terça-feira, 11 de outubro de 2011

espera

Sentada no parapeito desta janela velha detenho horas e minutos na inconstancia que tem sido a minha rotina, os meus sentidos, as minhas esperas.

Multiplico 360graus por milhões de voltas que já vi os ponteiros do relógio completarem. E o sol poe-se e volta a nascer. E eu tento não ver. Tento não perceber que o tempo está, efectivamente, a passar.

E, no meio das voltas que o ponteiro dá, no meio dos dias que vagueiam, percebo que queria que o tempo andasse, sim, mas apenas no momento em que alguma coisa mude. Ou o sol muda de tonalidade, ou o vento de direcção, ou então, idealmente falando, as minhas frustrações desaparecem num golpe mágico.

Gostava de perceber, antes do fechar da cortina, que as segundas oportunidades, quando são dadas, não equivalem em voltar atrás no tempo e que, no entretanto, tudo pode mudar, ainda que inconscientemente.

Tenho, dentro de mim, uma solidão avassaladora que me leva as forças num dia e mas empresta no dia seguinte. Tenho a solidão do mundo e a minha. Tenho a falta de coragem para continuar a esperar.

Tenho a ingratidão que é inevitável, tenho o egoísmo que não consigo contornar, tenho a amnésia conveniente de quem se fecha dentro de uma concha a magicar no passado.

Depende, com certeza, de cada um, a linha que a sua vida segue. Mas é necessário que haja vontade para lutar.

Sinto que tudo o que me vai na alma, que todos os meus pensamentos são contraditórios, assim como os caminhos. Então, cá me deixo estar, sentada à espera....e espero, espero, espero....