terça-feira, 27 de maio de 2008

Àquela amiga...a ti, Joana...

Perdi-me em risos e lágrimas que vivemos as duas.
O tempo passa e parece que foi ontem que sorrimos uma para a outra.
E, quando mais nada faz sentido, é a ti que recordo. És tu que continuas a proteger-me, a estar perto de mim quando todos os demais estão longe.

Para falar verdade, és o meu porto seguro.

E, quando olho para trás, vendo tudo o que vivemos em conjunto, torna-se muito dofícil imaginar que isso mude.

Poderia transformar em retratos emoldurados, com toda a nitidez, todas as imagens que trago dentro de mim.

O teu sorriso e o teu olhar presos em mim, em momentos de ternura, as lágrimas que silenciamos nos momentos de despedida, o respeito em momentos em que quisemos calar as palavras, as razões, os porquês.
Perdoámos sem ouvir sequer as razões. Ficámos juntas e não deixámos de nos agarrar a isso quando o temporal fazia fraquejar.
Sei que facilmente me encontras quando à minha volta tudo é escuro.

Conheces os meus sentidos.

Tudo o que fiz foi com a convicção de que seria o mais correcto. Mesmo que me tenha arrependido por tanta vez. E, quando isso aconteceu, foste o meu amparo, onde me escondi do mundo.

Por muito que tenhamos pontos de vista ou feitios diferentes, podia passar, sem qualquer esforço, eternidades do teu lado. O teu sorriso e o teu abraço valem tudo...e os momentos - que não são assim tão constantes - de mimo, de carinho e do que chamas de lamechice surgem, sem aviso e, por isso mesmo, por serem pouco abundantes, têm um brilho que só nós sabemos reconhecer, manter e recordar...

...até ao fim dos tempos.

Meu anjo da guarda...

Pensei que escrever-te podia acalmar a falta que me fazes, todos os dias. Teria que o fazer constantemente. Escrever para respirar; respirar para viver. Não importava...se o efeito fosse o desejado.
Sempre foi inimaginável viver sem a presença de ti. Mas acabou por acontecer. Fazes-me falta. Não custa admitir. Custa, sim, saber lidar com isso. Ensinas-me?!

Pensei que saberia aceitar ou perdoar a tua ausência, à medida que o tempo passasse. Mas o tempo passa, a tentar, ainda por cima, levar com ele as memórias que construíste comigo.

Tento dormir mas, de cada vez que fecho os olhos, lá estás tu. A olhar-me e a tentar perdoar-te por teres partido, por me teres deixado em ti. Também eu tento perdoar-te. A ti ou a quem quer que seja essa força que me venceu.

Pensei que o tempo era meu amigo. Não foi.

Tu, que sabes, provavelmente, o porquê de tudo, porque não me podes explicar? Não podia perder-te. Não a ti, que foste sempre a minha resposta nas horas mais cruciais da minha existência; não a ti que eras mais do que aquele grande amor, mais do que aquele grande amigo; tu que eras mais do que as palavras podiam explicar.

Abria-te o meu coração era a chave. Passámos por tanto... E ainda preciso de ti, agora que não estás... Preciso de ti, hoje, como precisei todo este tempo e como vou precisar daqui em diante.
As pessoas não percebem. Dizem que o tempo cura tudo, que acalma a dor. É mentira.

Lembras-te de como fazíamos dos momentos durarem uma vida?
Lembro-me, eu, de como, acima de tudo, me protegias. A tua "canita", a tua menina, contra tudo e todos.

Queria tanto que estivesses aqui...preciso tanto do teu abraço...
Se não tenho como chegar a ti, como me vou aguentar o resto da minha vida?

Eternamente é muito tempo. E é o quanto me parece que teri de viver sem ti!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Recordação...


Os olhos fecharam-se. O sono já não permitia mais um minuto que fosse de vida, de riso, de mimo, de som...

Quando olhei para ti e senti, pela tua respiração, que o cansaço tinha vencido, fiquei muito quieta, só a ver-te dormir...
E sorri...lembrei-me de um dia, já distante em que me disseste a sorrir, também: "adorei quando me disseste que gostas de me ver dormir". É verdade...muito poucos momentos são tão doces para mim. A dormir, perdes as defesas, a máscara, ficas vulnerável, doce, meigo, como uma criança, desprotegido...

