quinta-feira, 14 de abril de 2011

Meu anjo, meu Luis...

Tenh amigos. Tenho bons amigos, melhor dizendo. Tenho uma família extraordinária. Faço o que gosto, tenho o meu espaço.
Está sol lá fora e posso aproveitá-lo, de quando em vez, e sorrir.

Mas há um Inverno que não me deixa, nem me deixará mais. Está frio longe de mim. E terei sempre uma parte de mim que está longe.

Partiu com ele e não volta mais. Foi para lá daquilo que posso ver, sentir, tocar ou sequer imaginar. Isso é o que doi mais. Não poder imaginar, porque não tenho um ponto de referência. Sempre fui pessoa de pntos de referência, de guias, de sinais, de algo a que me agarrar. Mas, quanto a ele, e quanto a esta parte de mim, só posso agarrar o vazio.

Tenho as recordações. O tempo passa e às vezes assusta-me que, por muito que possa recordar, com toda a nitidez, o momento, não consiga visualizar, sem qualquer esforço, o pormenor da voz dele e do cheiro que emanava daquele cabelo comprido e sempre brilhante.

Dói-me o peito sempre que penso, por um segundo que seja, que a vida vai correr, até ao meu fim, sem aquele abraço que foi o meu conforto toda a vida. Desde antes do que me consigo lembrar.

Fico apática quando o vejo, dentro da memória, para onde o levei, desde que partiu.
Encho-me de raiva quando me lembro dos momentos que desperdicei sem lhe dizer o quanto importava, sempre que sorria, sempre que chorava, sempre que me abraçava e sempre que me dizia, com a voz calma e mais serena do que eu alguma vez fui com ele, que "vai ficar tudo bem".

Só eu e ele, de onde está (quero acreditar) sabemos o quanto eu precisava de ouvir agora, mais uma vez, aquelas palavras que soam a cliché e faziam tanto sentido quando saiam daquela boca.

O mundo não pára, corre à velocidade da luz. Sempre assim foi e sempre assim será. Mas eu achei, ingénua e inocente, que ele nunca me poderia ser tirado. Nunca nada nem ninguém teria o poder para me fazer uma coisa dessas. Esqueci-me que a vida, ela própria, é mais forte que todas as minhas forças. Esqueci-me que a vida, ou o que lhe queiram chamar, é capaz de dar e de tirar.

Fecho os olhos e vejo a mãe dele, em lágrimas que ninguém segurou, despedir-se e dizer que "Deus emprestou-mo e agora voltou a levá-lo para ao pé dele". Quis refutar, mas quem sou eu? Fecho os olhos e lembro-me da facilidade com qe olhava para os olhos daquela senhora, pequenina e desapachada que tanta vez me abraçou, me sorriu e me embalou, quase. E hoje, não consigo olhar-lhe nos olhos. Não tenho vergonha, tenho medo. Tenho medo porque nos olhos dela vejo os olhos dele, tão parecido com quem o gerou que me arranca a alma pelo peito a sangue frio.

Fecho as mãos com força e fecho-me em mim mesma, ao mesmo tempo.

Não quis dei´xá-lo patir e tentei. Juro que tentei, com todas as minhas forças, abrir os olhos daquele pesadelo.

Despedir-me de metade de mim foi a coisa mais dura que fiz em toda a minha vida. Todos os dias quero voltar atrás, todos os dias quero voltar a olhá-lo nos olhos e dizer-lhe que o adoro como será impossível adorar outro alguém.

Sem querer surge um sorriso dorido, quando me lembro do menino pequenino que levatou, sozinho, um armario para me tirar debaixo de vidros partidos...o meu heroizinho, que se tornou no meu herói e depois, contra todos os meus possíveis desejos, se tornou no meu anjo. Em vida e depois dela, tenho a certeza, foi meu protector. E será...

Tenho saudades daquele sorriso que enfeitava o dia, da alegria com que passeava pelos caminhos de todos, da ternura com que protegia as pessoas que amava, do carinho com que aqueles braços me embalaram tanta vez e do amor com que todos os dias, sem cessar, me sarava as feridas que surgiam.

Quem me cura, agora, as feridas que não sara da partida dele? Ele não está...

Não estará hoje, nem amanhã, nem nunca mais...até ao momento em que, depois da espera que é de ambos, me possa voltar a limpar a alma, as lágrimas, as dores e as saudades...


Miss you...

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