sábado, 30 de agosto de 2008

Voltar atrás



Hoje não acordei com um sorriso nos lábios, com aquele impulso de correr para ti.

Não vi no dia a clareza que via, não senti senão um peso imenso que me impediu de querer sair da cama.

Os olhos não tardaram a inundar-se, tornando tudo à minha frente numa névoa...

Hoje, olhei-me ao espelho e vi que não consigo gostar do que vejo. Nada tem o mesmo sentido, nada tem o mesmo valor.

Queria perceber. Mas talvez não haja nada para perceber.

Não quero dormir, porque sei que os sonhos voltam, tão reais, para me arrancar o descanso. Já não tenho vontade de pensar no futuro porque não lhe encontro caminho.

Qualquer razão que tenha havido para que tudo se perdesse, eu não conheço. Não sei lutar sobre o vazio, porque não tenho armas para o que desconheço.

E ninguém sabe, ninguém pode saber, o quanto sinto pequeno o meu coração, o quão apertado sinto o peito...

Não consigo escrever com o coração, como me disseram, não consigo escrever nem pensar com nitidez...

Falta-me algo dentro de mim e queria saber, de uma vez por todas, saber lidar com isso, seguir em frente. Mas algo me prende...

Falta-me a coragem para continuar a acreditar com a mesma força, ou para deixar de acreditar de uma vez por todas.
Estou presa aqui, em mim, sem saber quem sou, sem saber reagir.

Quero gritar, mas estou demasiado cansada para isso.
Quero fugir, mas as pernas não me deixam.

O meu coração, de tão pequeno, ainda não perdeu a habilidade (como a detesto) de controlar todo o meu ser.

Se me deixar ficar, vou definhar. Já o sinto.

Mas não sei se quero partir...

Queria, realmente, entender...ou simplesmente, voltar atrás...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ainda...


Ainda sinto o teu cheiro. Está cravado em mim.

Ainda tenho húmidos os lábios, do beijo que me deste antes de partir.


Ainda sinto o mesmo impulso de te passar a mão no rosto e sorrir, mesmo quando arqueias a sobrancelha em sinal de aprovação disfarçada.


Ainda quero dizer-te que te amo, qd me deito ao teu lado e entregar-me, como se disso dependesse que soubesses o que significas para mim.


Ainda choro, quando olho para um ecrã que não passa disso, a não ser dentro de mim, em que revejo os momentos, os sentidos...


Ainda deixo incontrováveis as mensagens de "bom dia" e "boa noite" que me habituei a trocar com um sorriso e o desejo de te ver...


Ainda penso em ti como meu companheiro para toda a vida...


Ainda és a minha metade...


Ainda te amo...

sábado, 23 de agosto de 2008

Quando a chuva passar



Partilhando o que não é suposto...já escrevi e apaguei os paragrafos que me foram saindo por mais que uma vez. Parece-me que as palavras que escrevo não acompanham a força que esta música tem.

Podia explicar o porquê da minha escolha mas, perdoem-me, não vou fazê-lo. Vou guardar todas as razões pra mim.
Pesa-me contá-las, tal como me pesa (por vezes) lembrá-las. E nem sequer me parece relevante.

Para falar a verdade...parece-me muito pouco provável que alguém consiga ouvir esta música sem sentir um friozinho no estômago, sem se lembrar de algo ou de alguém, sem se perder em momentos. Estou errada? Perdoem-me se estiver e perdoem-me também a pretenção de achar que não...

As vezes que ouvi esta música, todas elas me fizeram voltar atrás num tempo que nem sempre me parece correctamente ordenado.

Não considero, tão pouco que seja absolutamente necessário dicertar muito sobre ela. Tenho a certeza que em cada mente e em cada coração se (re)constrói toda uma história e falar sobre a minha só poderia ser egoísmo.

Então, vou saber lembrar-me de quem me fez viver toda uma vida nos poucos minutos que Ivete canta "quando a chuva passar"...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Segredos



Chega-te a mim, bem pertinho...
Deixa-me encostar ao teu ouvido os meus lábios, de tal forma que sintas um arrepio levezinho em todo o corpo com o meu sussurrar, com o sopro das minhas palavras a percorrerem-te...

Encosta o teu pescoço ao meu...

