Tenh amigos. Tenho bons amigos, melhor dizendo. Tenho uma família extraordinária. Faço o que gosto, tenho o meu espaço.
Está sol lá fora e posso aproveitá-lo, de quando em vez, e sorrir.
Mas há um Inverno que não me deixa, nem me deixará mais. Está frio longe de mim. E terei sempre uma parte de mim que está longe.
Partiu com ele e não volta mais. Foi para lá daquilo que posso ver, sentir, tocar ou sequer imaginar. Isso é o que doi mais. Não poder imaginar, porque não tenho um ponto de referência. Sempre fui pessoa de pntos de referência, de guias, de sinais, de algo a que me agarrar. Mas, quanto a ele, e quanto a esta parte de mim, só posso agarrar o vazio.
Tenho as recordações. O tempo passa e às vezes assusta-me que, por muito que possa recordar, com toda a nitidez, o momento, não consiga visualizar, sem qualquer esforço, o pormenor da voz dele e do cheiro que emanava daquele cabelo comprido e sempre brilhante.
Dói-me o peito sempre que penso, por um segundo que seja, que a vida vai correr, até ao meu fim, sem aquele abraço que foi o meu conforto toda a vida. Desde antes do que me consigo lembrar.
Fico apática quando o vejo, dentro da memória, para onde o levei, desde que partiu.
Encho-me de raiva quando me lembro dos momentos que desperdicei sem lhe dizer o quanto importava, sempre que sorria, sempre que chorava, sempre que me abraçava e sempre que me dizia, com a voz calma e mais serena do que eu alguma vez fui com ele, que "vai ficar tudo bem".
Só eu e ele, de onde está (quero acreditar) sabemos o quanto eu precisava de ouvir agora, mais uma vez, aquelas palavras que soam a cliché e faziam tanto sentido quando saiam daquela boca.
O mundo não pára, corre à velocidade da luz. Sempre assim foi e sempre assim será. Mas eu achei, ingénua e inocente, que ele nunca me poderia ser tirado. Nunca nada nem ninguém teria o poder para me fazer uma coisa dessas. Esqueci-me que a vida, ela própria, é mais forte que todas as minhas forças. Esqueci-me que a vida, ou o que lhe queiram chamar, é capaz de dar e de tirar.
Fecho os olhos e vejo a mãe dele, em lágrimas que ninguém segurou, despedir-se e dizer que "Deus emprestou-mo e agora voltou a levá-lo para ao pé dele". Quis refutar, mas quem sou eu? Fecho os olhos e lembro-me da facilidade com qe olhava para os olhos daquela senhora, pequenina e desapachada que tanta vez me abraçou, me sorriu e me embalou, quase. E hoje, não consigo olhar-lhe nos olhos. Não tenho vergonha, tenho medo. Tenho medo porque nos olhos dela vejo os olhos dele, tão parecido com quem o gerou que me arranca a alma pelo peito a sangue frio.
Fecho as mãos com força e fecho-me em mim mesma, ao mesmo tempo.
Não quis dei´xá-lo patir e tentei. Juro que tentei, com todas as minhas forças, abrir os olhos daquele pesadelo.
Despedir-me de metade de mim foi a coisa mais dura que fiz em toda a minha vida. Todos os dias quero voltar atrás, todos os dias quero voltar a olhá-lo nos olhos e dizer-lhe que o adoro como será impossível adorar outro alguém.
Sem querer surge um sorriso dorido, quando me lembro do menino pequenino que levatou, sozinho, um armario para me tirar debaixo de vidros partidos...o meu heroizinho, que se tornou no meu herói e depois, contra todos os meus possíveis desejos, se tornou no meu anjo. Em vida e depois dela, tenho a certeza, foi meu protector. E será...
Tenho saudades daquele sorriso que enfeitava o dia, da alegria com que passeava pelos caminhos de todos, da ternura com que protegia as pessoas que amava, do carinho com que aqueles braços me embalaram tanta vez e do amor com que todos os dias, sem cessar, me sarava as feridas que surgiam.
