sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Por inteiro
É disto, então, que é feita a vida...
De encontros e desencontros, de injecções de adrenalina e de apatia, de sinais de fumos e clarividências, de decepções e surpresas, de memórias e projectos.
É disto, então...
Terminamos o dia, sem fazer o balanço. E as despesas e as receitas acomulam-se, para o "Dia D", aquele dia que chega inesperadamente e nos faz rever a matéria em clima de tensão.
É assim que, sem querer, percebemos que erros e passos falsos são a sumo de uma laranja que ficou guardada à espera de ser consumida; e de vitórias e escolhas acertadas que engolimos sem mastigar!
Termino, agora, então, esse ciclo vicioso em que me tornei (ou me deixei tornar). Ponho o ponto final no fim de cada frase que tentei deixar em aberto, como se o meu texto argumentativo não fosse mais que a soma abrupta de janelas abertas.
Despeço-me do que quis cultivar em terras inférteis, calço as botas e faço-me à estrada.
A mente é, agora, um turbilhão. Não podia ser de outra maneira! Afinal, é no meio dos turbilhões que encontramos o caminho para, primeiro, nos escondermos e, depois, mais confiantes, seguir...
Recapitulo os fracassos, na esperança de não voltar a cometê-los, mas sei, no fundo, que os fracassos são o nosso maior dado adquirido. Penso-os e volto a pensá-los. Gravo, na memória mais profunda, cravados a ferro e fogo, para de lá não sairem mais. E desenho um projecto novo, a lápis de carvão, ciente de que serão milhentas as alterações ao longo da construção dessa nova estrada, desse novo prédio, alicerçado naquilo (naqueles) que tenho de mais precioso!
Trago, no bolso, a borracha e canetas de mil cores, para preencher os espaços que hoje me parecem tão vazios, tão sinistros, tão duvidosos.
Porque, por mais vazios, por mais sinistros e por mais duvidosos que sejam, estes serão, daqui em diante, os meus espaços, que eu própria terei de pintar.
Sorrio, subtilmente, quando penso no que aprendi, nas palavras que suguei e que só oiço nas memórias.
Perdi, claro, perdi tanto!! Perdi forças, perdi pessoas, perdi oportunidades, perdi o juízo, mais que muitas vezes...e voltei a ganhar, em dobro, tudo aquilo que achei ter deixado pelo caminho.
Achei, quando as palavras me começaram a chegar à ponta dos dedos, vindas do peito, que "hoje eu não sou a mesma". Engano meu! Hoje eu sou muito mais eu! Mais forte, mais segura, mais ansiosa, mais desconfiada, mais racional, mais emotiva, mais fiável, mais orgulhosa, mais tolerante, mais crescida, mais...eu! Sou mais vincada! E percebo, agora, que serei mais eu amanhã e depois, e depois, e depois. Sempre! Enquanto viver, enquanto não tiver medo de viver, serei mais eu!
Já tive medo de ser eu! Já tive, até, vergonha de ser eu! Mas...vida, a quanto obrigas...e quanto ensinas! Hoje, ser eu, faz de mim mais feliz, faz de mim completa! Capaz de fazer felizes os que de mim esperam não mais do que o que serei capaz de oferecer!
E, quando me ofereço, é por inteiro. Quando sou, sou eu, sou inteira, sou real. Quando luto, luto tudo, luto frente a frente, luto forte, luto mesmo depois de cair, tudo por mim!
É isto que é viver? Cair e levantar, sabendo que, mais dia, menos dia, cairei de novo e isso não servirá senão para me reerguer?
Então eu luto, eu vivo e eu sou. Por inteiro!
sábado, 20 de outubro de 2012
Aninhas
As palavras estão todas aqui, dentro de mim, a atropelarem-se para sair, para fazerem sentido numa folha de papel, com pressa, com raiva, com saudades e com o maior amor do Mundo...
As iamgens sucedem-se, baralhadas no tempo, perdidas na imensidão do que deixaste de ti, em mim...
Tenho, em mim, a revolta da falta da despedida que nunca, sequer, devia chegar!
Falhámos a promessa de veres, da minha vida, os momentos mais importantes que nem sei se virão algum dia.
Nunca consegui medir o amor que tínhamos uma pela outra e que outros podem nunca ter compreendido!
