quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Um amor, cinco vidas!
Nunca sabemos quando um olhar nos pode trair ou mudar a nossa vida para sempre.
Quando pode ser a nossa inspiração, o nosso consolo ou o quebrar do nosso coração em mil pedaços de um segundo para o outro.
Mas toda a gente sabe que, nalgum ponto da vida, nos cruzamos com olhares destes.
É inquestionável, é tomado como natural.
O raro, o inacreditável, o MILAGROSO...é quando cinco olhares conseguem cruzar-se simultâneamente, ler o que todos gritam e gritá-lo com eles, em uníssono.
Quando o dito milagre acontece, é para sempre, é eterno, por muito que "a vida mude os nossos sentidos e o mundo nos leve p'ra longe de nós e que um dia o tempo pareça perdido e tudo se desfaça num gesto só".
E quando acontece, sabemos que tudo o que possamos dizer acerca disso é dito por todos. Falamos em coro, sentimos em coro.
A perfeição não é algo que possa ser descrito ou explicado. É algo que dificilmente pode ser considerado real. Na minha opinião, a única razão porque é tão utópica é por ser tão relativa. A minha perfeição não será perfeita para mais ninguém. Mas quando o milagre acontece, a perfeição passa a ser absoluta, uma só.
Foi muito rápido porque estava pré-destinado. Mil e uma forças conjuraram para que nos uníssemos... Surgiu, primeiro, uma definição só nossa com entendimento alheio impossível. Depois o "slogan"...a forma mais simples de explicarmos ao mundo o significado do que somos.
La Família: um amor, cinco vidas
O tempo encarregou-se do resto, como sempre na vida: primeiro, mostrou-nos o caminho para chegar ao coração uns dos outros; depois ensinou-nos a falar pelo olhar, pelos sorrisos, pelo toque, pelas gargalhadas e pelas lágrimas. O nosso próprio dialecto tinha sido criado. A seguir, ensinou-nos a ser, cada um à sua maneira, indispensáveis na vida dos restantes...e depois, invariavelmente, trouxe o afastamento. Cada um de sua forma, cada um com seus motivos. O tempo, sempre o tempo...
A inexperiência, a nossa inexperiência em lidar com a nossa própria separação dificultou o encontro com o caminho que nós próprios havíamos traçado.
Mas, felizmente, La Família não é algo que se diga em vão e muito menos que se construa em vão.
Descobri que o meu coração experimentou novamente a sensação de estar completo quando nos reunimos novamente.
Não sei explicar, mas sei que me vão entender.
Estar longe fisicamente faz me sentir a angustia que vocês sentem. À noite, quando me deito e o sono não vem, penso nas nossas sessões de cinema. Quando oiço qualquer musica encontro um pedacinho de vocês, um pedacinho de cada um e do que são comigo. Mas sobretudo, acima de qualquer coisa, quando o coração aperta desejo tele transportar-me para aquele que foi sempre o meu refúgio: o vosso colo.
Quando a minha vida de desmoronou, quando não parecia ter onde me agarrar, surgiu esta família, aquela que, acima de eu ter escolhido, me escolheu. E por vossa causa, pude sentir-me tudo aquilo que vocês vêem em mim, que é tanto, em tão grande escala...
Fecho os olhos e vejo a Luísa entrar em casa, ao fim de um dia de trabalho e abrir-se num sorriso ao cruzar o olhar comigo. Vejo os olhos da Andreia inundarem-se de tão sensível, só com um abraço. Vejo a Su abrir o coração aos poucos e fazer-me sentir orgulhosa por fazer parte disso...e vejo o menino da casa, que mimamos com orgulho rir-se com vontade, com a vontade que não teve durante tempo demais.
Por mais anos que possa viver, nunca vou esquecer o impulso que deram aos meus dias, o quanto fui e sou feliz quando estamos juntos...
Sinto um aperto no peito quando chega o momento da despedida...que vem sempre cedo demais, vezes demais...e sei que vocês também. Têm que sentir, porque um pedaço de vocês vem comigo!
Ninguém, por mais que queira, pode entender aquilo que nos une. É um vinculo quase imperceptível a olho nu...mas tão forte que, por mais que a distância vá sendo cada vez maior, não parte nunca!
Fazer parte de uma ligação destas é mais do que normalmente se diz ser uma honra...
Sinto falta da nossa cumplicidade quando não estou com vocês e, por mais que queira, é-me dificil transpor a verdadeira essência do que SOMOS para mim...
Gostava que se pudessem ver pelos meus olhos...tenho a certeza do espanto que seria verem os pormenores que me assaltam na vossa ausência! Como se fossemos feitos do material dos filmes antigos...em câmara lenta, em sépia e, ainda assim, cheios de côr!
Sinto o coração a ribombar no peito...
Agora, a família tem um membro novo! Aquele que será um pouquinho de cada um de nós, como se o gerássemos em conjunto. Partilhamos o medo, a ternura, o amor, as emoções, as esperanças. É o laço que faltava para perdurar até ao fim dos tempos.
Chamem-me romântica, idealista ou até utópica. Mas tenho a certeza de que, daqui a muitos anos, grisalhos e de lágrima no canto do olho, juntos ou um em cada ponta do mundo, havemos de olhar para a mesma estrela, abraçar todos os momentos num só e sorrir por sermos parte do que será, hoje e sempre, o NOSSO MILAGRE!
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