Quero dizer-te um segredo!

Podia gritá-lo, ouvi-lo-ias à mesma, mas quero que seja só nosso: teu e meu...

Chega-te, devagarinho, para ninguém notar...

Quero murmurar palavras que não se percam pelo caminho, que saiam de mim directamente para ti...

Podia dizer-te o que quero dizer de qualquer outra forma...com a imensidão de hipóteses que existem...mas não seria a mesma coisa.

Para além do medo de que alguma palavra, alguma entuação própria do que te quero dizer se perca no caminho, não poderia ter o mesmo efeito. Que seria da intimidade de um segredo só nosso??

Vem deitar-te juntinho a mim, chega a tua cara à minha, aproxima-te com jeitinho da minha boca, para que possas sentir o movimento dos meus lábios roçarem a tua orelha...

Talvez já saibas mesmo o que te quero dizer! Não faço questão de que seja uma notícia, uma novidade. Pode perfeitamente ser uma "novidade velha"...só faço questão de que seja nossa, todinha e unicamente nossa.

Será como selar um pacto, um acordo, uma união que nada quebra. É o nosso segredo...

Gosto de segredar coisas bonitas e ver a luz dançar nos teus olhos. Sabes bem o efeito que isso tem em mim. Sabes sorrir da maneira correcta no momento exacto. Sabes quando penetrar em mim com essa expressão de quem sente o que digo da forma mais única que se possa imaginar.

Gosto que todos os teus pelos se levantem ao som dos meus sopros, ao ritmo do arrepio que percorre o teu e o meu corpo.

Basta um segredo...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Como vai você?



Há musicas que, pelo menos para mim (e peço desculpa pela ousadia da generalização), permanecem...

"Como vai você...?"
Todas as perguntas, todas as palavras, todos os segundos...é fácil pensar em alguém quando se ouve uma música assim...ou não será?

Fico pousada em momentos de nostalgia e consigo sentir até os cheiros daqueles momentos que me passam agora pelos cantos da memória.

Que fácil se torna lembrar as lágrimas da saudade que brotaram tanta vez dos meus olhos, as lágrimas de mágoas mal curadas, as lágrimas de desejos, as lágrimas de amor, as lágrimas de angústia, de solidão, de dúvida...

Às vezes ainda aparecem, para me recordar das noites em claro, da companhia de fotografias que desejei tanta vez que ganhassem vida...para me recordar daqueles que nunca esqueço...

Vem...

Quis, tanta vez, poder implorar que viesse, a razão das minhas lágrimas, consolar todas as minhas mágoas...

Hoje, continuo a sentir cada nota desta melodia, cada arrepio na espinha, continuo a ficar presa em nós no estômago e em tremores de queixo, de quem adivinha que o sal está prestes a rebentar...

Hoje, ao lembrar aqueles momentos, ao lembrar aquele sofrer miudinho de amores que nascem, como se de uma criança eu me tratasse, é bem verdade que queria apenas saber "como vai você"...

É impressionante, com o passar dos anos, a forma como se manteve sempre esta luzinha dentro do meu coração. É saudade, com certeza. É saudade de quem me soube acarinhar e magoar em momentos tão distintos e tão próximos, ainda assim...

Como estará o coração de quem me amou, de quem me soube despertar quando a apatia me roubava os dias?

Como será possível que o tempo nos tenha realmente afastado?

Como é que as memórias se tornaram nisso apenas? Memórias...

Que é dos sorrisos inocentes e das gargalhadas que me faziam ficar com nervoso miudinho, quando olhava naqueles olhos?

Era tudo bem mais simples...mas, de resto, achamos sempre que os tempos que passaram são mais fáceis que os que agora nos detêm...

Agora, com os sentimentos mudados, com os pensamentos limados e com corpo e mente bem mais crescidos, sinto falta do carinho que era só mesmo carinho, do desejo que os beijos matavam mas não apagavam e voltava sempre, segundos depois...

Agora, que o vento que me bate na cara já só revolta esta saudade, este "bichinho" que é a nostalgia, queria ficar sentada na areia e ver as ondas levarem todos os porquês que o tempo não soube acompanhar...

Agora, que a paz me falta e a distância me perturba, "eu só preciso saber, como vai você?"