Às vezes acho mesmo que foi no momento em que, pela primeira vez te vi dormir, no meu peito, que tive a certeza de que nunca será possível deixar de te amar...talvez...

Ver-te ali, prostrado, adormecido, quieto fez-me imaginar toda uma vida ao teu lado...

Num momento, puxaste-me, em sono profundo, para juntinho de ti e assim ficaste...enrolado em mim e nos cobertores, como se fiesse parte de ti. E faço!
Fiquei com medo de me mexer, de te acordar, com medo de te tirar desse momento só nosso, desse soninho, desse descanço.

Fiquei quieta, com o olhar perdido em ti, nos teus cabelos, nos teus lábios que, não muitos atrás estavam presos em mim, quando a tua respiração se confundia com a minha, testa com testa...
Ninguém é tão perfeito assim...não é possível que seja. Tudo em ti me faz querer -te mais. E tu estás em mim...em cada canto meu, em cada poro...

Não sinto o sono chegar...quero decorar-te! Quero que o teu cheiro não saia de mim, tenho medo do dia que vem...quero ficar assim para sempre!

Acordas e sorris...sabes que fiquei a olhar-te todo este tempo...Não precisas abrir os olhos para o saber...e sei que te sentes amado...é tudo o que sei!
Abraças-me e beijas-me com carinho, muito ao de leve, quase ainda a dormir.
Que posso pedir mais? Estou protegida, tenho-te ao meu lado, sei que nada nem ninguém me podem magoar, porque estás comigo...

Estou feliz, posso dormir..........
Hoje acordei cheia... o sorriso nasceu com o dia...e porque não?? Estou cansada de tê-lo adormecido!

Não há preguiça, não há medo, não há mágoa...ficou tudo na noite!

E quando olhas para mim, quando me preenches o olhar com esse sorriso doce e maroto, tudo fica fácil. Fácil de encarar, fácil de lutar, fácil de viver.

Mesmo que, às vezes, ao sair dessa porta para fora, tudo volte ao antes, tudo fique igual, à minha volta. Cá dentro, já mudou, não há volta possível: estou mais cheia de força, mais cheia de ti e, portanto, mais cheia de mim.

Lembro-me de outros tempos em que me sentia assim, escrevia assim...quando não tinha experimentado, ainda, a dor da perda.
Era o tempo em que o meu melhor amigo de sempre, o meu primeiro amor, o meu (agora) anjo da guarda estava presente. E me fazia olhar para as estrelas e sorrir, porque esteve perto. Era o tempo em que sonhava...

E hoje, acordei com essa mesma "alegria"...um pouco adaptada à falta constante que trago em mim.

Quando olhas para mim, quando olhas mesmo e me vês, quando quase sinto o teu olhar entrar no meu, não há mais nada. Só nós!

E hoje, sou uma pessoa mais forte, por ter sido fraca.


A chuva cai, forte, inconstante na minha janela. E sorrio...porque estás aqui dentro, no meu coração, de onde nunca saiste!

sábado, 17 de maio de 2008

...


Estou sozinha, no meu quarto. Sozinha... Nem um único som, nem um único movimento à minha volta. Imóvel.




Todo o dia foi agitado, alegre, cheio de sorrisos. E, no entanto, os mais próximos de mim perceberam que não estava bem nem sequer estava aqui. Muito embora o tentasse disfarçar com gargalhadas até!




As horas passaram e houve momentos leves, sim, é verdade. Não posso deixar de agradecer a quem, como sempre, esteve comigo. Mas, ao fim do dia, o meu coração pára. Retém-se, no meu quarto, no meu refúgio, só comigo e só para mim.


Falo com ele a toda a hora, na esperança de que se sinta menos sozinho. Não sei se resulta...não custa tentar! (para ser sincera, não tenho feito outra coisa senão tentar!)




Será que ele me ouve?




Estou envolta nos meus pensamentos, que raramente diferem, de dia para dia...


Não há diferença mas, mesmo assim, não deixo de ficar imersa neles! É mais uma noite vazia, uma noite escura para o meu ser...




