quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eras assim




Tu eras assim e eu era assim por ti.


Usavas no visor do telemóvel aquela fotografia mais que velha mas que foi a nossa primeira fotografia juntos. Rias ao olhá-la, porque sabias perfeitamente o que eu ia dizer: "Tira isso daí! Com tantas fotografias, porque é que tens logo essa? Que horror". Mas rias, sobretudo, porque sabias que diria sempre isto e sentiria sempre o contrário. Se o coração falasse alto o suficiente para que todos o podessem ouvir, mais alto que a minha voz, o que sairia seria "É tão bom olhar para o teu visor do telemóvel e ver-nos juntos, desde esse momento! Deixas-me tão "babada" por me trazeres sempre contigo e adoro que o faças...mesmo que essa não seja a nossa melhor fotografia!".


Hoje não sei se ainda guardas alguma delas...


Mas naquela altura, emq ue eramos assim um pelo outro, eu sabia, sem que nunca o dissesses, que não eram precisas fotografias para que me trouxesses junto ao peito...mas seria sempre bom poder olhar-nos com olhos de ver. Eras incapaz de apagar uma foto, por mais que saisse desfocada ou com cara de enjoo...


Mantinhas um sorriso na cara, mesmo quando eu ralhava sem razão, à espera que eu terminasse o meu monólogo irritante para depois me beijares e fingires que não disse nada.


Eras assim por mim!


Fazias os meus ouvidos zumbirem com as horas infinitas que passávamos ao telemóvel a dizer as mesmas coisas, da mesma forma, sem que perdessem o efeito que tinham tido da primeira vez que foram ditas.


Tinhas uma formula secreta para fazer os teus próprios olhos brilharem. Não imagino que pudesse ser de outra maneira porque nunca teria a pretenção de achar que era eu a causadora desse brilho que não perdia intensidade, nem por nada, de cada vez que me olhavas nos olhos.


Desfazias qualquer problema, em menos de nada, com sorrisos e brincadeiras. Por mais que voltasem a aparecer, por mais que soubesses que não os resolvias com subtilezas dessas, tu fazia-lo, porque bastava isso para que sorrisse e conseguisse fingir pelo tempo máximo possível, que não existiam.


Tinhas um livro de poemas aberto na ponta dos dedos e nos lábios. De cada vez que me tocavas e me beijávas, eu conhecia um poema novo. E o mais engraçado é que acho que não tinhas noção disso.


Tu eras assim. E eu também era. Talvez nenhum de nós fosse perfeito, mas eramos peças de um puzzle nosso, que encaixavam daquela maneira e formavam uma imagem coerente aos nossos olhos e ao nosso coração.


Eras assim e eu era assim por ti!

1 comentário:

Filho disse...

That's what's love is all about =)

Bj