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Medo

As vezes tenho medo.



Tenho medo que o tempo corra sem que eu o consiga agarrar ou, pelo menos, acompanhar...



Tenho medo que a vida passe por mim e eu não saiba sorrir-lhe no timing perfeito...



Tenho medo de não ter a coragem de bater à porta fechada, só para não incomodar...



Tenho medo que o lume se apague por eu me deixar vencer pela apatia, em frente a ele...



Tenho medo de não saltar, só para não partir a corda que tenho debaixo dos pés...



Tenho, sobretudo, medo de perder a grande força a que me agarro quando as nuvens são cinentas e a luz não é suficiente para que eu siga o meu caminho.

Mas, entretanto, vou tendo medo "aos bocadinhos", porque estás comigo, porque me fazes sorrir e achar, realmente, que vai ficar tudo bem!

E sabes que mais?? Vai mesmo, pelo menos, enquanto estiveres por perto...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Entra!



Entra!

Não batas à porta! Isso dá-te um ar tão formal, tão discreto e, sobretudo, tão pouco íntimo que mal te reconheço!
Não faças cerimónias! Nunca fomos disso, pelo menos um com o outro!

Entra!

Os passos não custam! Entra e acende as luzes por todo o lado onde passares. Hei-de estar nalgum lado, não ficas sozinho!!

Entra!

Faz um café, descalça-te...põe-te à-vontade! É assim que nós somos, ou não é?

Entra!

Esquece-te de ficar meias horas a gastar o tempo e a cultivar memórias enquanto esfregas as solas nos tapetes! Esquece-te de que existem campaínhas! Esquece-te das maneiras e dos requintes!

Entra!

Fica sentado no sofá ou no chão, se te apetecer, não fiques em pé!

Entra!

O tempo urge, e as esperas são inúteis!

Entra!

Procura o teu canto, deixa as tuas coisas e, se quiseres, muda-te de maas e bagagens!

Entra!

O meu chão está limpo de preconceitos, de vazios e de espaços em branco!

Entra!

Este tecto também é teu, e se chover, vai proteger-te!

Entra!

Não me chames, não vale a pena...seja a que horas for, estou à tua espera, vou saber sentir-te chegar...

Entra!

Faz o que quiseres, pensa o que te aprouver, mas entra...

E já agora...fica!

Porque esta não é uma casa...é o meu coração

páginas...

Há uma página que dedico a ti.
O tempo passa e destrói tudo o que é material, mas essa página, por mais que ardam lumes revoltos, por mais que caiam chuvas tempestuosas, não se deixa abalar. Está intacta, como se estivesse guardada, desde sempre, num cofre que ninguém poderia saber abrir, que nada consegue destruir, que nada consegue apagar.
Está intacta e nova, como se a tivesse acabado de escrever, ainda agora.
E ainda que não te possa chegar, que não te possa tocar, posso abraçar essa folha, posso beijá-la e manchá-la com o sal das minhas lágrimas. Não é questionável: é imortal.
Não lhe conheço o cheiro, como conheço o teu; nem lhe traço as vontades. Mas refugio-me nela quando te quero perto.
Nem sequer sei de que material é feita, nem de que tinta foram escritas aquelas palavras mas sei que é dedicada a ti. E era a ti que eu queria, acima de tudo, ter perto de mim.
Queria-te a ti, bem mais que àquela página. Mas não és tão indestrutível.
És mais irreverente e nem sempre sei lidar com esse “ir e vir” que te consome.
Estás dentro de mim, porque faço questão de deixar um pedaço teu em tudo o que me rodeia, como se fossem gotas de um perfume raro.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Gosto dele =)

Desço as escadas devagar e controlo o sorriso de criança mimada que teima em querer aparecer.
A luz é ténue, mas conheço estes degraus como se a minha vida fosse feita de subi-los e desce-los. Sem esforço.

Dentro da barriga, tenho milhões de borboletas, batendo as asas insistentemente e a uma velocidade inconctrolável que me faz cócegas. Dentro do peito, o meu coração está equiparado a um tambor que rufa a um volume tal, que acho mesmo que qualquer pessoa pode ouvi-lo, sem sequer encostar o ouvido ao meu peito.

