quarta-feira, 10 de março de 2010

Enquanto estiveste...

Sinto falta de te ver rir.

É estranho como a vida muda a nossa perspectiva das coisas. Como as nossas prioridades giram em torno daqueles que nos fizeram bem, ao invés daqueles a quem nós fizemos bem.

Tenho saudades desse brilho no olhar.

Até quando te vais fechar nessa concha impermeável? Até quando me vais fazer segurar as mãos e os pés em prol desse espaço neutro que precisas quando a vida te prega alguma rasteira?

Foste tu quem me reconstruiu o chão. Foste tu quem levou os meus fantasmas, os meus medos e as minhas mágoas. Trancaste-as num sítio qualquer que te recusaste a dizer-me e eu me recusei a perguntar. Levaste todo o temporal que tinha (ainda) por cima de mim e fizeste-me renascer! E agora, dói-me que não me deixes entrar nessa concha, que não me deixes tomar conta de ti como tu tomas conta de mim...que não me deixes ficar calada, do teu lado, em silêncio se for preciso, enquanto não quiseres falar, que não me deixes ouvir-te ralhar se assim quiseres.

Sinto-me insegura, sinto-me baralhada e sinto-me impotente.

Habituei-me de tal forma à tua presença, que não quero (não sei se sei, mas não quero) perdê-la. Habituei-me de tal forma que preciso de sentir que estás, mesmo quando não estás, como antes sabes? Como fazias quando sentias que eu não estava bem.

Às vezes um sorriso muda tudo, sabias? Claro que sabes. Foi sempre o teu sorriso, aquele sorriso.

Não precisas de ter medo. Não vou querer de ti mais do que aquilo que podes dar. Como sempre foi, como sempre será.

Foste tu que me disseste que nunca nos abandonaríamos. Porque é mágico, não é?

Então como podes tu afastar a magia quando os teus olhos estão baços?
Gosto de ti quando ris tanto quanto gosto quando choras.

Mas tenho saudades. Tenho saudades de um abraço daqueles que me tira os pes do chão...e me faz voar.

Tenho saudades de uma gargalhada cumplice, tenho saudades de sorrir (como agora) por me lembrar de momentos nossos, sem a seguir ficar melancólica porque estás tão perto...e bem mais longe do que alguma vez estiveste!

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