sexta-feira, 16 de maio de 2008

cheia de vazios...


Posso fingir que não sinto, que estou vazia...tantas vezes ouvimos: "estou vazio"; "sinto-me vazio"...porque não fazer o mesmo??

Posso dizê-lo! Posso afirmá-lo como se de uma certeza absoluta se tratasse. Seria mais simlpes, sem dúvida.

Mas não estou vazia! Ninguém está! E quando alguém diz "estou completamente vazio"...não acredito. Posso acreditar que há uma grande ausência de algo importante, mas estar vazio seria estar, literalmente, morto. E, a meu ver, dizer-se que se está vazio é assumir-se, à partida, que se está cheio. Cheio de dor, cheio de medo, cheio de ânsias, cheio de revolta...mas cheio!


E eu podia dizer que estou vazia...completamente vazia...porque tenho um pouco de cada um destes "ingredientes" dentro do peito. Mas não vou fazê-lo!


Não sou melhor nem pior que ninguém por assumir de forma diferente o que sinto, ou não. Sou apenas fiel a mim mesma, como sempre fui, mesmo quando, em resultado disso, sofri das consequências mais tristes que se pode sofrer: a perda.


Mas estou cá, estou aqui, estou de pé! E assim continuarei.


No entanto, estou cheia de uma ausência que nem sequer quero, nem posso, nem consigo descrever, pois é muito própria, muito única, muito...abstracta.


Pode ser carência; pode ser dor; pode ser arrependimento; pode ser aquilo que lhe quiserem chamar. A verdade é que, a este ponto, a minha vida não está, em momento nenhum, em congruência com o que imaginei que estaria, nesta altura. Algumas coisas falharam, outras sairam erradas, outras estiveram perto, mas escaparam-me entre os dedos!


Talvez fosse mesmo muito mais facil se fingisse não sentir nada, mas não me é possível, pois quando menos dou por ela, as letras estão a aparecer à minha frente, sem controlo, sem limite, sem previa decisão para tal.


Sinto não um vazio, mas um peso de ausência.


Se me sinto sozinha?? Sim, muito. E eis a verdade: não sou talhada nem sei lidar com a solidão. Acho sempre que ela me vai corroer, que me vai danificar mais do que o que é obvio (e não é pouco). A solidão tira-me força, tira-me vida, tira-me vontade...

Sinto-me carente, por tudo o que vivi e não está mais aqui, não está mais comigo; sinto-me perdida pelas vidas que comigo se cruzaram e não estão mais presentes para que as possa abraçar e dizer, olhos nos olhos, a grande importância que têm para mim.


Preciso de mimos, de carinhos, de palavras doces, de segredos partilhados, de momentos guardados, de um beijo leve de boa noite e de um bom dia saudoso...preciso de atenção e de vivências, de partilhas, do calor de um corpo e de uma voz melodiosa.


Quem não sente não vive e eu...preciso de viver...

1 comentário:

Filho disse...

Pois é,

Não ter o que se deseja, quem se ama ou o que se aspira leva-nos muitas vezes a dizer que se está vazio, oco, que já não se sente nada por dentro. Partilho da tua opinião: acho que isso não é bem assim. E contra mim falo, logo eu que tantas vezes me assumo cada vez mais frio e cada vez mais dono de uma pedra em vez de um coração...

Sei que não é bem assim. Sei que por mais racionais e por mais insensíveis que sejam as pessoas, a uma dada altura (e às vezes é sempre, mas as pessoas não o querem assumir) todos sentem que está a faltar algo, alguém, alguma coisa...

E nessa altura, só há uma de duas coisas a fazer: ou ignoramos o que sentimos e tentamos fazer com que a vida corra e passe sem que se dê muito valor à falta que nos faz um ser mais próximo, essencialmente; ou assumimos que somos fracos, que somos humanos e que temos sentimentos, os quais muitas vezes não parecem lógicos nem aceitáveis do ponto de vista mais racional...

Porém, não vale a pena tentar racionalizar nada: não mandamos. Pura e simplesmente não mandamos nos nossos corações, nem nas nossas mentes. E quanto mais os mandamos calar, pior é...

Quem ignora, ou tenta ignorar que sente falta de algo, acaba por tentar encontrar sempre uma escapatória mais suave e aparentemente menos dolorosa para evitar pensar, analisar e reflectir sobre os seus sentimentos; quem assume, acaba por ter sempre o fardo do amor não correspondido, do amor mal resolvido, do amor impossível (se é que tal existe), do amor perdido, etc e tal...

Em ambos os casos, a dor é grande, é muita e acaba sempre por nos desgastar...

Como tu dizes e bem, tal como eu afirmo em textos meus e tal como afirma uma amiga minha, todos precisamos de sentir algo para sentirmos que estamos vivos. E o amor é talvez a melhor forma de sentir essa mesma vivacidade, esse mesmo entusiasmo perante a vida. Mas para que tal possa acontecer, temos que nos permitir que o amor possa acontecer, não é? Mesmo que doa, mesmo que pareça ilógico, mesmo que pareça estranho ou irracional...A questão é saber se todos os seres humanos conseguem a auto-permissão para amar. Não é fácil...custa, ai se custa...

E porque um texto como este merece uma conclusão digna (gostei muito deste texto...realmente tem as suas semelhanças com o texto que comentaste no meu blog), creio que vou terminar com uma frase que li num livro que me acompanha há muito...

A dada altura no livro, duas pessoas (um casal) falam sobre amor. Uma delas está a tentar explicar à outra as razões que a levam a amá-la, ao que a outra responde apenas isto: "Shiuu...não digas nada...ama-se porque se ama"...

Nada mais verdadeiro. Por mais que possamos tentar qualificar (eu sei as razões que um dia me levaram a amar e posso enunciá-las todinhas sem problemas nenhuns), a razão é apenas uma: o ser humano ama porque precisa de amar...

Parabéns pelo texto...

Bj