segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pacto de amor




Façamos um pacto. Não precisa de ser de sangue, saliva ou suor, embora todos estes fizessem sentido entre nós.

Façamos um pacto em silêncio, só através do olhar. Não seria a primeira vez e, entre nós, mais facilmente não são entendidas as palavras. O silêncio é, muitas vezes, o nosso maior aliado, já que nos revemos no olhar um do outro!

Façamos um pacto vitorioso, sem margens de erro.

Um pacto entre mais que dois amantes, mais que dois aliados.Um pacto que te traga comigo mesmo quando estás longe; mesmo quando não estás.

Não é um pacto de fidelidade, porque a fidelidade não é um pacto, é um princípio; nem um pacto de felicidade porque a felicidade é uma consequência das atitudes e dos sentimentos (e de tantas outras coisas impossíveis de descrever)...

Façamos então um pacto que nos una. Um pacto de coração, que nos deixe um com um outro. Que me leve no vento para te segredar a falta que me fazes; que me traga notícias tuas cavalgando em segredo a distância que nos separa; que me leve a descansar no tue peito quando o dia termina em dor, pela tua ausência.

Este é o pacto que quero fazer contigo. Um pacto em silêncio, um pacto de coração que te traga para junto de mim, quando não estás...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Quatro anos passados...

É verdade...passaram quatro anos. E, sem nunca ter esperado, estes quatro anos têm um peso de séculos que terei de carregar para toda a vida: o peso da saudade.

Tenho cheiros, cores, sons e imagens cravadas no peito.

Olho o meu traje como a um tesouro e apercebo-me de que nunca poderei sentir tanto orgulho de algo.

O sal das lagrimas não tem, sequer, tempo de secar...não param de correr...

E, sem querer, percebo que sinto um arrependimento enorme, por tudo o que ficou por viver: apaixonei-me por Coimbra mais tarde do que gostaria.

Nada será igual...nunca mais.

Ensinaram-me, pessoas muito especiais, a amar Coimbra muito mais do que se ama a outra coisa qualquer.

E, apesar de não ter tido padrinhos como gostaria, que me acompanhassem, percebo agora que tenho, sim, bem mais que dois padrinhos. Tenho pessoas lindíssimas, que me foram apadrinhando ao longo do tempo, ao estarem do meu lado, ensinando-me coisas tão importantes, que nunca esquecerei, ao viverem tanta coisa comigo, ao fazerem parte de tantos momentos importantes.

Tentei ser a madrinha que não tive e, hoje, orgulho me dos meus afilhados porque cada um deles, à sua maneira, me dá muitos motivos para isso.

Passam imagens pela minha memória, e consigo viver tudo de novo.


E, ouvindo a "minha" (desculpem-me a presunção) Balada da Saudade, relembro a primeira vez que a ouvi. Debaixo de um imenso arrepio, vi lágrimas em todos os rostos de capa traçada. Não entendi, mas senti, sem saber.
Hoje, eu sou um desses rostos. E nunca vou saber explicar o que senti quando, na minha última latada, me vi sem possibilidades de trajar. Um pedaço de mim não esteve ali.

Não posso deixar de agradecer aos que me ajudaram a viver Coimbra e comigo se despedem (ou de mim se despedem). Sentirei, todos os dias, a vossa falta.

Obrigada pelos valores que me transmitiram e os sentimentos que me mostraram.

Sou uma pessoa melhor por ter passado por aí, pela cidade que trarei, para sempre no coração.

Hoje sei-o: só quem vive Coimbra conhece a sua verdadeira lição. Está quase na hora de partir e esta é a contagem decrescente que mais doi, mais fere, dentro do peito.

Muitos dirão: "estás a um passo de Coimbra, voltarás sempre que quiseres". Voltarei, sim...Mas visitar Coimbra e viver Coimbra são coisas tão difrentes que não conseguiria explicar.

Então, "desculpem as lágrimas, pois é a emoção, já é a saudade, já é a saudade no meu coração..."

As pedras que pisei têm o meu rasto e um pedaço de mim por lá ficou.
Há sorrisos espalhados por Coimbra, mesmo quando não se ouve senão o silêncio (coisa rara).

Não tenho forças para expôr o que sinto. De certa forma, perdida, logo agora que me tinha encontrado. A palavra "adeus" é dificil de pronunciar cá dentro do peito.

É claro: "Cidade contigo meu amor ficou"...

Um grande obrigada a todos os que de alguma forma me fizeram sentir Coimbra de uma forma tão linda...tenho a certeza que sabem quem são! :)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Cumplicidade

Estou quieta...imóvel...
O silêncio só é quebrado pelo som da tua respiração ritmada, constante, segura, doce...

Os passos, lá fora, já não se ouvem, as gargalhadas calam-se aos poucos. Só estamos nós. Estou a afogar-me no teu olhar...

Estamos sós dentro destas quatro paredes e, no entanto, sinto-me tão cheia de vida, tão cheia de ti...

Conheço-te como é impossível conhecer outro alguém. Conheço-te poro por poro, milímetro a milímetro, pormenor a pormenor. E tu conheces-me...
Percorres-me com a ponta dos dedos, quase sem me tocar, como quem toca algo perfeito que eu não sou. Percorres-me com o olhar, preenches-me com beijos que reconheço e prevejo.

Estamos juntos. Com a testa encostada à minha é assim que te sinto: como parte de mim.

Pertence-te o meu ser. Corpo, mente e coração, não necessariamente por esta ordem, se é que ela existe.

Procuro-te mesmo quando sei exactamente onde estás. Mesmo quando estás à minha frente, colado a mim...mesmo quando estás dentro de mim. Procuro-te guiada pelo receio de perder um gesto, um segundo, um olhar. E tu estás logo ali. Como quem sabe, quem sente que te procuro e quer evitar essa busca, quer evitar qualquer cansaço, quer evitar qualquer dor.


Posso dormir ao teu lado como não posso dormir em mais local nenhum, fazendo do teu peito a minha cabeceira, do teu tronco parte do meu, das tuas pernas o meu descanço.
Quando acordar, sei exactamente como te tocar, sei exactamente como te sentir, sei exactamente como te falar, porque és parte de mim.

Não existem almas gémeas. Não és a minha alma gémea. És, sim, a minha razão, a minha única e grande razão. És, sim, a metade que não perdi porque foi sempre minha e que, junto de mim, forma um único ser. As almas gémeas não formam um só...formam duas "peças" iguais. E nós não somos iguais, somos um só.

Nada encaixa com a mesma perfeição.

Estas deitado ao meu lado e o mundo desapareceu para lá das paredes que nos cercam.
Não disse uma única palavra.
Mas tu sorriste, porque compreendes tudo aquilo que no silêncio eu calei. Cumplicidade...muita cumplicidade...