sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Que é do que foi?

Que é feito de ti?

Que é feito desse amor louco que quebrava barreiras e anestesiava sentidos?
Que é feito dessa força, dessa segurança que me amarrava e me ancorava aos dias que trazias contigo?

Que te aconteceu, afinal?

O teu levou-me, já, as memórias do que te tornou tão diferente...

Do que te fez definhar nesse líquido espeço e opaco, que me turva a visão. Foste aderindo a essa pequenez, a essa força e a essa fraqueza.

Não te reconheço, a ti, que foste, outrora, o guia dos meus caminhos...

Se pensei, durante tempos infinitos, que me começaste a afundar numa escuridão imensa de ti, estive equivocada: és tu que te tens afundado, caminhado sem olhar para trás, onde deixaste toda a minha admiração, seguinto por entre essa bruma, como se fosses empurrado.

Procuro, incessantemente, a razão que te leva a embrenhares-te cada vez mais, a queres mesmo levar-me contigo onde não exista mais nada...e procura a razão que me leva a não conseguir mais puxar-te de volta, a razão que me leva a não saber mais o que me fez seguir-te todo este tempo.

Falhei. E tu falhaste também.

Quis tanto manter-me fiel a ti, que me esqueci de me ser fiel a mim mesma. E tu, esqueceste-te da minha essência, esqueceste-te do que te cativou.

Vives em meu redor, sem saber como percorrer esse caminho sem mim, como se eu fosse os teus olhos. E não me deixas explicar-te que não quero...não quero mais ir!

Queria poder mostrar-te, como se isso se reflectisse no céu, como era, como tu eras...como nós soubemos, algum dia ser...
Mas tu já não sabes olhar para lá, e eu já não sei levar-te a fazê-lo.

Quero, agora, percorrer um caminho diferente, que me leve de volta ao que fui! Quero saber ser alegria e ser felicidade, comigo só. Aprender a descobrir o meu próprio trilho, e não a percorrer apenas os teus!

Deixa-me ir........
Deixa-me ir e, talvez assim, ambos consigamos a descobrir-nos, passo a passo...
Porque eu já não sei de mim...

Que é de mim?

E que é de ti...?

terça-feira, 7 de abril de 2009

broken strings



(Letra: http://letras.terra.com.br/james-morrison/1341944/)

Como é que pode ser possível que um minuto de desilusão possa destruir anos de esforço, de dedicação?
Pior, como é que pode ser possível que um minuto nos faça aperceber que isso já aconteceu?

Ganhaste e perdeste vezes sem fim e, no fim, é que te apercebes que isto nunca foi um jogo.
Dás tudo e tiras mais um pouco e, no fim é que te apercebes que a ideia é dar para receber e não o inverso.
Fazes das minhas as tuas palavras, das minhas as tuas dores, das minhas as tuas deixas, das minhas as tuas razões e só um dia, que ainda não terá chegado, é que te aperceberás que as minhas palavras, as minhas dores, as minhas deixas e as minhas razões nasceram das tuas atitudes.

Esqueceste-te de lutar pelo que, agora, te vais lembrando, aos poucos, era a tua grande preciosidade.

Fomo-nos tornando cada vez mais incapazes de por a felicidade do outro ao nível da nossa própria felicidade e cada vez menos capazes de ultrapassar o que dói.

A única diferença entre nós, não me desculpando pelos meus erros, que tenho consciência do quanto te feriram, é que nunca fui capaz de te magoar propositadamente.

A cada dia, a cada momento, de cada vez que fazemos uma tentativa de nos aproximarmos, falhamos redondamente e só conseguimos afastar mais os bons momentos e o motivo de termos lutado anos a fio por algo que teimou em não chegar...

Há coisas que, simplesmente, não se fazem...e há outras que, simplesmente, nasceram para não ser...

quinta-feira, 19 de março de 2009

saudades

Olho para o céu com o mesmo olhar perdido de ontem e, pelo que vejo, de amanhã e dos amanhãs que se seguem.

Tenho saudades!

Tenho saudades da estabilidade que encontrava na corda bamba que me oferecias.

Tenho saudades da calma que o teu olhar irrequieto me dava.

Tenho saudades de sorrir contigo sobre mil e uma coisas que não sei precisar e, no entanto, lembro ao pormenor.

Tenho saudades do teu abraço meigo, no meio das horas vazias a teu lado.

Tenho saudades das gargalhadas porque sim e porque não.

Tenho saudades de me dizeres que sem mim deixa de fazer sentido.

Tenho saudades de me dares a mão.

Tenho saudades de me dizeres que sou bonita.

Tenho saudades de me chamares "a tua mulher".

Tenho saudades de estares, realmente.

Agora, estás comigo, estás perto, dizes que me adoras.

Mas não estás! Sei tão bem que não estás! Porque quando estás eu sinto te, mesmo longe. Tanto como não te sinto agora nem quando me beijas.

Sei que não mudou o que sentes e sei que não queres que mude o nosso mundo.

Mas estás ausente e eu não sei viver com essa controversia que é a tua mente, com essa incapacidade para separar o nós do mundo à volta quando ele é negro.