Preciso de tempo. De espaço. De mim.
Mas vou precisando cada vez mais dele e isso não me deixa segura; assusta-me.
Todos os dias dou mil voltas à cabeça para tentar perceber aquela mente, aquele jeito de ser, aquele coração fechado aos olhos de (quase) todos. E se, por momentos, sinto que consigo uma pequena vitória, rapidamente dou passos para trás como se não tivesse feito o menor progresso ao longo de todo este tempo.
Porque é mágico, diz-me ele, de quando em quando. É mais do que se pode explicar. Mas se é mais do que se pode explicar, penso eu, devia ser possível sentir sem medos. E não é! As vezes acho é que é mais do que se pode sentir. E, se não puder sentir, não faz sentido.
Mas faz, diz ele. Fará todo o sentido quando me explicar os quês e os porquês de tudo o que nos tem travado do que quer que seja que nos está, há tanto tempo, reservado. Se ele me explicasse... Oh! Se ele me explicasse eu podia saber de mim. Conhecer a minha vida. Nem sequer falo em futuro, só em presente. É estranho não conhecer o meu presente, não é?
Estou na corda bamba. Tenho um nó no cérebro. E não consigo desfazê-lo sozinha, sem ele.
E é exactamente isso que me assusta. Eu não preciso disto. De ir sendo feliz aos poucos, de esperar, de me perguntar mil vezes o que sou e o que significo. Mas sem dar por ela, fui precisando dele.
Fico tonta só de pensar naqueles olhos esverdeados a brilhar. Embriagada pelo som das gargalhadas dele.
Era só um amigo! O mais especial dos amigos, disse eu e disse ele, tanta vez. Negámos incessantemente que fosse mais do que isso e, quando demos por nós, estávamos a confessar desejos e sentimentos reprimidos ao longo do tempo.
Uma sina. Um bruxedo. Ele atribui mil razões ao facto de não conseguirmos, por mais que tenhamos vontade, estar juntos. E eu sei que ele é sincero.
Fico cheia de medos. Tantos, que me esqueço de dizer que é ele que me faz sorrir de manhã, quando acordo. É ele, que não amo e não me ama, que me faz sorrir a toda a gente. É ele, que sente a minha falta e me abraça quando chega daqueles dias intermináveis.
Ele é quem esteve sempre ao meu lado e soube por de parte tudo o resto quando precisei de um amigo.
Ele é aquele que me faz sentir linda...única.
Ele é aquele que mima, que me protege e que me fala com o olhar.
Ele não é meu. E eu não quero que seja. Quero o como ele é, sempre que seja possível tê-lo por perto. E permito-me querer que esses momentos se prolonguem o mais possível.
Sinto-me uma pré adolescente a sentir borboletas no estômago pela primeira vez. Não é amor, não é (só) amizade. Não sei o que é. Mas sei que é óptimo, que adoro sentir-me assim! Sei que ele gosta de mim. E é um gostar tão especial, tão carinhoso, tão platónico, tão nosso...que me basta que ele goste de mim! Porque é dessa mesma forma que também eu gosto dele!
Lembro-me dele. Todos os dias! Fico feliz quando me lembro dos pequenos mimos, das palavras e dos abraços. Fico feliz até de me lembrar dele a entrar no café, de cigarro não mão e de sorriso nos lábios, a cruzar o olhar com o meu. Fico feliz quando de longe, me permite ver o nome dele no ecrã do telemóvel, só para que eu saiba que se lembrou de mim.
É ele que me faz ter medo, pelo que já passei (e ele também) do que aí vem, do que pode vir. Mas é ele, acima de tudo, que me faz querer arriscar, perder o medo, estar junto dele.
Adoro-o...e sinto que ele me adora.
Talvez venha a ser apenas uma história que mal começou, mas a vida pode não nos dar tempo para "ses" e para "porquês"...e se esta história não passar do meio, fui feliz enquanto durou.
Um beijo bebé...