Tenho, junto à cama, aquela fotografia...e perco-me no sorriso que me amparou tantas quedas e me brindou em tantas vitórias. As mãos tremem-me por não poder tocar-te nas mãos que vias engelhadas e eu via perfeitas.
Porque me abraçaram tantas vezes que lhes perdi a conta.
Sou a pessoa mais sortuda por ter partilhado todos os teus ultimos anos...
Levaste contigo os meus maiores segredos, o melhor e o pior de mim...e amaste-me incondicionalmente e acima de tudo pelo que fui e pelo que sou.
Não sei agradecer-te o suficiente pela mulher que fizeste de mim, de nós. Foste sempre a rainha de todos nós. A que mais sofreu, a que mais foi injustiçada e a que, mesmo assim, soube sempre perdoar, ter o sorriso mais doce que ja conheci. Mas foste SEMPRE a minha princesa, a minha inspiração, os braços para onde corri quando tive medo, quando quis chorar, quando quis falar sem palavras, quando quis festejar...
Tínhamos, entre nós, todos os laços possíveis.
Estás, sim, comigo, em cada minuto. E estarás para sempre!
Sinto falta da tua voz, de me chamares Kika, como mais ninguém sabe fazer...Sinto falta de te deitar, de te vestir, de te ajudar em tudo. Tenho saudades de te fazer o pequeno almoço, de fazer as massas que adoravas. Tenho saudades de me pedires um abraço só porque sim, tenho saudades de te pentear, de te pintar as unhas.
As coisas mais banais fizeram as nossas melhores memórias...
E não sei, se daí, de onde estás, podes ver a influência que isso teve em mim! Não sei se sabes que penso em ti todos os dias e que tenho vontade de correr para o teu colo a toda a hora.
Não sei se tens noção, agora que não to posso dizer, que me fizeste sentir especial toda a minha vida, a mim, à tua menina, que fui sempre! Não sei se te apercebes que nunca poderei deixar de sentir esta dor e este aperto por não te poder tocar!
Lembraste? Costumavamos comer caracóis e beber imperiais, só nós duas e fazer disso o momento mais emocionante do mundo! Costumavamos fingir que iamos viver para sempre, como se isso fosse possível! E tu sabias que não era...mas eu quase acreditei que sim! Que ingenuidade...
Vias em mim mais do que alguma vez serei! Ensinaste-me o significado de amor incondicional...protegeste-me e cuidaste de mim até chegar a minha vez de fazer o mesmo por ti...
Nunca poderei esquecer a forma como acreditavas em mim...e a certeza que tinhas de que seria sempre muito feliz. Agradeceste-me vezes sem conta o que nunca mereceu um agradecimento. Brindaste-me com as melhores memórias que trago. Foste avó, mãe (duas vezes, como há quem diga), irmã, amiga, confidente, professora, médica, e tantas outras coisas que trago cá dentro...
Merecias uma vida de alegrias e sofreste mais do que eu aguentaria. Mas nunca deixaste que isso te destruisse! Foste exemplo para todos os que te rodeavam e marcaste todos os que contigo se cruzara...espero que o saibas, onde quer que estejas.
Sem qualquer hesitação posso dizer-te que foste a mulher mais bonita, de todas as formas possíveis, que existiu! A mais especial...
Sei que estás em paz, que sabes o quanto te amamos, o quanto te amarei para sempre, o quanto sentimos a tua falta. Sei que és a estrela mais brilhante que possa ver no céu e que farás sempre, agora, como em vida, TUDO para me guiar.
Amo-te, minha rainha...amo-te, amo-te, amo-te...muito obrigada...
terça-feira, 29 de maio de 2012
Floco de neve
Às vezes as pequenas surpresas são como pequenos flocos de neve que, ainda que frágeis e rapidamente desfeitos, causam formigueiro nas mãos só de lhes tocar ao de leve!
Às vezes, porém, pequenas surpresas significam grandes pessoas, grandes mudanças, grandes feitos.
Foi assim que, sem querer, o meu pequeno mundo se encheu de pequenos flocos de neve!
Devagar, ponderadamente irreflectida, subo os degraus, abro as portas e fecho as que não servem senão para fazer corrente de ar num dia de inverno...
Mas subo, confiante, de mão dada com o floco de neve mais indescritívelmente fabuloso que me atravessou o caminho.
