quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

preciso...

Preciso de me sentar no sofá, coberta com uma manta polar, presa nos pés, para não entrar nenhuma brisa que me arrefeça.

Preciso do cheiro do café quente e do sabor do chocolate com recheio de caramelo.

Hoje, o dia está negro, para mim. Não são a chuva nem as nuvens que cobrem o céu que me apoquentam.

O que verdadeiramente me esfria o ser, são os pensamentos e as memórias que me assolam.

Preciso de um abraço.

Preciso de deitar a cabeça no colo e chorar em silêncio, enquanto me passam as mãos no cabelo e me dizem baixinho que tudo vai correr bem.

Preciso de sair da claustrofobia desta cidade que, agora, se tornou tão mais insuportável pelo peso que cada lugar tem para mim.

Preciso de fugir à monotonia dos meus sentimentos e à rigidez da minha fala. Estou a ficar rodeada de coisa nenhuma e não há pior que isso.

Preciso das palavras certas.

Preciso de apanhar o cabelo sem que o elastico faça força suficiente para impedir que caiam farripas.

Preciso de esquecer que estou desiludida.

Preciso de me deixar vencer, só por um dia, pelo cansaço e pela falta de força para enfrentar o caminho.

Fecho os olhos. Deixo-me ficar imóvel, em silêncio até poder ouvir a minha respiração.

Quero dormir, mas sei que o sono não vem.

Não sei se quero gritar, se quero calar.

Não sei se quero parar, se quero erguer-me e seguir.

Mas preciso, preciso muito de descansar, de ficar quieta e, ainda assim, ir para longe.

Preciso de esquecer, mesmo que não queira...

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