Que é feito de ti?
Que é feito desse amor louco que quebrava barreiras e anestesiava sentidos?
Que é feito dessa força, dessa segurança que me amarrava e me ancorava aos dias que trazias contigo?
Que te aconteceu, afinal?
O teu levou-me, já, as memórias do que te tornou tão diferente...
Do que te fez definhar nesse líquido espeço e opaco, que me turva a visão. Foste aderindo a essa pequenez, a essa força e a essa fraqueza.
Não te reconheço, a ti, que foste, outrora, o guia dos meus caminhos...
Se pensei, durante tempos infinitos, que me começaste a afundar numa escuridão imensa de ti, estive equivocada: és tu que te tens afundado, caminhado sem olhar para trás, onde deixaste toda a minha admiração, seguinto por entre essa bruma, como se fosses empurrado.
Procuro, incessantemente, a razão que te leva a embrenhares-te cada vez mais, a queres mesmo levar-me contigo onde não exista mais nada...e procura a razão que me leva a não conseguir mais puxar-te de volta, a razão que me leva a não saber mais o que me fez seguir-te todo este tempo.
Falhei. E tu falhaste também.
Quis tanto manter-me fiel a ti, que me esqueci de me ser fiel a mim mesma. E tu, esqueceste-te da minha essência, esqueceste-te do que te cativou.
Vives em meu redor, sem saber como percorrer esse caminho sem mim, como se eu fosse os teus olhos. E não me deixas explicar-te que não quero...não quero mais ir!
Queria poder mostrar-te, como se isso se reflectisse no céu, como era, como tu eras...como nós soubemos, algum dia ser...
Mas tu já não sabes olhar para lá, e eu já não sei levar-te a fazê-lo.
Quero, agora, percorrer um caminho diferente, que me leve de volta ao que fui! Quero saber ser alegria e ser felicidade, comigo só. Aprender a descobrir o meu próprio trilho, e não a percorrer apenas os teus!
Deixa-me ir........
Deixa-me ir e, talvez assim, ambos consigamos a descobrir-nos, passo a passo...
Porque eu já não sei de mim...
Que é de mim?
E que é de ti...?
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