Tudo à minha volta é nevoeiro, nada pode ser comparavel à imensa nitidez do que tenho dentro da minha mente.




É claro, o que penso...ou, melhor será dizê-lo, é claro em quem penso. Penso em ti, derradeiro ardor da minha memória fogaz. Penso em ti, que me ouvias, que escutavas até o meu silêncio, penso em ti que vias tudo o que eu queria que visses, mesmo quando não estava presente a minha visão. Penso em ti, que me davas tudo o que precisava, penso em ti, que eras a minha versão de masculino, a minha versão de amor, o completar de todo um círculo que prefaz a minha vida.




Penso, inevitávelmente em ti. Eras tu quem me fazia adormecer, à noite, em noites como esta, pois me descansavas no teu peito, e me acalmavas o espírito que, em noites como esta, ficava inquieto.


Eras tu quem, em dias calmos ou em noites escuras me fazia sorrir e me embalava os sonhos. Eras tu quem, sem qualquer sombra de dúvida, me fazia acreditar em mim...




...então, não é possível outra coisa senão pensar em ti.




Tu, que eras a minha nuvem clara, entre as escuras, o meu sonho entre os pesadelos, o meu sol entre as gotas de chuva, o meu ribeiro entre as florestas...


É em ti que penso, quando fico sozinha, no meu abrigo, no meu refúgio que é o meu quarto.


Este quarto também já foi o nosso quarto...estiveste aqui comigo...em dias mais fáceis que estes, menos angustiantes.




Por isso, estou sozinha, agora que não estás...pudessem estar presentes multidões, e continuaria sozinha...




Os pensamentos levam o tempo e dou por mim, ainda imóvel, perdida, jogada na minha cama...é hora de tentar esquecer, de tentar dormir, de tentar esperar sem dramas o próximo momento como este que, com certeza, chegara de novo...amanhã, talvez...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Às vezes queremos, à força, reduzir todas as nossas questões existenciais a um "sim ou sopas". Mas fui aprendendo que há muitas outras respostas que não o "sim" ou o "não" (ou "sopas").
Queremos que seja tudo simples pois complexidade temos q.b. em sentimentos. As respostas, queremo-las sempre directas, sempre fáceis, sempre objectivas. Mas não é possível. Como poderia ser, se as perguntas também não são sempre assim tão precisas?

A balança nem sempre pende para um lado com facilidade, nem sempre é vincada na sua posição. E nem nós somos.
Acho até que, sem estar equilibrada, podia pender para ambos os lados, ou para nenhum.

E é incrível como temos tendência para culpar, pelos nossos erros, pelas nossas escolhas, ou pelas nossas confusões, a complexidade das respostas que a vida nos coloca "à disposição".
Seria bem mais fácil e, quem sabe, menos trabalhoso, aceitá-las, dedicarmo-nos a compreendê-las e lutar, lutar muito pelo que sentimos, para evitar ter que chegar a esse ponto em que as grandes perguntas surgem e as grandes respostas não esclarecem...pelo contrário.
Mas nem sempre o fazemos.

Deixamos que as dúvidas e as grandes questões tomem conta da nossa mente e, quando a resposta, por ventura, doi, fugimos dela. Tentamos abstrair, não pensar...e só quando já é tarde nos apercebemos de que a dor não diminuiu, não desapareceu, não esmoreceu...

E quando é tarde, doi, por vezes mais...e não há nada a fazer...só seguir em frente e não ficarmos presos ao que passou...só assim seremos felizes.

cheia de vazios...


Posso fingir que não sinto, que estou vazia...tantas vezes ouvimos: "estou vazio"; "sinto-me vazio"...porque não fazer o mesmo??

Posso dizê-lo! Posso afirmá-lo como se de uma certeza absoluta se tratasse. Seria mais simlpes, sem dúvida.

Mas não estou vazia! Ninguém está! E quando alguém diz "estou completamente vazio"...não acredito. Posso acreditar que há uma grande ausência de algo importante, mas estar vazio seria estar, literalmente, morto. E, a meu ver, dizer-se que se está vazio é assumir-se, à partida, que se está cheio. Cheio de dor, cheio de medo, cheio de ânsias, cheio de revolta...mas cheio!


