"Para o ano Março vai ser um ano muito especial...a Joana está grávida"
Achei que era o dia mais feliz da minha vida. Começou, aí, a história do Santiago.
E, no dia 17 de Março de 2008, apaixonei-me pelo bebé que ela trazia, deitado no colo, a dormir.
Não podia, nesse momento, por mais que quisesse, encontrar palavras para que alguém à minha volta conseguisse entender, mesmo que por traços leves, aquilo que o meu coração sentia.
Não é "o filho de uma prima". Não é um filho qualquer, não é uma prima qualquer. Era a continuação da pessoa que tomei, desde pequenina, como o meu exemplo. O rebento do amor que quis proteger, que quis ter sempre a certeza de que não teria fim. Um pedaço da minha "irmã mais velha", da madrinha que EU escolhi, do meu "ídolo". Era o Santiago.
Durante dois anos, conheci o amor mais puro de todos. E ganhei uma razão. Para sorrir, para ter coragem, para amar muito. E ele é GRANDE. Só pode ser, para me dar tudo isto naquela figura pequenina e sorridente, de covinhas na cara e brilho nos olhos.
Santiago, muitos parabéns, meu anjo, pelos teus dois primeiros aninhos e pelo que tens feito nas nossas vidas. Transformaste todos nós, mudaste os nossos corações, deste-nos todas as razões para sorrir.
És tu que abres um sorriso onde ele já não parece existir, só por apareceres.
E vais ser muito feliz, sei que vais...
Joana, parabéns pela grande grande mulher que foste sempre, e pela grande mãe que tens sido.
Já to disse, digo de novo: tenho muito orgulho em ti! Mais do que possas imaginar...
É estranho como a vida muda a nossa perspectiva das coisas. Como as nossas prioridades giram em torno daqueles que nos fizeram bem, ao invés daqueles a quem nós fizemos bem.
Tenho saudades desse brilho no olhar.
Até quando te vais fechar nessa concha impermeável? Até quando me vais fazer segurar as mãos e os pés em prol desse espaço neutro que precisas quando a vida te prega alguma rasteira?
Foste tu quem me reconstruiu o chão. Foste tu quem levou os meus fantasmas, os meus medos e as minhas mágoas. Trancaste-as num sítio qualquer que te recusaste a dizer-me e eu me recusei a perguntar. Levaste todo o temporal que tinha (ainda) por cima de mim e fizeste-me renascer! E agora, dói-me que não me deixes entrar nessa concha, que não me deixes tomar conta de ti como tu tomas conta de mim...que não me deixes ficar calada, do teu lado, em silêncio se for preciso, enquanto não quiseres falar, que não me deixes ouvir-te ralhar se assim quiseres.
Sinto-me insegura, sinto-me baralhada e sinto-me impotente.
Habituei-me de tal forma à tua presença, que não quero (não sei se sei, mas não quero) perdê-la. Habituei-me de tal forma que preciso de sentir que estás, mesmo quando não estás, como antes sabes? Como fazias quando sentias que eu não estava bem.
Às vezes um sorriso muda tudo, sabias? Claro que sabes. Foi sempre o teu sorriso, aquele sorriso.
Não precisas de ter medo. Não vou querer de ti mais do que aquilo que podes dar. Como sempre foi, como sempre será.
Foste tu que me disseste que nunca nos abandonaríamos. Porque é mágico, não é?
Então como podes tu afastar a magia quando os teus olhos estão baços? Gosto de ti quando ris tanto quanto gosto quando choras.
Mas tenho saudades. Tenho saudades de um abraço daqueles que me tira os pes do chão...e me faz voar.
Tenho saudades de uma gargalhada cumplice, tenho saudades de sorrir (como agora) por me lembrar de momentos nossos, sem a seguir ficar melancólica porque estás tão perto...e bem mais longe do que alguma vez estiveste!
O tempo passa...passou, já, tanto tempo...
E todos os dias, quando olho para estes momentos que se eternizaram com um flash momentâneo, tomo consciência de que ali, naquela cidade, naquela caixa de segredos que só conhece quem por lá passa (realmente, é bem verdade), ficou um pedaço do meu coração, uma parte de mim.
Marquei as pedras que pisei como elas me marcaram a mim...
E vivi sonhos, vários sonhos!
Poucos daqueles que por ali passaram vêm embora de ânimo leve. Poucos são os que não conhecem uma paixão suprema que é o Mondego. Poucos ficam indiferentes, poucos são aqueles que, ao despedir-se de Coimbra, podem dizer que são os mesmos que, alguns anos antes, ali chegaram.
Mas acredito que, assim como eu, a maior parte relembra o primeiro dia com a exactidão de um relógio.
Conseguiria rever esse momento, com a maior precisão, com cores e cheiros, com sons e com sabores.
8:45...a minha primeira entrada na escola que mudou a minha vida. Na escola que me ofereceu a melhor praxe e as melhores pessoas (prefiro lembrar-me apenas destas), os melhores momentos da minha vida. ESEC...
E os momentos sucedem-se...a primeira vez que ouvi a Balada da Saudade e chorei sem perceber muito bem porquê...(vim a perceber pouco tempo depois quando, de capa traçada, percebi que o tempo corria e, aquela Balada da Saudade que cantei, seria o primeiro passo para uma despedida que queria, a todo o custo adiar).
Não podia deixar de mencionar, sem deixar de me lembrar de toda a gente, algumas pessoas em especial, que me ensinaram, a cada dia, o valor do espírito académico mas, sobretudo, o valor de ser Esequiano.
Joana, pois claro. Foste a minha ponte e o meu pilar. Foste a minha voz quando ela me faltou e o meu sorriso quando ele se desvaneceu. Foste o meu porto de abrigo e a minha lição de vida. Foste o exemplo que quis ter sempre por perto...e que me quis sempre por perto. Fizeste desta passagem, a melhor da minha vida. Fizeste de mim alguém melhor.
Mara, foste tu quem me recebeu, na semana da praxe em que trajei pela primeira vez. Que me inseriste no seio de pessoas que nunca mais quis perder, que me trouxeste a minha primeira afilhada de quem me orgulho tanto, que riste comigo e choraste comigo. Foi através de ti que me aproximei de um Mundo do qual me mantive bem mais a margem, no primeiro ano, do que viria a querer ter feito.
Tixa e Vânia. Falo das duas no mesmo degrau. Falo das duas, pela forma como me marcaram. As minhas primeiras afilhadas, que viveram comigo tanta coisa e me ajudaram a tentar sempre ser uma boa madrinha...porque melhor que ninguém, vocês mereceram tudo!
Laurindo e Natalina. Aos dois...nem tenho palavras. Posso dizer-vos apenas que, na ausência de padrinhos, foram vocês que, dentro do meu coração, desempenharam esse papel. Pelas conversas, pelos momentos, pelos ensinamentos, pela confiança, pela força e, sobretudo, pelos enormes exemplos que foram para mim. Merecem todo o meu respeito, todo o meu carinho...de quatro, para vocês...
Sofia...minha babe, que me acolheste, que me sooubeste conhecer, que entraste de mansinho na minha vida e te tornaste parte de mim...obrigada por tudo, mesmo!
Os meus afilhados Maria, Andreia e Filipe...por quem tenho o maior carinho, pelo que fizeram de mim, pelos bons momentos, pelo que me permitiram transmitir-lhes.