terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sem marcha atrás...

"As coisas só deixam de ser verdade quando deixamos de acreditar nelas".

Acho que, assim sendo, há partes de mim que deixaram de ser, de existir. Coisas, pessoas, sentimentos.

Não trago rancor nas palavras. Talvez um pouco de desilusão, confesso...mas a dor já foi embora, com as crenças e as desculpas.
Ficaram fragmentos de memórias que já foram a razão de acordar, de sorrir, de chorar ou, simplesmente, de lembrar.

Acho que a vida é mesmo assim, não será? Talvez não tivesse que ser, mas é isto que faz de nós "o ser humano" no sentido que isso tem, nos dias de hoje. Esquecemos e rebuscamos, dentro de nós, as memórias esquecidas, quando entendemos que é tempo de "tentar de novo", de "dar uma nova oportunidade", de "reviver".

Normalmente, verdade seja dita, chega, também, o dia em que, cheios de resignação, voltamos a enterrar no fundo da gaveta esses bocadinhos do passado que teimamos em fazer presente.

A questão está exactamente aí: realmente, há uma razão (mais forte que o tempo, até) para que as coisas tenham, a este ponto, o nome de "passado"! E o passado não é nem será nunca presente. Assim como o presente não será nunca o futuro e vice-versa.

É um ciclo, em versão de auto-estrada. E, todos sabemos: nas auto-estradas não se faz marcha atrás!

Insisto, ainda assim, em fazer viagens interiores a esse passado, onde posso ver quem não está mas, sobretudo (e deitando fora qualquer cinismo), onde posso ir buscar pequenissimas razões para acreditar!

O amor seria, para a maioria, a viagem ao passado mais frquente. Para mim, são as "amizades". Sim, é uma verdade, uma amizade verdadeira é a versão mais pura do amor. Mas isso...é quando é verdadeira.

Vamos deixando que o vento nos leve as mágoas, que o tempo vá velando as nossas lágrimas. Passa o luto e, de subito...lá estamos nós, prontos e cheios de vontade de voltar a tentar. De arriscar e acreditar que, como se costuma dizer, "what you see is what you get". Não é! Na maioria das vezes, o que vemos é a antítese do que lá está. Mas os olhos do coração são assim mesmo: turvos, traiçoeiros, quase cegos. Por vezes, realmente cegos.

E é assim que, depois de uma vida inteira a dar de nós, a cuidar, a mimar, a acarinnhar, a limpar lágrimas, a sorrir só porque sim e a aparar todas aquelas quedas que sabiamos (e avisámos), desde inicio, que iriam acontecer, que tentámos evitar...mas que eram inevitáveis, somos esquecidos, atirados para um canto de uma sala cheia de caixas vazias (e outras cheias) de memórias que já não fazem falta porque, de súbito, já não mora ali uma criança.

E cá esta: divaguei! Mas, a verdade é esta, inquestionável e dura: aquele sentimento que, na maioria das vezes, qualquer um de nós aponta como o mais puro, o mais bonito, aquele do qual nunca abdicariamos...é o primeiro a ser traído. E com ele, também nós somos traídos, na esperança de que, sem querer, nada passe de um sonho mau!