
Acredito que tens asas, escondidas algures debaixo dessa roupa. Não és anjo nenhum, não é nisso que acredito. Acredito, apenas, que tens asas, que podes voar e levar-me contigo para esse mundo que só tu consegues penetrar e do qual me deixas, apenas, ter uma pequena visão, de quando em vez, quando estás bem disposto.
Alcança-me a alma.
Os meus pensamentos não tem outro dono que não seja eu mas, às vezes, consegues dominá-los melhor do que eu. Como fazes?
Não, não respondas. Não percas o ar de mistério que tanto tento desvendar, em vão.
Guarda segredo desses truques.
Assim não vão perder nunca a magia...nem me magoará nunca a forma como consegues ter tanto poder sobre ti e sobre mim ao mesmo tempo.
Desarma-me.
Tento, com custo, manter estas barreiras de auto-defesa...mas se tu consegues dominar-me os pensamentos, com certeza, não terás muita dificuldade em deitar abaixo muros psicológicos e paredes emocionais...
Vence-me os medos.
Guarda-os num lugar seguro onde eu própria não consiga chegar. Olha, leva-os no peito e, quando voares, deixa-os cair por terra, num sítio onde eu não chegue. Mesmo que isso signifique não chegar a mim própria. Leva-os! Vence-os por mim.
Conhece-me o olhar.
Se consegues, tanta vez e por tantos modos, tê-lo só para ti, tens tempo e maneira de o conhecer.
Rouba-me o coração.
Mesmo que isso me deixe indefesa, sem ar, perdida e arrebatada, rouba-mo e guarda-o ao pé do teu. Tenho a verteza que assim ele se sentirá menos sozinho e pode ser, até, que se entendam bem. Fica com ele, por tempo indeterinado e não me peças para o fazer. O medo pode ser mais forte. Mas tu não tens medo! Então, rouba-mo, fica responsável por ele, guarda-o e não me devolvas mais.
Mas, se não quiseres alcançar-me a alma, nem desarmar-me, nem vencer-me os medos, nem conhecer-me o olhar nem sequer roubar-me o coração...não faz mal...
Tu tens asas, podes voar...podes deixar-me conhecer o teu mundo...
Não faças nada do que eu pedi...melhor, esquece que tu pedi...mas leva-me contigo!
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