a nossa história que de longa se tornou curta!


Não fui culpada de tudo, mas não tinha percebido que a tua mágoa assim me tem: como ré, como culpada.


Então não posso mais fazer que pedir-te perdão, pois se as palavras não chegam as atitudes estão me vedadas pela porta da tua dor.


E peço-o, mais uma vez, pelo sofrimento que já não posso evitar, pela tristeza que originei.


Mas peço perdão sobretudo por ter esquecido, por não ter percebido.

Caminhando pela vida

Pela noite dentro esgota-se-me a vontade de fechar os olhos e dormir. Os olhos deixaram de pesar. Parece, pelo contrário, que toda a força que quisesse usar não seria suficiente para os manter fechados. Habituada ao escuro do quarto, já me é fácil distinguir as formas da cadeira e da cómoda que estão prostradas na minha direcção.

Não sinto tristeza...nem sinto alegria. Estou demasiado absorta nos meus pensamentos, para sentir. O que, de todo, não é mau.

Em jeito de metáforas, vou imaginando a minha vida. Encontro caminhos que parecem batidos apenas por rebanhos de ovelhas que por ali passam para chegar ao verdejante pasto. E atravesso-os. Surge um sorriso no exacto momento em que o percorro: afinal, não tenho medo de arriscar. E há pedras! E estou descalça! E não há muita luz...mas aventuro-me!
Para ser sincera, pensei que faltasse a coragem. mas ela estava lá quando precisei dela!

Menos mal...

E, quando dou por ela...estou no meio de uma rua calcetada, com sapatos de cetim, bem ao jeito dos meus preferidos. A luz voltou a abundar, como o sol do meio dia no pico do verão. Não, na primavera, quando o calor não é demais mas nos é possível andar de blusas frescas sem o mínimo arrepio!

De repente, é de manhã...sem me aperceber, adormeci e, nos meus sonhos, percorri um pouco da minha vida. O bom e o mau.

O melhor de tudo? a manhã provou-o: o sol nasce sempre de novo! =)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Água dos céus...


Sinto o corpo pesado com o peso da alma.


A chuva cai e bate na janela cada vez com mais força. Já ouviram a canção que ela canta qd bate numa janela de um telhado?


Aos poucos deixa de ser algo suave para bater cada vez com mais força. Se fizer silêncio, se apagar a luz, o barulho dos pingos torna-se quase ensurdecedor.

Então é o que faço. Porque se me detiver no barulho da chuva, mais nada me pesa na alma e nada me pesa no corpo.


O "ping ping" a que estou habituada já não tem um ritmo definido, assim como não o tem o meu coração.


Debaixo do chuveiro tento lavar a alma. A água molha-me o cabelo, o corpo...mas não a alma. Tenho a alma impermeável? Não posso ter...


Tento a todo o custo contrariar os meus pensamentos...

O barulho da chuva é mais forte que o meu esforço e, quase sem dar por ela, vejo me a percorrer os cantos desta casa até sair e, finalmente, estou debaixo desta chuva, a lavar os medos, os receios, as insónias de vivências...a encharcar a alma...


A cobrir-me de chuva, a cobrir-me de água...da água dos céus.