E, apesar de, lá fora, as temperaturas serem, apenas, amenas, não contenho o calor que me faz suar com o nervosismo.

Não é a primeira vez que vou ter com ele. Aliás, não poderia, por mais que quisesse, saber, a numeração desta vez. Já foram tantas!...mas que importa? É assim de cada vez...

Dentro do meu pensamento, estão descritas imensas sensações. O sorriso, os olhos verdes, a pele macia, onde gosto de descansar...

Gosto de ouvir o som do coração dele, a diferentes ritmos, quando enconto a cabeça no seu peito.

Gosto de me perder nas gargalhadas dele, quando brinca com o meu cabelo.

Gosto de contar os passos dele, ao meu lado.

Gosto de vê-lo dormir, como se só descansasse por estar ao meu lado.

Gosto de dançar ao ritmo que as mãos dele impõem, pousadas na minha cintura.

Gosto quando ele me diz que "estás cheia de mimo".

Gosto de estar cheia de mimo, e de, entre críticas leves e "resmunguices" disfarçadas, ele me vai mimando...

Ponho o carro a trabalhar. O cheirinho dele ainda lá está, cravado nos bancos, no ar...não quero que saia.

Conto os segundos, os metros e sorrio, ao esperar que ele saia para a rua, ao meu encontro.

É assim que gosto dele, que gosto de nós.

E é por isso que preciso de controlar o sorriso que me invade ao descer as escadas, se não quiser denunciar, até às pedras do chão, a influência que o amor dele tem em mim!!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

nós

Todas as frases que antes disse parecem perder o seu maior sentido; todos os sons são diferentes, agora.
Sempre existi com a certeza de que estavas por perto. E, quando assim era, não fazia mal a confusão, não havia medo.
Segui mil caminhos em silência, guiada pelo teu sorriso.
Esqueci e lembrei mil proezas nossas, em sonhos.
Mas sabia que, acontecesse o que acontecesse, tu estavas lá. Sem margem de erro,
Como fica alguém que não teme nada, que tem uma certeza que vinga acima da sua própria existência quando essa certeza se torna na sua maior dúvida? Perdida?? Então, perdida estarei!

Eras a minha calma, a única pessoa que sabia conhecer o meu coração, mesmo nos momentos em que impus, a todas as minhas forças, que o camuflassem.
Eras o único que lidava comigo sem pressas, sem cansaço, sem armas. O único que segurava na minha mão e penetrava nos meus sentidos, despido de manhas e orgulhos, só à procura de um sorriso.
Eras a minha fuga, sem que eu própria tivesse a mais pequena consciência disso.
Mas ninguém pode exigir ao tempo que volte para trás.
Sabias ver em mim o que mais ninguém via; sabias descobrir o que mais ninguém procurava e, sobretudo, tiveste, como mais ninguém, a capacidade de me fazer sentir amada.
Nunca poderei esquecer os momentos em que o fizeste, tão bem.
Há coisas que só podemos compreender com o tempo e até com a idade. E não as soube compeender...
Acho que, para ser sincera, tinha medo de perceber que era amor...apesar de teres estado sempre para me dar segurança.
Fizeste-me acreditar, com o passar dos anos, que seria sempre assim. Mas não foi. Nem eu devia ter acreditado, como acreditei, que um amor assim, o primeiro amor, poderia ter força para superar até o tempo.
Só que, quando finalmente chegou o momento do teu coração seguir outro caminho, o meu coração acordou...e agora, não há certeza, nem segurança, nem...amor.

Disseste-me, diversas vezes, que para dizer o que eu significava para ti, "só se o coração falasse". Não imaginas o quanto eu gostava que o meu coração falasse. E não imaginas, também, o quanto precisava de conseguir ouvir o teu.
Onde, em que momento da nossa história perdeu tudo o sentido para ti?
O tudo que eu fui, é o nada que me sinto e isso doi cá dentro.
Tanto que prometemos um ao outro...
Queria, só por um momento, voltar a ver o mesmo olhar em ti, o mesmo sorriso, de sentir o mesmo abraço que só tu me davas.

Queria-te de novo, a dar-me o colo que me fazia, sinceramente, acreditar em nós.

Um nós que, agora, me parece que nunca existiu...