Quem me cura, agora, as feridas que não sara da partida dele? Ele não está...
Não estará hoje, nem amanhã, nem nunca mais...até ao momento em que, depois da espera que é de ambos, me possa voltar a limpar a alma, as lágrimas, as dores e as saudades...
Miss you...
quinta-feira, 14 de abril de 2011
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Sintonia

Começo a fechar os olhos. Lentamente, de forma desconfiada...é que às vezes não gosto do que a noite me traz.
As horas passam sem que eu note e, quando o sono é mais forte, há qualquer coisa em mim que sossega. Ouço baixinho uma voz que conheço, perguntar em tom de brincadeira se as meninas combinaram.
E uma resposta que sei de cor, que adoro ouvir sem me cansar e que me tranquiliza responde, imediatamente, exactamente aquilo que poderia ouvir com a minha própria voz: "É muita sintonia".
Às vezes, quando menos esperamos, a vida presenteia-nos com "miminhos". Com pessoas fantásticas, inesperadamente.
A minha vida fechou-me, sem pedir, portas e janelas, deixou a asfixia a pairar no ar e não houve, sequer, tempo para um porquê... Quando o ar ficou saturado, quando eu própria fiquei saturada, apareceu alguém, de sorriso nos olhos (sim, nos olhos) e expressões de menina em mente, em alma e em corpo de mulher.
A lufada de ar fresco, que sinto todos os dias, pelo bem que ela me faz é uma passadeira rolante que não me deixa parar de andar, de me mover, nem quando o entorpecer me apanha as pernas.
Não tenho palavras. Ou melhor, tenho uma, que não me sai da cabeça, de baixo da lingua...mas ela não a gosta de ouvir. OBRIGADA é a primeira coisa que me ocorre, por tudo o que ela tem feito por mim, de mim e comigo.
Dia após dia, fomos conquistando um pouco mais uma da outra e, por causa dela, o sentimento mais bonito que existe ganhou outro brilho.
Já não tenho medo...bem, não tanto medo (ou tantos medos) como antes. A segurança que costumo estranhar, ela dá-me e eu recebo, sem hesitar.
A alegria que fui perdendo ela dá-me e eu recebo sem notar.
A VIDA que fui contendo ela devolve-ma, e eu agarro-a, sem pesar.
É fantástica a forma como alguém pode chegar e tornar tudo tão mais leve.
Esconde, dentro do peito, tristezas e momentos que não poderia, eu, imaginar. Mas luta. Luta e vence, e faz vencer. E sorri! Incrivel, não é? Sorri sempre!
Transcende-me a forma como fomos ficando mais próximas e mais unidas. Mas não faço o menos esforço para perceber!
Apoio-me nela sem qualquer receio, admiro-a e tento retribuir a forma como me faz sentir bem!
Quem é ela?
Mais que uma colega de trabalho, mais que uma amiga, mais que uma companheira, mais do que posso dizer...
Quem é?
...
Cátia Galamba: por tudo, não vou agradecer. Por tudo, vou fazer para que sempre seja desta forma. Para que possamos continuar juntas, para que continues a ver-me dessa forma que eu não conisgo ver, para que possas achar sempre que valeu a pena investir em mim!
Gosto muito de ti, minha linda :)
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
É salgado o sabor!
Mas é diferente do sabor de todas as lágrimas que já chorei. Por qualquer motivo, por qualquer pessoa. Mesmo diferente de todas as que chorei por ti e por nós.
É uma saudade doce de algo que, finelmente, não quero voltar a viver! Porque foi perfeito, foi um romance digno de ser contado, muito mais tarde, aos filhos e aos netos.
Durante dias sem fim, foi uma "ferida" que abria, a qualquer sinal de antes, de um antes que deixei fugir entre os dedos, como se não houvesse outra forma de ser e de estar!
