sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A noite nunca me pareceu tão longa. As horas teimam em não passar. Ouço a minha própria respiração nervosa e ansiosa e a chuva caia ruidosamente na janela, como se quisesse parti-la.
O coração, acelerado, diz-me que era preciso descansar, para que o tempo voasse. Mas o sono não vem, mesmo assim.

Às voltas e voltas, os lençóis que estiveram esticados, estão agora presos em mim. Quase sufoco, com esta agitação.

Quando finalmente a noite passou, quando finalmente o cansaço vençeu, o despertador tocou, e o meu dia começou.

Mas a agitação não acalmou, o coração não abrandou e o nó na barriga parece querer aumentar à medida que o tempo (não) passa.

Onde estarás? Olho para o céu, à espera de ver um qualquer avião que, com esperanças desmedidas, me convença de que estás a caminho. Mas se há dias em que o céu me parece uma auto-estrada, hoje não é um desses dias.
Não tenho como saber de ti, não tenho como perguntar por ti. Só posso esperar que me dês um sinal, que me procures.

Estás a chegar, que eu sei. Alias, a esta hora, tens que estar, já, em terras lusitanas. Mas tenho que continuar a esperar...

Acho que tenho o coração na boca, prestes a sair disparado.

Vem depressa...tenho saudades...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Existem daqueles momentos na vida em que questionamos tudo. Toda a vida questionamos o que nos apoquenta o espírito e só tomamos como verdadeiro aquilo que está diante de nós (e mesmo assim, ai Jesus, porque continuamos a ignorar evidências como se estivéssemos a rejeitar uma tortura).
Mas nestes momentos, a que me refiro, questionamos o que vemos, o que ouvimos e até mesmo o que sentimos.
Parvoíce?? Não, nada disso.
Questionamos porque nos pareceu tão óbvio durante tanto tempo e, agora, de um momento para o outro, o que está ali, bem à nossa frente, parece tão estranho, tão ilógico, tão irracional...
É nestes momentos que me perco em raciocínios abstractos e me pergunto, vezes sem conta, onde será que perdi o fio à meada nestes caminhos? Já não sei distinguir o que é normal do que não é, porque parece que tudo à minha volta está de pernas para o ar!
Não sei se a minha vida está a andar no sentido oposto ou se simplesmente estou confusa.

Como se as luzes da uma rua estivesses ligadas em pleno dia e desligadas pela noite dentro. Repito: tudo ao contrário!

"um dia não são dias"...esperemos!

domingo, 30 de novembro de 2008

Fotografia

Tenho-a na mão, a esta fotografia e fito os olhares que sabia fazer, tão espontâneamente, em pequenina.

Então, apercebo-me, não é uma fotografia que tenho na mão, é toda uma caixa de memórias que já não me assolam os pensamentos com a mesma frequência do que terão feito, com certeza anteriormente mas que, asseguro a mim mesma, ainda consigo encontrar com alguma facilidade sempre que tento fazê-lo, de resto.

Há brilhos que se perdem...mas há olhares que ficam, como aqueles que fazia, em pequena, a espera que o flash da máquina fotográfica captasse os meus pensamentos e os meus sonhos.
Só era impossível esperar que olhasse mais tarde para este pedaço de papel e invejasse o olhar maroto e brilhante que sabia oferecer sem esforço, nessa altura...

Onde será que se perdeu, aquele sorriso pequenino que hoje não sei, nem a esforço, fazer da mesma forma?

Era mais fácil se conseguisse ficar presa naquele momento, que agora tenho na mão e que temo em pousar, não vá aquele sorriso perder-se de novo, aquela espontaneidade inocente que trazia segura e como um dado adquirido!

Por breves instantes, revivo tudo o que não volta atrás. Mas, por outro lado, não teria o mesmo som, nem sequer a mesma côr repetir infinitamente os mesmos momentos...
Sou diferente e posso até ter perdido esse sorriso e esse olhar. Mas terei, com certeza, ganho outros...e saberei viver com eles...