Perde-se o medo de sorrir ou de chorar; o medo de andar ou de correr...ou de parar, à espera que o sinal passe a verde.
E, dia após dia, degrau após degrau, tudo o que o tempo trouxe para depois levar, ganha novos contornos e o sentido que, noutros dias, não teria tido.
Dizem, tantas vezes, que "o que deu errado serviu para nos levar ao que dará certo". E, quando me deparo com tamanha modificação no meu mundo, não posso deixar de querer recorrer a todos os clichés...
Agora, e pelo tempo que quero ver prolongado ao infinito, não sinto senão paz. Porque, sem dúvida, tudo o que o tempo trouxer e levar, terá valido a pena, se me mantiver neste trilho virgem que vou desbravando, de mãos dadas.
Ao meu "fabuloso floco de neve"... Porque contigo faz sentido!
terça-feira, 17 de abril de 2012
LOVE YOU
terça-feira, 13 de março de 2012
para sempre...
Escrever-te com o coração pesado é saber que me ouves como se escrevesse de qualquer outra forma. Como se falasse contigo, como fiz tanta vez, na cabeceira da tua cama, sentada ao teu lado ou até pelo telefone: com o coração.
Ouviste histórias do meu dia a dia com a mesma atenção com que ouviste as histórias mais importantes da minha vida: com o coração.
Soubeste sempre o tamanho do meu amor por ti porque foi sempre do mesmo tamanho do teu amor por mim: infinito!
E eu ouvi-te a ti, contar histórias que, a mim, me pareciam saidas de contos de fadas! A maneira como conheceste o amor da tua vida, a forma como se apaixonaram e coomo ele fez de ti a mulher que te tornaste e em que nos tornaste a nós.
Sempre que me senti sozinha, fizeste-me ver que, contigo, nunca estaria sozinha.
Cuidaste de mim, desde que nasci e até poderes. E eu cuidei de ti, assim que pude fazê-lo.
Ninguém poderá saber o significado da nossa cumplicidade!
Quantas vezes me disseste que eu era a tua melhor enfermeira...e como me sentia orgulhosa por saber cuidar de ti...
Falávamos com o olhar, não era, meu amor?
Às vezes, quando amamos muito alguém, por muito que saibamos que ninguém é eterno, convencemo-nos de que esse dia não chega. E o mundo não tem piedade desse amor!
Tenho saudades do teu colinho, do teu sorriso, dos beijos que me mandavas de longe, a sorrir ao mesmo tempo...tenho saudades de ouvir-te chamar-me Kika, de escolher a roupa para vestires, de te pintar as unhas.
Tenho saudades tuas! Quantas saudades...
Queria levar-te, no Verão, a comer caracois e a beber a tua imperial, que te fazia passar a mão na barriga e exclamar um "aaah" de prazer...fazias-me rir e ficar emocionada pela forma como te dava tanta alegria um momento tão simples.
Tenho saudades do teu cheirinho, quando me abraçavas, tenho saudades de me pedires para fazer as minhas massas, que adoravas.
Deste sempre um toque teu a cada momento. A cada um de nós!
Clarinha, Genito, Sãozinha, Ju, Fifi Xuxu, Bruninho, Kika, Sacaninha...cada um de nós tem, dentro do peito, um nome que só tu usavas (e que nem gostávamos, porque crescemos, e agora adoramos, porque te perdemos).
Fui a tua menina, e tu foste a minha rainha! Fomos uma da outra em tantos momentos que não posso contabilizar. Mas consigo vê-los a todos!
Sei que não duvidaste, por um só segundo, do quanto te amava, do papel que tiveste sempre na minha vida, do quanto queria cuidar de ti para sempre. Mas, ainda assim, não deixo de ter o coração pesado pelas vezes que não te disse o quanto precisava de ti, enquanto podias ouvir-me!
Amo-te tanto, meu amor...
Foste avó, amiga, mãe, cumplice, confidente de tantos momentos, tantas memórias, tantos receios, tantos amores e desamores...e soubeste sempre ouvir-me sem julgar, sem deixar de te por no meu lugar.
Queria poder ter-te nos meus braços de novo...mas sei que é impossível. E por mais que me revolte, por mais que me doa, por ti, só tenho amor!
