quinta-feira, 22 de maio de 2008

Recordação...


Os olhos fecharam-se. O sono já não permitia mais um minuto que fosse de vida, de riso, de mimo, de som...

Quando olhei para ti e senti, pela tua respiração, que o cansaço tinha vencido, fiquei muito quieta, só a ver-te dormir...
E sorri...lembrei-me de um dia, já distante em que me disseste a sorrir, também: "adorei quando me disseste que gostas de me ver dormir". É verdade...muito poucos momentos são tão doces para mim. A dormir, perdes as defesas, a máscara, ficas vulnerável, doce, meigo, como uma criança, desprotegido...

Às vezes acho mesmo que foi no momento em que, pela primeira vez te vi dormir, no meu peito, que tive a certeza de que nunca será possível deixar de te amar...talvez...

Ver-te ali, prostrado, adormecido, quieto fez-me imaginar toda uma vida ao teu lado...

Num momento, puxaste-me, em sono profundo, para juntinho de ti e assim ficaste...enrolado em mim e nos cobertores, como se fiesse parte de ti. E faço!
Fiquei com medo de me mexer, de te acordar, com medo de te tirar desse momento só nosso, desse soninho, desse descanço.

Fiquei quieta, com o olhar perdido em ti, nos teus cabelos, nos teus lábios que, não muitos atrás estavam presos em mim, quando a tua respiração se confundia com a minha, testa com testa...
Ninguém é tão perfeito assim...não é possível que seja. Tudo em ti me faz querer -te mais. E tu estás em mim...em cada canto meu, em cada poro...

Não sinto o sono chegar...quero decorar-te! Quero que o teu cheiro não saia de mim, tenho medo do dia que vem...quero ficar assim para sempre!

Acordas e sorris...sabes que fiquei a olhar-te todo este tempo...Não precisas abrir os olhos para o saber...e sei que te sentes amado...é tudo o que sei!
Abraças-me e beijas-me com carinho, muito ao de leve, quase ainda a dormir.
Que posso pedir mais? Estou protegida, tenho-te ao meu lado, sei que nada nem ninguém me podem magoar, porque estás comigo...

Estou feliz, posso dormir..........
Hoje acordei cheia... o sorriso nasceu com o dia...e porque não?? Estou cansada de tê-lo adormecido!

Não há preguiça, não há medo, não há mágoa...ficou tudo na noite!

E quando olhas para mim, quando me preenches o olhar com esse sorriso doce e maroto, tudo fica fácil. Fácil de encarar, fácil de lutar, fácil de viver.

Mesmo que, às vezes, ao sair dessa porta para fora, tudo volte ao antes, tudo fique igual, à minha volta. Cá dentro, já mudou, não há volta possível: estou mais cheia de força, mais cheia de ti e, portanto, mais cheia de mim.

Lembro-me de outros tempos em que me sentia assim, escrevia assim...quando não tinha experimentado, ainda, a dor da perda.
Era o tempo em que o meu melhor amigo de sempre, o meu primeiro amor, o meu (agora) anjo da guarda estava presente. E me fazia olhar para as estrelas e sorrir, porque esteve perto. Era o tempo em que sonhava...

E hoje, acordei com essa mesma "alegria"...um pouco adaptada à falta constante que trago em mim.

Quando olhas para mim, quando olhas mesmo e me vês, quando quase sinto o teu olhar entrar no meu, não há mais nada. Só nós!

E hoje, sou uma pessoa mais forte, por ter sido fraca.


A chuva cai, forte, inconstante na minha janela. E sorrio...porque estás aqui dentro, no meu coração, de onde nunca saiste!

sábado, 17 de maio de 2008

...


Estou sozinha, no meu quarto. Sozinha... Nem um único som, nem um único movimento à minha volta. Imóvel.




Todo o dia foi agitado, alegre, cheio de sorrisos. E, no entanto, os mais próximos de mim perceberam que não estava bem nem sequer estava aqui. Muito embora o tentasse disfarçar com gargalhadas até!




As horas passaram e houve momentos leves, sim, é verdade. Não posso deixar de agradecer a quem, como sempre, esteve comigo. Mas, ao fim do dia, o meu coração pára. Retém-se, no meu quarto, no meu refúgio, só comigo e só para mim.


Falo com ele a toda a hora, na esperança de que se sinta menos sozinho. Não sei se resulta...não custa tentar! (para ser sincera, não tenho feito outra coisa senão tentar!)




Será que ele me ouve?




Estou envolta nos meus pensamentos, que raramente diferem, de dia para dia...


Não há diferença mas, mesmo assim, não deixo de ficar imersa neles! É mais uma noite vazia, uma noite escura para o meu ser...




Tudo à minha volta é nevoeiro, nada pode ser comparavel à imensa nitidez do que tenho dentro da minha mente.




É claro, o que penso...ou, melhor será dizê-lo, é claro em quem penso. Penso em ti, derradeiro ardor da minha memória fogaz. Penso em ti, que me ouvias, que escutavas até o meu silêncio, penso em ti que vias tudo o que eu queria que visses, mesmo quando não estava presente a minha visão. Penso em ti, que me davas tudo o que precisava, penso em ti, que eras a minha versão de masculino, a minha versão de amor, o completar de todo um círculo que prefaz a minha vida.




Penso, inevitávelmente em ti. Eras tu quem me fazia adormecer, à noite, em noites como esta, pois me descansavas no teu peito, e me acalmavas o espírito que, em noites como esta, ficava inquieto.


Eras tu quem, em dias calmos ou em noites escuras me fazia sorrir e me embalava os sonhos. Eras tu quem, sem qualquer sombra de dúvida, me fazia acreditar em mim...




...então, não é possível outra coisa senão pensar em ti.




Tu, que eras a minha nuvem clara, entre as escuras, o meu sonho entre os pesadelos, o meu sol entre as gotas de chuva, o meu ribeiro entre as florestas...


É em ti que penso, quando fico sozinha, no meu abrigo, no meu refúgio que é o meu quarto.


Este quarto também já foi o nosso quarto...estiveste aqui comigo...em dias mais fáceis que estes, menos angustiantes.




Por isso, estou sozinha, agora que não estás...pudessem estar presentes multidões, e continuaria sozinha...




Os pensamentos levam o tempo e dou por mim, ainda imóvel, perdida, jogada na minha cama...é hora de tentar esquecer, de tentar dormir, de tentar esperar sem dramas o próximo momento como este que, com certeza, chegara de novo...amanhã, talvez...