sábado, 20 de outubro de 2012
Aninhas
As palavras estão todas aqui, dentro de mim, a atropelarem-se para sair, para fazerem sentido numa folha de papel, com pressa, com raiva, com saudades e com o maior amor do Mundo...
As iamgens sucedem-se, baralhadas no tempo, perdidas na imensidão do que deixaste de ti, em mim...
Tenho, em mim, a revolta da falta da despedida que nunca, sequer, devia chegar!
Falhámos a promessa de veres, da minha vida, os momentos mais importantes que nem sei se virão algum dia.
Nunca consegui medir o amor que tínhamos uma pela outra e que outros podem nunca ter compreendido!
Tenho, junto à cama, aquela fotografia...e perco-me no sorriso que me amparou tantas quedas e me brindou em tantas vitórias. As mãos tremem-me por não poder tocar-te nas mãos que vias engelhadas e eu via perfeitas.
Porque me abraçaram tantas vezes que lhes perdi a conta.
Sou a pessoa mais sortuda por ter partilhado todos os teus ultimos anos...
Levaste contigo os meus maiores segredos, o melhor e o pior de mim...e amaste-me incondicionalmente e acima de tudo pelo que fui e pelo que sou.
Não sei agradecer-te o suficiente pela mulher que fizeste de mim, de nós. Foste sempre a rainha de todos nós. A que mais sofreu, a que mais foi injustiçada e a que, mesmo assim, soube sempre perdoar, ter o sorriso mais doce que ja conheci. Mas foste SEMPRE a minha princesa, a minha inspiração, os braços para onde corri quando tive medo, quando quis chorar, quando quis falar sem palavras, quando quis festejar...
Tínhamos, entre nós, todos os laços possíveis.
Estás, sim, comigo, em cada minuto. E estarás para sempre!
Sinto falta da tua voz, de me chamares Kika, como mais ninguém sabe fazer...Sinto falta de te deitar, de te vestir, de te ajudar em tudo. Tenho saudades de te fazer o pequeno almoço, de fazer as massas que adoravas. Tenho saudades de me pedires um abraço só porque sim, tenho saudades de te pentear, de te pintar as unhas.
As coisas mais banais fizeram as nossas melhores memórias...
E não sei, se daí, de onde estás, podes ver a influência que isso teve em mim! Não sei se sabes que penso em ti todos os dias e que tenho vontade de correr para o teu colo a toda a hora.
Não sei se tens noção, agora que não to posso dizer, que me fizeste sentir especial toda a minha vida, a mim, à tua menina, que fui sempre! Não sei se te apercebes que nunca poderei deixar de sentir esta dor e este aperto por não te poder tocar!
Lembraste? Costumavamos comer caracóis e beber imperiais, só nós duas e fazer disso o momento mais emocionante do mundo! Costumavamos fingir que iamos viver para sempre, como se isso fosse possível! E tu sabias que não era...mas eu quase acreditei que sim! Que ingenuidade...
Vias em mim mais do que alguma vez serei! Ensinaste-me o significado de amor incondicional...protegeste-me e cuidaste de mim até chegar a minha vez de fazer o mesmo por ti...
Nunca poderei esquecer a forma como acreditavas em mim...e a certeza que tinhas de que seria sempre muito feliz. Agradeceste-me vezes sem conta o que nunca mereceu um agradecimento. Brindaste-me com as melhores memórias que trago. Foste avó, mãe (duas vezes, como há quem diga), irmã, amiga, confidente, professora, médica, e tantas outras coisas que trago cá dentro...
Merecias uma vida de alegrias e sofreste mais do que eu aguentaria. Mas nunca deixaste que isso te destruisse! Foste exemplo para todos os que te rodeavam e marcaste todos os que contigo se cruzara...espero que o saibas, onde quer que estejas.
Sem qualquer hesitação posso dizer-te que foste a mulher mais bonita, de todas as formas possíveis, que existiu! A mais especial...
Sei que estás em paz, que sabes o quanto te amamos, o quanto te amarei para sempre, o quanto sentimos a tua falta. Sei que és a estrela mais brilhante que possa ver no céu e que farás sempre, agora, como em vida, TUDO para me guiar.
Amo-te, minha rainha...amo-te, amo-te, amo-te...muito obrigada...
terça-feira, 29 de maio de 2012
Floco de neve
Às vezes as pequenas surpresas são como pequenos flocos de neve que, ainda que frágeis e rapidamente desfeitos, causam formigueiro nas mãos só de lhes tocar ao de leve!
Às vezes, porém, pequenas surpresas significam grandes pessoas, grandes mudanças, grandes feitos.
Foi assim que, sem querer, o meu pequeno mundo se encheu de pequenos flocos de neve!
Devagar, ponderadamente irreflectida, subo os degraus, abro as portas e fecho as que não servem senão para fazer corrente de ar num dia de inverno...
Mas subo, confiante, de mão dada com o floco de neve mais indescritívelmente fabuloso que me atravessou o caminho.
Perde-se o medo de sorrir ou de chorar; o medo de andar ou de correr...ou de parar, à espera que o sinal passe a verde.
E, dia após dia, degrau após degrau, tudo o que o tempo trouxe para depois levar, ganha novos contornos e o sentido que, noutros dias, não teria tido.
Dizem, tantas vezes, que "o que deu errado serviu para nos levar ao que dará certo". E, quando me deparo com tamanha modificação no meu mundo, não posso deixar de querer recorrer a todos os clichés...
Agora, e pelo tempo que quero ver prolongado ao infinito, não sinto senão paz. Porque, sem dúvida, tudo o que o tempo trouxer e levar, terá valido a pena, se me mantiver neste trilho virgem que vou desbravando, de mãos dadas.
Ao meu "fabuloso floco de neve"... Porque contigo faz sentido!
terça-feira, 17 de abril de 2012
LOVE YOU
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