Sei que estás livre, junto dos teus amores, aliviada e em paz. Sei que sabes o quanto te amamos, o quanto sentimos a tua falta.
Ai...quanta falta me fazes, meu amor, quanta falta me faz o teu olhar, o teu sorriso, o teu colo, o teu mimo...quanta falta me faz a tua voz e a tua mão na minha, quanta falta me faz poder ter-te comigo...
Hei-de honrar sempre a tua memória, o teu ser. Foste a mulher mais corajosa que conheci, tenho orgulho em ti e terei sempre o teu amor como chão, como tecto, como fio condutor.
Amo-te tanto quanto é possivel amar-se alguém...
Ouviste histórias do meu dia a dia com a mesma atenção com que ouviste as histórias mais importantes da minha vida: com o coração.
Soubeste sempre o tamanho do meu amor por ti porque foi sempre do mesmo tamanho do teu amor por mim: infinito!
E eu ouvi-te a ti, contar histórias que, a mim, me pareciam saidas de contos de fadas! A maneira como conheceste o amor da tua vida, a forma como se apaixonaram e coomo ele fez de ti a mulher que te tornaste e em que nos tornaste a nós.
Sempre que me senti sozinha, fizeste-me ver que, contigo, nunca estaria sozinha.
Cuidaste de mim, desde que nasci e até poderes. E eu cuidei de ti, assim que pude fazê-lo.
Ninguém poderá saber o significado da nossa cumplicidade!
Quantas vezes me disseste que eu era a tua melhor enfermeira...e como me sentia orgulhosa por saber cuidar de ti...
Falávamos com o olhar, não era, meu amor?
Às vezes, quando amamos muito alguém, por muito que saibamos que ninguém é eterno, convencemo-nos de que esse dia não chega. E o mundo não tem piedade desse amor!
Tenho saudades do teu colinho, do teu sorriso, dos beijos que me mandavas de longe, a sorrir ao mesmo tempo...tenho saudades de ouvir-te chamar-me Kika, de escolher a roupa para vestires, de te pintar as unhas.
Tenho saudades tuas! Quantas saudades...
Queria levar-te, no Verão, a comer caracois e a beber a tua imperial, que te fazia passar a mão na barriga e exclamar um "aaah" de prazer...fazias-me rir e ficar emocionada pela forma como te dava tanta alegria um momento tão simples.
Tenho saudades do teu cheirinho, quando me abraçavas, tenho saudades de me pedires para fazer as minhas massas, que adoravas.
Deste sempre um toque teu a cada momento. A cada um de nós!
Clarinha, Genito, Sãozinha, Ju, Fifi Xuxu, Bruninho, Kika, Sacaninha...cada um de nós tem, dentro do peito, um nome que só tu usavas (e que nem gostávamos, porque crescemos, e agora adoramos, porque te perdemos).
Fui a tua menina, e tu foste a minha rainha! Fomos uma da outra em tantos momentos que não posso contabilizar. Mas consigo vê-los a todos!
Sei que não duvidaste, por um só segundo, do quanto te amava, do papel que tiveste sempre na minha vida, do quanto queria cuidar de ti para sempre. Mas, ainda assim, não deixo de ter o coração pesado pelas vezes que não te disse o quanto precisava de ti, enquanto podias ouvir-me!
Amo-te tanto, meu amor...
Foste avó, amiga, mãe, cumplice, confidente de tantos momentos, tantas memórias, tantos receios, tantos amores e desamores...e soubeste sempre ouvir-me sem julgar, sem deixar de te por no meu lugar.
Queria poder ter-te nos meus braços de novo...mas sei que é impossível. E por mais que me revolte, por mais que me doa, por ti, só tenho amor!
Sei que estás livre, junto dos teus amores, aliviada e em paz. Sei que sabes o quanto te amamos, o quanto sentimos a tua falta.
Ai...quanta falta me fazes, meu amor, quanta falta me faz o teu olhar, o teu sorriso, o teu colo, o teu mimo...quanta falta me faz a tua voz e a tua mão na minha, quanta falta me faz poder ter-te comigo...
Hei-de honrar sempre a tua memória, o teu ser. Foste a mulher mais corajosa que conheci, tenho orgulho em ti e terei sempre o teu amor como chão, como tecto, como fio condutor.
Amo-te tanto quanto é possivel amar-se alguém...
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