E eu podia dizer que estou vazia...completamente vazia...porque tenho um pouco de cada um destes "ingredientes" dentro do peito. Mas não vou fazê-lo!


Não sou melhor nem pior que ninguém por assumir de forma diferente o que sinto, ou não. Sou apenas fiel a mim mesma, como sempre fui, mesmo quando, em resultado disso, sofri das consequências mais tristes que se pode sofrer: a perda.


Mas estou cá, estou aqui, estou de pé! E assim continuarei.


No entanto, estou cheia de uma ausência que nem sequer quero, nem posso, nem consigo descrever, pois é muito própria, muito única, muito...abstracta.


Pode ser carência; pode ser dor; pode ser arrependimento; pode ser aquilo que lhe quiserem chamar. A verdade é que, a este ponto, a minha vida não está, em momento nenhum, em congruência com o que imaginei que estaria, nesta altura. Algumas coisas falharam, outras sairam erradas, outras estiveram perto, mas escaparam-me entre os dedos!


Talvez fosse mesmo muito mais facil se fingisse não sentir nada, mas não me é possível, pois quando menos dou por ela, as letras estão a aparecer à minha frente, sem controlo, sem limite, sem previa decisão para tal.


Sinto não um vazio, mas um peso de ausência.


Se me sinto sozinha?? Sim, muito. E eis a verdade: não sou talhada nem sei lidar com a solidão. Acho sempre que ela me vai corroer, que me vai danificar mais do que o que é obvio (e não é pouco). A solidão tira-me força, tira-me vida, tira-me vontade...

Sinto-me carente, por tudo o que vivi e não está mais aqui, não está mais comigo; sinto-me perdida pelas vidas que comigo se cruzaram e não estão mais presentes para que as possa abraçar e dizer, olhos nos olhos, a grande importância que têm para mim.


Preciso de mimos, de carinhos, de palavras doces, de segredos partilhados, de momentos guardados, de um beijo leve de boa noite e de um bom dia saudoso...preciso de atenção e de vivências, de partilhas, do calor de um corpo e de uma voz melodiosa.


Quem não sente não vive e eu...preciso de viver...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Contigo...

Houve um dia, que hoje me parece tão longínquio em que estive contigo. Estive contigo a todos os momentos, mesmo quando não te podia tocar, mesmo quando a distância estava entre nós, mesmo quando me perdia na chuva, mesmo quando a saudade era maior que tudo. E quando estava contigo, estava também comigo, como em mais nenhuma altura.
Nesse tempo, em que estive contigo, muita coisa nasceu em mim. Muita coisa que não soube definir com clareza, na altura. Soube apenas sentir. Talvez não tenha dado o valor que devia, talvez soubesse o valor que tinha e não me tenha apercebido da importância que tinha para mim, para o alimentar do meu ser que eras, no fim de tudo, tu!

Houve um dia em que o meu sorriso era varrido de qualquer veia de malícia, de qualquer mágoa, de qualquer dor, de qualquer medo. Porque, nesse dia, estava contigo. Nessa altura, esse sorriso era reflectido no teu olhar e no teu próprio sorriso que era meu.
E, nesses dias que passaram, havia um toque que mais ninguém sentia, um olhar que mais ninguém via, um som que mais ninguém ouvia, um perfume que mais ninguém sentia, um amor que mais ninguém vivia!

Nesses dias, as quatro paredes que podiam, ou não, estar a nossa volta eram a protecção do nosso mundo. Nada mais contava, nada mais importava, porque estava contigo. E tu eras o meu ser, o meu coração e eu era o teu ser e o teu coração. E tudo fazia sentido. Na verdade, o sol podia por-se do lado oposto. Não fazia difrença! Porque fazia sentido, se estivesses comigo!

Nesse tempo, corriam lagrimas de saudade pelas horas que passavam em contagem decrescente. Os sonhos sucediam-se. Os momentos acumulavam-se. O amor estava lá.

Podia dizer que foi ironia do destino, que foi por azar, que foi...podia dizer imensas coisas. Na verdade, foi só uma: eu!
Fui eu que afastei de mim a perfeição que contigo fui conhecendo.