Hoje é uma cicatriz, de pele cor de rosa e sensível, que já não dói! É uma marca perfeita de uma história perfeita que escrevi com linhas de ouro no centro do meu coração!
Nunca pensei que fosse possível haver um final feliz para algo que tivesse, realmente, um fim! Mas estava tão enganada! É possível e é dos sentimentos com maior carga do mundo, sem qualquer sombra de dúvida.
Por momentos, deixei de ver, deixei de sentir o mundo à minha volta. Senti, apenas, um bater de coração, único e, com ele, um respirar fundo, vindo de dentro, da alma ou do que quer que seja que precisava de se soltar, finalmente!
Amei-te. Amei-te mais do que algum dia tivera noção, ainda no momento em que eramos felizes nos olhos um do outro.
Costumava sentir que via o meu futuro nos teus olhos. Sentia-me segura e confiante contigo, sentia-me amada e apaixonada.
Agora, consigo fazer exactamente o oporto...agora vejo, nos teus olhos o meu passado.
Fecho, agora, osolhos. Revejo um tempo que agora me parece que foi há tanto tempo. Como uma velhinha sentada numa escada a viver, de novo, o tempo em que o sorriso era livre, em que não doia viver, em que o tempo todo do mundo era dela!
E sei que vamos ser muito felizes e testemunhas da felicidade um do outro.
Despedirmo nos de alguém de quem gostamos é sinónimo de algo ficar apertadinho dentro de nós. Mas eu tive a oportunidade de me despedir de uma história. De me despedir realmente. Sem dor, sem ressentimento, sem mal entendidos. Despedi-me com todo o amor, com todo o carinho e com toda a emoção que tinha dentro de mim. Chorei de emoção.
Reconheci todos os pormenores que me preenchiam mas senti que já não me peretenciam da forma que o tinham feito antes.
Deixei-te ir...deixei-te partir e ser livre para me libertares tmabém.
E, no dia em que for, relamente, o meu fim, tu vais estar. Vais estar dentro de mim e vou rever, tenho a certeza, os momentos que passamos juntos!
Sei que sentes, agora, o mesmo que sinto. Assim como sentiste, na altura, o mesmo que eu!
Queria abraçar-te agora, como no dia em que nos separámos e chorar por tudo o que me deste de bom!
Juro, do fundo do coração, que guardei apenas aquilo que nos fez sermos felizes durante o tempo que estivemos juntos!
Senti tanto orgulho em ti, amei te tanto...sei que fui "a Inês da tua vida". Sim, agora sei! E não havia nada, nem neste mundo nem em nenhum, que pudesse ser melhor de ouvir que isto!
É impossível encontrar alguém que seja como tu! Sei que vai haver quem faça para mim, com que eu veja mais além...tal como tu vês. Mas nada nem ninguém conseguirá ter algum poder tão forte que destrua aquilo que fomos e que soubemos continuar a ser...
Fechámos os olhos. Um beijo de despedida fez com que as lágrimas viessem finalmente. Precisava de chorar esse momento.
Sentir tudo de novo foi, realmente, amar-te uma última vez. Fechar a porta, guardar a chave no meu e no teu coração. Enchi o peito de ar, olhei-te nos olhos. Senti-te pela última vez e depois, sim...deixei-te sair do meu coração. Daquela parte onde doia. Agora estás, definitivamente. Para todo o sempre e mais um dia. Em toda a parte de mim. Em todo o lado em que passe e tenhas estado comigo vou ver o teu sorriso e a forma como nos olhávamos, como nos amávamos. Sem sentir dor, sei que vou sorrir, sentir a mesma nostalgia que sinto algora, sentir uma alegria imensa por tudo o que vivemos.
E quando sorrir, para ti e me sorrires de volta, tenho a certeza...só nós vamos saber o que é sentir isto.
Cumplicidade. Sempre fomos cumplices...e seremos sempre. Há algo em nós que vai viver para sempre dentro de nós!
Estás cá dentro...mais que nunca, no momento em que partiste.
E, a ti...MUITO obrigada!
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