Sempre que entro nesta casa parece mais vazia que na vez anterior.
É a minha casa, o meu canto, o meu porto de abrigo e, costumava ser, o meu ponto de equilibrio.
Mas não consigo sentir o mesmo agora! Aliás, agora transforma-se toda a restea de equilibrio que tenha, assim que passo pela porta da entrada!!
Tento encontrar, perdido por aqui, o teu cheiro e um pouco do teu riso. Um som qualquer a que me possa agarrar com força para tentar que um pouco de ti fique, ainda, comigo. Mas a verdade é que dificilmente seria assim, agora.
Apetecia-me deixar tudo como deixaste, da última vez que aqui estiveste! O maço de tabaco em cima da mesa, a almofada perdida no sofá, o cortinado desajeitado que mantinha a forma que o teu pé lhe deu, o prato onde comeste, o copo onde bebeste.
Mas seria incapaz de o fazer, por razões obvias.
Queria não ter que me voltar a deitar na cama onde dormiste vezes sem conta (e que, estranhamente, conto com toda a clareza), para não ter que ficar, inconscientemente, a desenhar-te, a imaginar-te, a desejar-te ali para que fosse a tua voz o último som que entrava na minha mente, logo antes de dormir.
Por todo lado existe uma recordação tua. Por cada segundo que passámos juntos tento imaginar outros que nunca chegaram a acontecer.
Tortura? Muito provávelmente. Mas não consigo inibir-me de o fazer! É mais forte que eu!
A primeira vez que partilhámos uma música foi a que mais me marcou. Sinto agora cada uma das palavras...como se fossem escritas para mim. e dói-me tanto pensar que provavelmente não sentes o mesmo que eu...mas não posso mudar isso!
Saber que era tudo tão especial e que os entraves que sentimos me pareceram sempre tão insignificantes enquanto estiveste por perto é equivalente a dizer que agora custa muito mais não te poder tocar!
Foste o caminho que não sonhei existir e que, quando descobri, não quis deixar de palmilhar. Cada centimetro de ti foi uma descoberta que me encheu de esperança e de algo mais que hoje nem sequer sei definir. Se às vezes acho preferia nem sequer te ter conhecido e não sentir, hoje, o que sinto de vazio, logo a seguir tiro, por completo, essa ideia de dentro de mim. Consigo fazê-lo porque nunca é algo que me venha do peito. Daí gritam apenas as saudades, os agradecimentos pelo que me fizeste viver e sentir!
Lembro-me do quanto me sentia cheia de mim e de ti e de nós de cada vez que ouvia essa gargalhada, a voz rouca. De cada vez que esses olhos pousavam nos meus e me dizias que sabias que te ia roubar o coração.
O que é que aconteceu, a mim, em tempos passados para que tudo tenha que ter acontecido da forma que aconteceu?
Não te posso culpar pelos obstáculos que já existiam antes de nós. E não te posso culpar pela decisão que tomaste e pelo que pensas de mim desde há um tempo. Não foi culpa tua! Só queria que conseguisses sentir o quanto me fazes falta, o quanto ainda te sinto em mim, o quanto desejei que fosse comigo que as coisas estivessem a acontecer agora.
Se tu fizesses ideia do quanto mudaste em mim, do quanto queria poder-te abraçar e sentir as tuas mãos no meu cabelo como fazias sempre quando ficávamos horas deitados no sofá onde, agora, me deito sozinha, todos os dias.
Não consigo definir a rapidez com que passa o tempo. Não sei definir a forma como te desejo.
Só sei que precisava que tudo fosse como foi. Porque te adoro!
"Por aqui fico
Na tristeza caminho só
Sem pensar no que aprendi
Por aqui fico
O tempo pára mas logo foge
Estás tão perto e tão longe
Se me ouvisses
Um grito não chega
Não me ves, não me ouves
Se ao menos sonhasses......"
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