Às vezes pensavamos que esta história da perfeição era fruto unica e simplesmente do amor. Não era! A perfeição estava lá. Como sempre, a burrice destruiu-a. Não foram os medos (bem, talvez, um pouco), nem as mágoas (se é que as tinha havido).

Gostava de poder dizer, como numa música tão especial, tão descritiva desta história que me fugiu por entre os dedos: "a nossa história não termina agora". Pois bem, apenas lamento ter deixado que acabasse tão cedo. Que tenha acabdo, simplesmente.

Hoje, podemos lembrar cada momento, cada segundo. Sei que os tens com a mesma precisão que este relógio "tic-tac" que marca os meus passos. Sei que os descreves, se preciso, pelas palavras exactas com que o faço. Sei que os vês com a mesma nitidez com que aconteceram - e acontecem repetidamente, na minha memória. Aliás, podia jurar que os sentes...mas não!

Agora, longe desses tempos, consigo respirar o teu perfume mas, e agora sim, o sol põe-se sem que faça sentido. Porque a contagem já não é decrescente e a saudade já não se mata por entre abraços e beijos que se adivinhavam e se completavam. Já não te espero no terminal dessa linha de um comboio que tardava mas que chegava, nessa altura.

Agora, os meus poros não respiram...são, por ventura, invadidos pelo ar que lhes permite sobreviver, mas que não pedem...é um ar que me é quase impingido!

Agora, o brilho do olhar não é igual...posso até ter vontade de viver - felizmente, ainda a mantenho - e posso até acreditar que vai passar e melhorar - diz-se que o que não nos mata torna-nos mais fortes - mas o embalar dos meus dias é mais lento, perdido entre a linda do tempo e os espaços que percorremos.
Não é eterno, não. Mas eu acrditei que fosse. Infantilidade a minha, sei, já mo disseram. Crenças fortes demais, também. Mas foi assim que levei os dias, foi assim que não contei as horas - pois contá-las, como me permiti fazer outrora, era enloquecer - foi assim que sorri.

E sorrio, sim. Não posso deixar de sorrir e fazer sorrir. Mas quando o sol se pões, lá desse lado que já não sei qual é, eu estou só. E quando todos dormem e sonham (julgo eu, pois eu fazia-o), eu estou sóbria de sono. O mesmo é dizer, desperta!
Fico acordada, a espera que as memórias me deixem descansar, fechar os olhos, mas elas teimam em ficar. E ficam mesmo.

Hoje sei o verdadeiro valor que tinha o teu olhar, o teu sorriso, o som da tua voz, o ritmo do teu paço, a cor do teu cabelo, o cheiro do teu perfume, o sabor do teu beijo, as linhas do teu corpo...o teu coração que era meu.
Hoje, que sei de tudo isto, sei também que o tempo não perdoa...e não perdoou. E "quando a chuva passar", como passava antes...não estarás lá, para me enxugar. Para me tirar do frio, entre o teu colo e os abraços que eram so teus.

E, mesmo que as lágrimas encham os meus olhos, prometo que não choro, como diz uma música que me acompanha...porque saber-te a sofrer me fez sempre sofrer e continua a ter o mesmo efeito! E sei que, pelo carinho que nunca poderemos perder, achas que me fazes sofrer.
Pois então deixa-me corrigir-te: não és nem foste tu que me fizeste sofrer. Porque pior que o que poderei sofrer com a ausência de tudo o que fomos, naqueles dias, é saber que, ainda nesses dias, te causei eu a perda inesperada do que era, já, a nossa vida.

E, agora, ainda que com peso na alma e dor no coração, por saber o quando o tempo roubou de mim a possibilidade de te trazer de novo para junto do meu peito, a possibilidade de voltar a adormecer no teu abraço, saber-te bem é um consolo inconsolado......

Perder tudo o que hoje sonho que poderia viver a cada momento, lembrar os teus traços e o teu riso, o teu orgulho em mim, em momentos importantes que vivo agora faz-me gelar um pouco mais o sangue que devia correr quentes nas veias salientes e no pulsar do coração.

A vida está cá, e vivo-a...mas nunca terá o mesmo sabor sem ti...


*Coelhinha*