sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

saudades...


Tenho saudades...


Tenho saudades de rir até me doer a barriga e, mesmo assim, não conseguir parar;


Tenho saudades de saltar da cama com vontade de cantar, logo de manhã;


Tenho saudades de contar os minutos até ouvir a campaínha (mesmo que só no meu imaginário) e, finalmente, sair para aqueles intervalos de café e conversas;


Tenho saudades de andar de mão dada sem pressas e sem pesos;


Tenho saudades de esperar ansiosamente pelo sábado a noite para vestir aquela roupa, que guardei toda a semana, e ir dançar;


Tenho saudades de decidir o que me apetecesse na altura sem ter receio de que depois me fosse cobrado;


Tenho saudades de ficar sentada, à noite, num banco de jardim, como se as horas não passassem e quisesse ficar ali eternamente;


Tenho saudades de bastar um sorriso para incendiar a minha alma;


Tenho saudades dos abraços e das lágrimas de emoção;


Tenho saudades de ficar em casa, toda a noite, a rir e a contar novidades, a dizer disparates e a rir de mim mesma, porque não havia razão para não o fazer;


Tenho saudades dos almoços hilariantes, que acho hoje que me satisfariam mesmo se não comesse, só pelos bons momentos;


Tenho saudades do frio me cortar a pele e mesmo assim, sair a rua;


Tenho saudades do sol me queimar o rosto e, mesmo assim, não querer ficar à sombra;


Tenho saudades de sentir o vento na cara e pronteger-me, de resto, com aquela capa negra, tão minha, tão íntima, tão fiel;


Tenho saudades de vestir as meias, a meio da noite e levantar-me, percorrer a casa e sentir o nervoso miudinho que adivinha algo importante, no dia seguinte;


Tenho saudades de chegar a sexta feira e sentir, realmente, que era sexta feira;


Tenho saudades de pintar as unhas e ficar feliz só por isso;


Tenho saudades de ir as compras, com o sentimento de poder comprar quase tudo o que quisesse, mesmo que, na realidade, não pudesse comprar absolutamente nada;


Tenho saudades de comer gelado e lambusar o nariz e rir, quando mo limpavam;


Tenho saudades de pular em cima da cama;


Tenho saudades de estar deitada na praia, a ouvir musica e fazer longas , dentro de mim, de cenas de filme, com aquela mesma banda sonora;


Tenho saudades de ver o telefone tocar e ver o nome da pessoa em que estava a pensar nesse mesmo momento;


Tenho saudades de chover e eu não querer sequer abrigar-me;


Tenho saudades de me sentir bonita;


Tenho saudades de ser mimada;


Tenho saudades de sentir que tudo fazia sentido, porque eu assim o queria;


Tenho saudades de encomendar pizzas e beber ice tea;


Tenho saudades de fritar batatas e calamares para comer, a meio da tarde;


Tenho saudades de ficar meias horas ao telefone, um par de horas depois de ter estado com a pessoa, porque até o chilrear de um pássaro, na rua, servia de pretexto, como qualquer outra novidade;


Tenho saudades de quando cada beijo parecia o primeiro beijo;


Tenho saudades de me aninhar e fingir que la fora está uma tempestade assustadora, só para me sentir protegida de tudo;


Tenho saudades de ter todos os meus amigos comigo, de ter aquele amigo junto de mim;


Tenho saudades de sentir o cheiro da pele e o jeito do cabelo do meu melhor amigo;


Tenho saudades de poder lembrar alguém sem uma dor no peito.


Tenho saudades...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Hoje não sei...

Hoje nao sei se te quero.

Sei que me fazes rir, sei que me fazes chorar. Acordas tudo o que é genuíno em mim, mas hoje, não sei se te quero.

Hoje, não sei se te amo.

Sei que fazes borbulhar tudo dentro de mim, sei que me acendes e me apagas como se eu não fosse mais que um isqueiro com que acendes os cigarros que te acompanham bem mais do que eu.

Pensei que sim, que sabia. Pensei que não tinha dúvidas. Mas tenho.

Telvez não tenha dúvidas do que sinto por ti, mas tenho dúvidas do que sinto perante esse sentimento.

Hoje não sei se te quero amar.

Sei exactamente o que sinto quando me tocas nos lábios, ao de leve, com a boca entreaberta e a respiração ofegante, sei o que sinto quando me prendes nos teus braços, como se só assim tivesses a certeza de que ali estou.

Mas, não me perguntes porquê, hoje não sei se te quero, nem se te amo nem sequer se te quero amar.

Soube-o, durante tanto tempo, que hoje tenho medo que o que sinto, o que se passa dentro do meu coração, não seja mais que essa imposição que o meu coração fez há minha vida, ha tanto tempo atrás, de te amar, contra tudo e todos. Hoje não sei se não será, também, contra mim.

Hoje não sei se fico.
Não sei se quero ficar, não sei sequer se quero estar perto.

O meu coração está "semi-acordado".
E hoje, não sei se quero acordá-lo ou adormecê-lo.

Apetece-me deixá-lo assim. Tal e qual como está. Apetece-me nem sequer pensar nele, ou seja, nem sequer pensar em ti.

Hoje não sei se quero, só isso.

Não sei se amanhã vou querer e, para ser sincera, já~ontem não sei se queria.

Hoje não sei se te quero, não sei se te amo, nem sei se te quero amar.

Se calhar é uma boa altura para pensarmos ambos porque será que não sei se quero!

Mas também...não sei se quero

sábado, 13 de dezembro de 2008

Só hoje...


Hoje não é nenhum dia especial...e, só hoje, eu quero fingir que sim. Que será um dia memorável, que vou sorrir e saltar mesmo que seja só em pensamento.




Hoje, quero fingir que me apeteceu levantar da cama, que não senti sono nem frio, que não precisei de adiar o toque do despertador "só mais dez minutos" para, finalmente, abrir os olhos.




Hoje, quero fingir que dei todos os meus passos com a certeza de que são os certos, com a certeza de que não virão arrependimentos futuros por ter escolhido aquele caminho.




Hoje, quero esquecer os "ses" e os "porquês". Quero apenas saber que sim e pronto.




Hoje quero sorrir quando receber uma mensagem que me recorde tempos melhores, em vez de ficar angustiada com a nostalgia.




Hoje, quero fingir que não tenho medo, fingir que o mundo lá fora não existe e correr-te para os braços, como se fosse a primeira ou mesmo a ultima vez.




Hoje, quero deixar que me beijes, sem hesitações...que me abraces e me digas que gostas de mim.




Hoje, podes fazer parte do meu mundo, assim como eu quero fazer parte do teu. Por inteiro.




Hoje, quero fingir que não existe passado e que não tenho medo do futuro.




Hoje, quero ser forte e evitar turbulencias, só para não ter a fraqueza de verter mais lágrimas.




Hoje quero voltar a ser eu. Quero voltar a sorrir e a acreditar. Quero voltar a viver e a sonhar. Quero voltar a estar cheia de coisas boas. Quero voltar a confiar...em mim e nos outros. Quero estar contigo. Quero ser feliz..




...Só hoje...